segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Pousada do Fim do Rio



Não sei por que achei que a história tratava-se de um romance. Então foi com surpresa que me deparei com Olivia, uma menina de quatro anos, que ao entrar na sala de sua casa se depara com a mãe assassinada e o pai com uma tesoura ensanguentada nas mãos.

Para agravar o caso, os pais de Olivia não eram um casal comum de pessoas desconhecidas e sim dois atores famosos de Hollywood, o que gerou uma redoma de vidro sob a menina após o brutal acontecimento.

Passados vinte anos, fama, drogas, inveja e paixão voltam a se misturar quebrando a barreira de proteção da agora mulher Olivia e trazendo a tona antigos medos quando o escritor Noah Brady, filho do policial que atendeu a ocorrência, é chamado pelo pai de Olivia para escrever a sua história as vésperas de sair da prisão. A justificativa: está com uma doença terminal e quer dar a sua versão dos fatos.

Nora Roberts e o seu A Pousada do Fim do Rio (Editora Bertrand Brasil, 532 páginas) me conquistaram logo no início, onde por mais certo e óbvio que as coisas pareçam, um ponto de interrogação é aberto. Seus personagens são envolvidos a cada novo passo junto com o leitor. O monstro que aterroriza Olivia nos sonhos volta a ser real, e o frio na barriga pode ser dividido entre todos.

Só me senti decepcionada com o final, pois todo o cuidado que se teve com todos os detalhes e personagens durante a história se tornam inexistente em um desfecho rápido demais para quem já se sente habitante da pousada.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ingrid está nua


Lançado em setembro de 2010, o livro Não Há Silêncio Que Não Termine é um tijolo com 553 páginas onde a ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, relata as agruras pelas quais passou ao longo dos seis anos em que esteve nas mãos das famigeradas FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Costumo dizer que um livro é bom quando, nos intervalos da leitura, você se pega pensando nos personagens e nos seus dramas, como se fossem pessoas próximas a você. E não há como não fazer isso com o livro de Ingrid, mesmo sabendo-se de antemão que o desfecho foi feliz - se é que se pode dizer isso de alguém que carregará para o resto da vida os traumas do sequestro - com sua libertação.

Ingrid Betancourt descreve os intermináveis dias de cativeiro dando ênfase aos sentimentos. A política fica subentendida mas não ocupa lugar de destaque em sua narrativa.

As nuances psicológicas dos envolvidos na história, sequestrados e algozes, descritas por uma mulher inteligente e acima de tudo sensível - porém ultrajada e humilhada - são, a meu ver, o ponto alto do livro.

Fatos como a hora do banho, a divisão da parca ração, os intermináveis deslocamentos pela mata e, principalmente, as várias tentativas de fuga - que levavam a excruciantes castigos - são narrados de forma simples e direta. É aí que Ingrid se desnuda diante do leitor, mostrando do que é capaz um ser humano exposto a situações-limite.

Não Há Silêncio Que Não Termine é um daqueles livros que se devora, torcendo pela "mocinha".


Não Há Silêncio Que Não Termine
BETANCOURT, Ingrid
Tradução: Antonio Carlos Viana, Dorothée de Bruchard, José Rubens Siqueira e Rosa Freire D'Aguiar
Companhia das Letras - 2010
553 páginas

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A arte da guerra



Diz que temos a hora certa para cada livro. Acho que não estou na minha hora para ler “A arte da guerra”. Talvez nunca esteja. Explico: A obra inteligente e atual, apesar de ter sido escrito por Sun Tzu em IV a.C., é pura e exaustivamente sobre estratégias de guerra. E tenho uma dificuldade muito grande em ler sobre a arte de algo que incita a violência.

Claro, a obra pode ser lida como forma de aprendizado as situações da vida no geral, e está aí um de seus encantos. Das páginas que li (sim, não li a obra toda), grifei passagens que me fizeram pensar: “Sobressai-se em resolver as dificuldades quem as resolve antes que apareçam.” (p.36*). “No comando do exército há sete males cruciais: (...) III- Misturar regras próprias à ordem civil e a ordem militar. (p.41).” É impossível não associar estas passagens a vida cotidiana. 

Os capítulos discorrem em títulos como estes: “Da arte de vencer sem desembainhar a espada”, “Do confronto direto e indireto”, “Da arte das mudanças”, “Da arte de semear a discórdia”. Achou interessante? Digo que é certamente. Da inteligência da estratégia a pouca sutileza dos conselhos, tudo é encantador. Mas ainda assim, é cansativo ler sobre estratégias e muito revoltante prender a atenção em algo tão belicoso. 

Aguardo meu momento. Meu tempo para, talvez, poder enriquecer minhas próprias brigas ficcionais, dar um terreno crível para meus contos. 


TZU, Sun. A arte da guerra. Tradução de Sueli Barros Cassal. Porto Alegre: L&PM, 2002. 152 p. (Coleção L&PM Pocket).