sábado, 30 de janeiro de 2010

A Distância entre Nós

Entrando na onda indiana que invadiu o país via novela das 21hs, embarquei em sua literatura pela escrita da autora Thrity Umrigar.

De forma sensível e direta, A distância entre nós apresenta a rica Sera Dubash e a sua empregada Bhima. A primeira é culta, inteligente, rica e viajada. Mas isso não lhe ajudou a evitar o casamento com o homem errado nem livra-la dos seus preconceitos.

Já a segunda é uma mulher sofrida, cujos erros são causados pela própria ignorância e suas tentativas de reação viram espadas sob sua cabeça. Nos pensamentos de Bhima existe a dor de não se comunicar com o seu filho misturada com as lembranças do ex-marido e o peso de sustentar uma neta solteira e grávida.

Tendo como testemunha o mar de Bombaim, essa história tem um final em aberto. Pois se ela é carregada de tristeza, sofrimento e resignação, de uma forma que nos comove ou nos deixa louco de raiva, a porta que se abre deixa um fio de esperança ao leitor de que o amanhã de Bhima pode ser um pouco melhor.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Crime e Castigo

Terminei finalmente de ler Crime e Castigo de Dostoiévski. Depois de várias pausas, retomei e, com algum esforço, consegui acabar.
Não é digamos uma leitura de férias, pois o livro é denso ao extremo, cansativo, cheio de detalhes. Conta a história de um rapaz que comete um duplo assassinato - ele mata uma velha agiota para roubar seus bens e acaba matando também a irmã que aparece no local - e depois vive um drama pscicológico devido ao sentimento de culpa e arrependimento. Tanto que não consegue usufruir do que rouba e acaba enterrando sob uma pedra em algum lugar em via pública.
O mérito da obra, na minha opinião, está justamente nos fluxos de consciência dos personagens, seus medos, desejos e apreensões. O leitor vive intensamente o drama e a loucura do assassino e o peso de seu ato e acaba até torcendo por ele, por verificar que, no fundo, não é má pessoa, é um doente que cometeu um erro fatal.

domingo, 17 de janeiro de 2010

A Hora da Estrela

Um escritor anônimo é perseguido pela história da nordestina Macabéa. E é a mistura dos eventos que ele imagina para uma mulher sem atrativo nenhum, com suas opiniões e próprias experiências, que compõe o livro “A hora da estrela”.

O impacto da narrativa de Clarice Lispector irá depender (e muito) do grau de envolvimento do leitor. Pois a sua simplicidade não trás nenhuma surpresa. Ou o leitor se envolve com a personagem que muitas vezes domina o autor, ou a deixará em branco.

Livro curto e de leitura rápida, “A hora da estrela” reflete o nosso coditiano de dúvidas e escolhas, além da mesma busca por um final, que não se sabe se feliz ou não.

Para os fãs de Caio Fernando Abreu fica a penúltima frase “Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos”.