domingo, 18 de novembro de 2012

Água para Elefantes


Jacob Jankowski não sabe se tem 90 ou 93 anos. Ele mora em uma casa de repouso para idosos, não gosta da comida e prefere usar o seu andador a cadeira de rodas. A chegada de um circo deixa todos em polvorosa, mas é quando McGuinty, outro idoso, afirma que costumava levar água para os elefantes que ele fica furioso, chamando-o de mentiroso.
 
A soma dos fatos o faz recordar sua juventude, mais precisamente o período em que perdeu os seus pais em um acidente de carro e descobre que eles estavam endividados para pagarem sua faculdade de veterinária. Confuso, ele abandona os exames finais e acaba fugindo em um trem, o trem dos Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra.
 
Sara Grued divide a sua narrativa em duas partes. Se de um lado temos o velho Jacob, saudoso de sua esposa e esquecido pelos filhos, do outro temos um mundo agitado e nem sempre colorido, onde o leitor é apresentado a Marlena, uma jovem bonita que encanta o coração do jovem Jacob, mas é um desejo proibido, por estar casada com August, um homem temperamental, que alterna o seu humor constantemente, sendo sorridente em um momento e violento em outro.
 
Também temos Tio Al, dono do circo, que paga os seus funcionários quando tem vontade, corre o país recolhendo os restos de circos falidos e atira seus empregados do trem em movimento quando quer reduzir custos.
 
Entre os personagens pitorescos temos Camel e Walter, o primeiro responsável por colocar Jacob no circo, o segundo é obrigado a dividir o dormitório com aquele jovem estranho. E claro, Rosie, a grande elefante que só atende ordens em polonês.
 
Romance, drama e comédia se misturam de forma simples e graciosa nesta história bonita e rápida de ler. Existe uma naturalidade nos fatos que nos permite entrar na rotina dos personagens e dividir sentimento com eles.
 
Um livro sobre juventude e velhice, escolhas, amores e amizades. Uma boa pedida para o verão que está chegando.
 
Uma última observação: Não vi o filme, mas mesmo conhecendo os atores, meus personagens são bem diferentes na minha imaginação.

 
Água para Elefantes (Water for Elephants)
Sara Grued
Tradução: Anna Olga de Barros Barreto
Editora Arqueiro
2006 – 272 páginas

domingo, 4 de novembro de 2012

Trilogia Princesa


 
Ao contrário do que o título possa insinuar os livros de Jean P. Sasson não são uma narrativa sobre contos de fada ou um romance onde o amor é o grande vencedor. Os livros Princesa, As Filhas da Princesa e Princesa Sultana nos contam uma realidade muito distante dos brasileiros: os das mulheres árabes.
Sultana é uma princesa saudita, pertencente à família rela d cada de Al Saud, que entregou os seus diários a escritora americana. Seu nome é mantido sob sigilo, pois a revelação da sua identidade a condenariam, assim como a sua família.
Logo na introdução do primeiro livro ela explica a diferença entre filhos e filhas. O fato de um menino ser tratado como Deus, e um homem ter várias esposas até que uma gere o que ele deseja, o medo constante da esposa que deu luz ao primogênito.
Sultana nunca aceitou o seu papel. Desde cedo provocava o irmão, em um mundo onde a mulher não possui o direito de se expressar. Mas também teve sorte, pois sua mãe conseguiu educar suas filhas e mesmo sendo rebelde, seu pai fez um casamento com um homem jovem e que a permitia falar. Ao contrário de sua irmã Sara, que sonhava em estudar arte na Itália e virou a terceira esposa de um homem de 62 anos, tentando o suicídio menos de dois meses após a cerimônia.
Ter que esconder o rosto, não poder estudar, não poder dirigir, violência física e sexual, religião. Jovens mulheres ousadas que abordam bonitos estrangeiros para quebrarem a monotonia e encontram a morte. Compras no exterior e a inveja da liberdade das mulheres estrangeiras. Necessidade de lutar pelo respeito. Depressão. Inutilidade. Uma pequena solução que pode se tornar a grande solução em um mundo de humulhações.

Nos três livros acompanhamos Sultana da infância até a sua maturidade, todas as situações que ela vê. Em muitos momentos é possível sentir o sofrimento. Tristeza. Horror. O desejo que tudo fosse ficção e não uma história real.
Uma trilogia para todos os que prezam a liberdade e o ser humano. Que nos faz ter o desejo de lutar por maior igualdade e não entender como muitos governos podem apoiar esses ditadores, trocando o respeito ao próximo pelo petróleo.
Princesa - A história Real da vida das mulheres árabes por trás de seus negros véus
Tradução Regina Amarante
247 páginas
As Filhas da Princesa - As revelações íntimas de uma mulher saudita sobre sexo, amor, casamento - e o destino de suas belas filhas - por trás dos véus
Tradução Yara A. Moreira
240 páginas
Princesa Sultana - Sua vida, sua luta
Tradução Therezinha Monteiro Deutsch e Sylvio Deutsch
303 páginas
Autora Jean P. Sasson
Editora Best Seller