segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Julgamento Mortal


Um policial disfarçado, uma boate de strip-tease, um distintivo banhado de sangue. Um assassino solitário decidido a fazer justiça, eliminando aqueles que não cumprem o seu papel. E mais uma vez a tenente Eve Dallas se vê entre o pessoal e o profissional.

No décimo primeiro livro da série mortal, Nora Roberts coloca a sua personagem em frente a uma rede de corrupção, onde vários policiais foram comprados por um bandido poderoso, que por coincidência, foi sócio no passado em negócios não muito honestos de Roarke, o marido tudo de bom de Eve.

Este é responsável pelo conflito interno de Dallas, que ao tentar esconder uma informação de Roarke, acaba enfrentando uma briga em casa relacionada à confiança e proteção, e a questão sobre ser válido ou não mentir por amor?

As cenas calientes estão reduzidas, em compensação o contato de Eve com Ricker faz com que mais uma cena do seu passado seja revelada, em um quebra-cabeça que está longe de começar.

Personagens como Mavis e Peabody aparecem menos, e ao contrário do aviso da contracapa, este é um dos poucos livres da série cujo leitor consegue ler independente dos demais, pois é o que menos possui referencia a episódios anteriores.

Leitura obrigatória para os viciados nesta série policial. Para quem ainda não conhece, aconselho começar por Nudez Mortal, livro que nos apresenta ao casal protagonista.

domingo, 19 de agosto de 2012

O Prisioneiro do Céu


A decisão de Fermín e Bernada se casarem traz o passado de volta, entrelaçando novamente o escritor David Martín e os Sempere. Em O Prisioneiro do Céu, Carlos Ruiz Zafón une as histórias de dois de seus livros: A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo.

Novamente o leitor é levado pelas ruas de Barcelona, atiçando a curiosidade de conhecer mais a fundo esta cidade espanhola (fato acentuado logo de início, ao se deparar com um mapa da mesma). Os três homens da Sempere e Filhos continuam despertando a simpatia do leitor. Assim como as revelações do passado cortam o coração de Daniel e de quem as lê.

Iniciamos em dezembro de 1957, é véspera de natal, a Sempere precisa vender mais livros para que pai e filho paguem as suas contas. Fermín está com a data do casamento marcada e a cada dia mais magro, demonstrando tristeza no olhar. Mas é um estranho comprador, que compra uma edição rara de O Conte de Montecristo, o responsável por abrir a porta para o coração de Fermín, a morte de Isabella e o desejo de vingança em Daniel.

A escrita de Zafón continua rápida e cativante. Por outro lado, em comparação aos outros dois livros, O Prisioneiro do Céu, pra mim, deixou algo faltando. A aura de mistério e literatura parece enfraquecida. Várias questões parecem estar em aberto, tornando o terceiro livro uma espécie de ponte para uma quarta história que eu não sei se irá existir.

Mesmo assim, é um livro que não se pode deixar de ler. E como a ordem dos títulos não afeta o entendimento (apenas atiçam a curiosidade), fica claro que eles fazem parte de um quebra-cabeça. Resta aos fãs descobrirem se a frase “Acabou de começar” é realmente uma promessa.

O Prisioneiro do Céu Carlos Ruiz Zafón Tradução: Eliana Aguiar Editora Suma das Letras 2011 - 249 páginas

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cinema e Loucura

O que Brás Cubas e Íris podem ter em comum, assim como Bem Sanderson e Gwen Cummings? E que tal John Nash e Jerry Fletcher? Talvez Jack, Prot e Jack Torrance?

Talvez alguém responda: todos são personagens de filmes. Sim, está correto. Mas conforme os professores J. Landeira-Fernandez e Elie Cheniaux, eles são exemplos de diversos transtornos, como é registrado em seu livro Cinema e Loucura Conhecendo os Transtornos Mentas Através dos Filmes.

O título não mente, usando o comportamento de figuras como Telly (de Kids), Maggie (Em seu lugar), Raymond Babbitt (Rain Man), Scarlett O’Hara (E o vento levou) e Hannibal Lecter (O silêncio dos inocentes), é possível, mesmo para o leitor que não tem nenhuma formação em psicologia, compreenda melhor vários comportamentos e sintomas.

Apesar dos conceitos, a escrita é clara e cativante, eu, que sou leiga, não achei o livro em nenhum momento chato ou entediante. O único perigo é começar a enquadrar as pessoas dentro dos transtornos, o que pode ser uma brincadeira divertida ou até apavorante, conforme o diagnóstico.

Também é possível compreender o porquê do fascínio que algumas pessoas (sejam da ficção ou da vida real), mesmo possuindo caráter duvidoso, podem nos fazer acreditar nelas e muitas vezes torcer ou até mesmo ajudar.

Não fiz uma pesquisa para verificar como o livro foi recebido no meio da psiquiatria, mas para quem é de fora, a leitura pode trazer um conhecimento para quem gosta do assunto, ou se interessa por cinema ou simplesmente para leitores que buscam ler um pouco de tudo.

Cinema e Loucura Conhecendo os transtornos mentais através dos filmes
J. Landeira-Fernandez, Elie Cheniaux
Editora Artmed
2010 – 287 páginas