domingo, 29 de novembro de 2009

Dublinenses

Em 15 contos, o escritor James Joyce nos permite espiar um momento na vida cotidiana dos irlandeses.

Religião, sexo, inveja e nostalgia se misturam, assim como as idades diversas. O leitor não deve esperar por surpresas ou lições de moral, apenas circunstâncias normais, onde os valores e costumes da região irão encaminhar os personagens em histórias que não possuem realmente um final, já que fica claro que muita coisa ainda deve vir.

Mesmo sendo histórias comuns, a forma da narrativa envolve o leitor, podendo fazer com que este recorde de fatos lidos ou até vividos. Pois, independente da época ou lugar, todos vivem momentos em que precisam tomar uma decisão ou são simplesmente levados por aquilo que chamamos de destino.

domingo, 22 de novembro de 2009

As Cidades Invisíveis

Passado, presente (e talvez futuro) se misturam nas descrições de diversas cidades que o viajante veneziano , Marco Pólo, faz em detalhes para o imperador dos tártaros Kublai Khan.

Impossibilitado de conhecer todos os lugares, que teoricamente, lhe pertencem, ele os descobre, invade e investiga através de um homem, que passa um longo tempo fora e depois retorna, cheio de histórias.

Cada cidade encontra-se em uma categoria, pode ser memória, desejo, símbolo, delgada, troca, olhos, nome, mortos, céu, oculta ou contínua. E desta forma, o livro é dividido, mostrando em cada parte suas semelhanças e diferenças. Embora a sensação de dejavu venha entre cidades de categorias diferentes.

O que parece descrições de ruas, acaba virando as diversas facetas do ser humano, deixando o leitor sem saber se as cidades são os espelhos de sua população ou se a população é um reflexo dos caminhos, muros e divisas de onde moram. Levando a crer que, no final das contas, as cidades nada mais são do que críticas as pessoas que estão por perto ou a própria humanidade.

O grande feito de Ítalo Calvino nesse livro é permitir que o leitor tire a sua própria conclusão. É possível criar teorias, ou apenas relacionar as cidades descritas com aquelas que vemos no cotidiano. Sendo-se livre para ver, refletir ou desacreditar.


sábado, 14 de novembro de 2009

A Linha de Sombra

Um jovem oficial resolve deixar o navio a que pertence apenas para voltar para casa. Perdido sobre o que quer realmente para sua vida, vê cair em suas mãos o objeto de desejo de qualquer homem do mar: o comando de seu próprio navio.

Quando Joseph Conrad torna o seu protagonista capitão de um navio infestado pela doença e inexplicavelmente preso pelo mar, o autor passa a narrar as etapas (e dificuldades) do amadurecimento pessoal e profissional do rapaz.

A Linha de Sombra é uma soma de dificuldades para quem lidera uma equipe pela primeira vez, com o agravamento de não ter nenhum preparo. Qualidades naturais, dor, culpa, se misturam, fazendo surgir cicatrizes invisíveis.

Um livro curto, mas bastante envolvente, indicado principalmente para os que possuem ambição em serem líderes, pois a tripulação adoecida é muito parecida com às equipes de trabalhos da atualidade.