Sinopse: Quando um relacionamento falso entre cientistas encontra a irresistível força da atração, as teorias de uma mulher sobre o amor, cuidadosamente calculadas, são postas à prova. Olive Smith, uma estudante de doutoramento em Biologia, não acredita em namoros duradouros. Após terminar o relacionamento com Jeremy, percebe que a sua melhor amiga, Anh, gosta dele e decide juntá-los. Para a convencer de que não se importa e de que está feliz e a namorar, Olive precisa de o provar, mas, pressionada, entra em pânico e resolve beijar o primeiro homem que vê: Adam Carlsen, um jovem professor de outro departamento. Olive acaba por ficar chocada ao perceber que este tirano do laboratório da Universidade de Stanford, conhecido por deixar os estudantes em lágrimas, aceita manter a farsa e fingir que é, realmente, seu namorado.
Para convencer sua melhor amiga Anh de que ela pode se relacionar com o seu ex-namorado, a cientista e doutoranda Olive Smith inventa que está em um relacionamento. Pressionada para apresentar o novo parceiro, ela acaba beijando o primeiro homem que aparece no corretor da universidade e assim acaba sendo vista por Anh.
O problema é que este homem é Adam Carlsen, um professor conhecido por tornar a vida dos doutorandos um verdadeiro inferno e depois de ser agarrado por Olive a lembra das regras sobre assédio.
Ela estava bem ciente de que se comprometer a encarar alguns anos trabalhando oitenta horas por semana, sendo mal paga e desvalorizada, talvez não fosse bom para sua saúde mental.
Mas após boatos de que o professor estaria analisando uma possível troca de universidade, Stanford opta por bloquear o seu financiamento de pesquisa. Gerando a Adam a necessidade de mostrar para a universidade que possui vínculos com o local e não está pensando em ir embora. E assim surge um acordo para que eles representem na frente de todos terem um relacionamento amoroso.
Proporcionando assim uma leitura que mescla risadas, romance e reflexões dos desafios que as mulheres ainda enfrentam, aqui representadas pela ciência e o mundo acadêmico.
A escrita de Ali Hazelwood
A autora italiana e doutora em neurociência utiliza o pseudônimo Ali Hazelwood para escrever romances protagonizado por mulheres que atuam em áreas STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática).
Sua carreira na escrita começou com outro pseudônimo Ever so Halo, que ela utilizava para escrever fanfics com os personagens de Star Wars. A boa recepção destas histórias de fãs transformou as fics em romances publicados e um deles é justamente A hipótese do amor, que se tornou um fenômeno no TikTok.
Aquele beijo estava parecendo uma cabeçada meio desengonçada, e ela foi ficando ansiosa, achando que não ia conseguir levar a coisa toda adiante.
Seu estilo se caracteriza por comédias românticas em ambientes acadêmicos ou de pesquisa científica. Suas protagonistas são mulheres fortes que precisam superar o machismo e a desvalorização entre os pares de sexo oposto.
Ela se utiliza de alguns temas recorrentes, como "enemies to lovers" e namoros de mentirinha que acabam em relacionamentos românticos.
Era a única mulher na sala, basicamente sozinha num mar de homens brancos que já conversavam sobre barcos, qualquer jogo com bola que tinha passado na Tv na noite anterior e os melhores lugares para viajar de carro.
Sua escrita é bastante fluída e leve, com um ritmo que convida a virar mais uma página enquanto se envolve com as tensões e cenas um pouco mais apimentadas dos personagens. Com uma narrativa em terceira pessoa, o foco está todo na personagem principal Olive, incluindo os seus pensamentos.
O que eu achei de A hipótese do amor
Encontrei a indicação do livro por acaso, como uma leitura leve para distrair a cabeça. Como havia lido uma sequência de livros mais reflexivos e tensos, acabei comprando A hipótese do amor para realmente relaxar.
E sim, o livro é leve, com aqueles clichês de comédia romântica que eu adoro, em uma escrita que realmente me envolveu, já que o término de um capítulo já me despertava a vontade de ler o próximo.
Havia algo especial no jeito com que ele falava. Talvez fosse um sotaque, talvez apenas uma característica de sua voz.
Como uma profissional da área de tecnologia, onde não raro convivo mais com colegas do sexo masculino do que com o do feminino, não foi difícil lembrar de algumas situações de quando iniciei na profissão, em que a capacidade das mulheres ainda levantava dúvidas e sobrancelhas. Algo que felizmente tenho me deparado cada vez menos, embora saiba que a luta não só pelo espaço profissional, mas também de locais livres de assédio indesejado está longe de terminar.
E essa é uma reflexão interessante no livro, as dúvidas, a necessidade de se superar, o medo de ser uma impostora apresentados pela protagonista Olive Smith é ainda muito recorrente entre as mulheres. Pois existe uma autocobrança forte onde não basta ser boa, precisamos sempre sermos ótimas em tudo o que nos propomos, o que gera um stress maior.
Precisava de um laboratório melhor se quisesse produzir conhecimento científico decente. Equipamentos melhores. Reagentes melhores. Culturas de bactérias melhores. Tudo melhor.
Pois estamos sempre precisando provar que temos capacidade de estar ali, que temos direito a ocupar aquele espaço, que merecemos ser reconhecidas pelo nosso desempenho.
Mostrando que mesmo na leveza é possível gerar reflexões importantes, principalmente em um mês que temos o Dia Internacional da Mulher, onde o 8 de março nos lembra do que já conquistamos e de tudo o que ainda precisamos lutar para abranger ainda mais mulheres.
Porque nem por milhões de dólares em fundos de pesquisa valeria a pena ter uma garota aleatória que você nem conhece direito sentada no seu colo no auditório mais lotado da história dos auditórios lotados.
Sobre o par romântico. o Dr. Adam Carlsen não foge do estereótipo de gatão, e apesar da postura inicialmente fechada, foi me conquistando junto com a Olive, tornando um casal fácil de torcer para um happy end.
Também há amizade com Anh e Malcolm, amigos leais que apoiam Olive. Sendo Anh a responsável direta por colocar Olive nas situações mais diversas e, mais importante, ser a causa do início do falso namoro. A interação entre os personagens é muito legal e divertida, trazendo aqueles pequenos grandes dramas e histórias engraçadas que se vive durante o período acadêmico.
Só sei que você sabe não ser um babaca e não entendo por que é tão diferente comigo.
No geral adorei a leitura, mas confesso que apesar de adorar a escrita, não me aventurei a comprar outro livro da autora, com medo de encontrar mais do mesmo. Então se alguém já leu outro título e achar que vale a pena, pode me recomendar aqui nos comentários.
E eu deixo de dica A hipótese do amor, lembrando que é um livro 18+ devido a descrição de dois capítulos do livro, que pode conquistar os corações de quem adora um romance fofo, curte mulheres fortes em histórias leves ou quem quer um vira página para relaxar.
A hipótese do amor
The Love Hypothesis
Ali Hazelwood
Tradução: Thaís Britto
2022 - 336 páginas
Publicado originalmente em 2021

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