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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Um estudo em vermelho



Sinopse: Na obra de estreia do renomado escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle, um homem é encontrado morto em Londres. Apesar das manchas de sangue, o corpo não apresenta ferimentos, apenas uma clara expressão de pavor no rosto. Intrigada diante do enigma, a polícia recorre ao auxílio do excêntrico e inteligente Sherlock Holmes, que emprega suas técnicas de dedução pouco ortodoxas para desvendar o mistério. Narrado pelo dr. Watson, Um estudo em vermelho marca o primeiro caso e aparição de Sherlock Holmes, um dos detetives mais populares e clássicos da literatura.

Logo de início o dr. Watson nos conta resumidamente sua vida após obter o título de Doutor em Medicina até a sua chegada em Londres. A necessidade de economizar em uma cidade tão cara o leva a conhecer Sherlock Holmes, que trabalha no laboratório químico de um hospital, para ver se ambos poderiam dividir um apartamento.

Os seus estudos são muito irregulares e excêntricos, mas ele acumulou uma quantidade de conhecimentos incomuns que espantaria seus professores."

E assim Watson descobre que o seu novo amigo auxilia detetives particulares e a própria Scotland Yard na resolução de casos difíceis, utilizando-se de um método de observação próprio. E o primeiro que ele participa é de um misterioso assassinato de um homem em uma casa vazia, onde a polícia londrina não identifica nenhuma pista.

A história é dividida em duas partes, na primeira temos a introdução dos dois personagens principais, o caso e a resolução do mesmo, com a explicação das pistas por Sherlock Holmes. Já na segunda parte, que foi a minha favorita, está a motivação do crime, detalhando o que gerou o ocorrido.

Antes de me julgar, entretanto, que se lembre de como a minha vida não tinha objetivos e do pouco que havia para prender minha atenção.

Eu conhecia o personagem Sherlock Holmes apenas por filmes e, naturalmente, por ser referência de livros de mistérios. Mas nunca havia lido nada do escritor Arthur Conan Doyle, e confesso que gostei bastante do seu estilo.

Na história ele mescla primeira e terceira pessoa em um único narrador, que é o dr. Watson, o que deixa bem marcado quando ele está vivendo a situação e quando ele está contando algo de terceiros que tomou conhecimento. Também fica claro em algumas passagens que a narração não se encontra no presente, mas sim lembranças de fatos que ocorreram e foram registrados em uma espécie de diário.

Se lhe pedissem que provasse que dois mais dois são quatro, você teria talvez alguma dificuldade, apesar de não ter dúvidas a respeito do fato.

Achei a leitura muito fácil, embora ele não permita o leitor ter os seus próprios suspeitos, dependendo inteiramente da genialidade e atenção de Sherlock Holmes, a história prende a atenção e naturalmente deixou aberto para que mais aventuras viessem. O que me deixou empolgada para ler um outro livro do autor que recebi agora no mês de dezembro.


Um estudo em vermelho
A study in scarlet
Sir Arthur Conan Doyle
Tradução: Rosaura Eichenberg
TAG - L&PM Pocket
1887 - 192 páginas

terça-feira, 27 de outubro de 2020

A Vida Secreta dos Escritores



Sinopse: em 1999, após publicar romances cultuados pelo público e crítica, Nathan Fawles anuncia que vai abandonar a carreira literária e a vida pública, juntando-se ao rol de escritores reclusos que ocupa a mente dos fãs de literatura. No auge da carreira, ele se refugia em Beaumont, ilha paradisíaca na costa do Mar Mediterrâneo. Duas décadas depois, Raphaël Bataille, aspirante a escritor e fã de Nathael Fawles, chega a Beaumont para descobrir o paradeiro do seu ídolo. Também desembarca no local Mathilde Monney, uma jornalista suíça que está determinada a desvendar os segredos do autor, por que, afinal, Nathan Fawles parou de escrever histórias? Ao mesmo tempo, ocorre um assassinato misterioso na ilha, que coloca os três personagens em lados opostos de um enredo repleto de mentiras, crimes, traições, paixão e muita escrita.

A edição da TAG Inéditos de Outubro/2020 traz o título A Vida Secreta dos Escritores do autor francês Guillaume Musso, que já vendeu cerca de 35 milhões de cópias e foi traduzido para 44 línguas. O livro é fino, mas não o julgue pelo tamanho, pois ele é garantia de uma leitura extremamente envolvente, sem exageros. 

Eu sempre conseguia me convencer de que os fracassos preparavam a vitória.

O mapa da Ilha Beaumont abre a leitura, e ao final dá um aperto no coração ao pensar que ela é fictícia, tendo como inspiração outros quatro lugares, estes sim, reais: a cidade litorânea de Bolinas na Califórnia, e as ilhas Skye na Escócia, Porquerolles na França e Hidra na Grécia. O que possibilita o leitor montar um roteiro de viagem para o pós pandemia.

Raphaël é um jovem de 24 anos formado na área de comércio para tranquilizar os pais, mas que tem o sonho de ser escritor como profissão. Há dois anos se dedicava a escrita do seu romance, que já havia sido recusado por uma dezena de editores. O que o fez aceitar um emprego temporário em uma livraria na ilha de Beaumont, onde teria tempo para escrever uma nova história.

E aquela maneira de se erigir em juiz para decidir o que era e o que não era literatura me parecia de uma pretensão sem limites.

A ida para a ilha tem um bônus para Raphaël, encontrar o famoso escritor Nathan Fawles, ao qual possui muita admiração e já leu os livros diversas vezes. Nathan Fawles vive isolado na ilha, em uma casa construída grudada a um rochedo, com seu próprio caminho para o mar, é um local sem sinal de internet, um ambiente rústico, perfeito para escrever, mas o seu morador não quer colocar mais uma palavra no papel.

Só que não é apenas Raphaël e seu manuscrito que estão atrás de Nathan. A misteriosa jornalista Mathilde Monney também está interessada no autor, a ponto de utilizar artimanhas para conseguir se relacionar com ele. Bonita e jovem, em um primeiro momento Nathan sente-se atraído por ela, mas logo ele passa a se sentir perseguido.

O livro não tivera repercussão na imprensa e não se podia dizer que os livreiros o respeitassem, embora tivessem acabado seguindo a onda.

Além disso, estão todos presos na ilha após o assassinato de uma mulher, que é encontrada pregada a árvore chamada de Imortal, um antigo eucalipto que deixa todos os moradores da ilha em estado de tensão, já que o seu isolamento também passa a ser questionado.

O detalhe da história de Guillaume Musso começa no Sumário, que pode deixar o leitor em dúvida se o livro é uma ficção ou sobre como escrever? E eu ouso dizer que ele trata das duas coisas. Em um mistério leve, mas ao mesmo tempo envolvente, ele vai dando dicas de como um livro é construído. Abordando com seus personagens desde cursos de escrita, passando pela dificuldade de um livro ser aceito pelas editoras, até como um autor passa a ser visto quando alcança o sucesso.

Em relação ao estilo, o texto estava cheio de brilhantismo, de figuras de linguagem audaciosas, de alusões bíblicas.

Abaixo do título de cada capítulo temos frases e observações de outros autores - como Umberto Eco, Milan Kundera, Marcel Proust - sobre escritores, livros e escrita. E eles não estão ali por acaso, sendo uma introdução sobre o que está por vir, então não as ignore, elas não estão ali por acaso.

A narrativa se utiliza tanto da primeira quanto a terceira pessoa, sendo envolvente, irônica e questionadora. Com cutucões nos intelectuais, achei muito inteligente por parte do autor utilizar um suspense em estilo romance policial para nortear o que leva alguém escrever e também a se afastar das letras.

Mas os romancistas costumam ver histórias em tudo.

Eu particularmente adorei o livro, ele capturou a minha atenção, achei bem construído e ao final fiquei com pena de terminar.


A Vida Secreta dos Escritores
La vie secrète des écrivains
Guillaume Musso
Tradução: Julia da Rosa Simões
TAG Inéditos - L&PM
2019 - 222 páginas


Outros livros sobre escritores e a escrita resenhado nos blogs:

A Louca da Casa
A Velocidade da Luz
Autobiografia
Sobre a Ficção - Conversas com romancistas

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Amor e Amizade & Outras Histórias



Sinopse: Acredita-se que amor e amizade tenha sido uma das primeiras empreitadas de Jane Austen no que viria a ser seu ofício. Criada quando a inglesa tinha catorze anos, esta novela é composta de cartas escritas por Laura, em que conta seus infortúnios amorosos do passado. Já nesta obra Austen brinca com os clichês das histórias de amor da época – como o amor á primeira vista – e dá um verniz de sarcasmo ao enredo de reviravoltas românticas, mostrando um humor que marcaria sua obra dali em diante.

Este pequeno livro composto de três histórias, todas narradas em forma de carta, estão para mim mais como contos, vieram no combo-mimo de clássicos da TAG Curadoria de julho, e foi uma agradável surpresa.

Logo de início temos um prefácio do escritor e jornalista britânico G. K. Chesterton, cujo texto começa por opiniões controvérsias das obras de Jane Austen, passando por uma análise das histórias, até o fato de ter deixado tudo, inclusive seus manuscritos, para a irmã Cassandra.

A seguir o leitor será informado um pouco mais sobre a própria escritora, que teria escrito os seus contos ainda na adolescência, mostrando que sua ironia era algo nato.

O primeiro conto é exatamente o título do livro Amor e Amizade, tudo começa com Isabel enviando uma carta para Laura, solicitando que esta detalhe para a sua filha todas as desgraças pela qual passou.

Neste momento o leitor se torna Marianne, filha de Isabel, e acompanha todas as desventuras um tanto estapafúrdias de Laura, que envolve relações familiares, casamento, interesses, encontros e desencontros.

A crítica à sociedade da época não é nada sutil, o falso moralismo nada mais é que um reflexo de inocência inexistente. Tudo gira em torno de dinheiro, o que nos faz pensar o que Marianne estava pensando em fazer.

A segunda história se chama As Três Irmãs, e é a mais engraçada do livro. Mary inicia a sua carta se dizendo a pessoa mais feliz do mundo por ter recebido uma proposta de casamento do Sr. Watts.

Não, ela não é apaixonada pelo Sr. Watts, conforme ela ele é velho (possui cerca de 32 anos), é muito feio, desagradável e ela o detesta.

Mas ele é rico, e se ela não aceitar irá fazer a proposta as suas irmãs, e se estas não aceitar as filhas de uma outra família. Por saberem que a mãe não irá permitir a negação das três filhas, as duas mais novas resolvem enganar a mais velha, para convencê-la a se casar e assim livrando elas do partido indesejado.

A troca de cartas acaba sendo um jogo de manipulação, onde o trunfo é de quem possuí mais informações para saber como atiçar o lado competitivo da outra.

Para encerrar o conto Uma Coletânea de Cartas, que como as duas primeiras é narrado em forma de missiva. Aqui não temos personagens fixas, mas cartas que são desabafos para amigas sem nomes.
É uma mãe relatando as mudanças na forma de convívio com as filhas, uma jovem frustrada pela paixão, outra jovem que se sujeita a comentários da mulher que a leva para um baile, e outras histórias que parecem narrar à rotina das jovens de uma sociedade que hoje parece muito distante de nós.

O livro é curto e de rápida leitura, uma das coisas que eu mais gostei foram das dedicatórias antes de cada história, como a que Jane Austen dedica ao seu marido: “Ao Ilmo. Edward Austen o seguinte romance inacabado é respeitosamente dedicado por sua obediente e humilde serva, a autora.”. 
Amor e Amizade & Outras Histórias

Love and friedship
Jane Austen
Tradução: Rodrigo Breunig
TAG – L&PM Pocket
124 páginas

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Sonho de uma noite de verão



Sinopse: Sob o solstício de verão, humanos, espíritos da natureza e criaturas fantásticas performam seu espetáculo. Diante de um casamento arranjado por seu pai e pelos deuses, Hérmia decide fugir à noite com o seu amado Lisandro, para a tristeza do seu prometido, Demétrio. Ele, por sua vez, é desejado pela confidente de Hérmia, Helena. Nos bosques mágicos, o quarteto se reconfigura, transformando essa trágica história de amor em uma comédia caótica.

Eu li este livro de William Shakespeare em uma versão juvenil quando estava ainda no colégio e havia me encantado com a leitura. Então foi com prazer que recebi o exemplar que foi mimo do mês de julho da TAG junto com outros dois clássicos.

O livro exige imaginação dos seus leitores, pois é uma peça descrita. Ele não possui partes, possui atos. E ele não possui capítulos, possui atos. Ele é 99% diálogo, havendo apenas exceção para as entradas e saídas de cena.

Acorde o atrevido e ágil espírito do júbilo, expulse a melancolia daqui para os funerais.

A história – ou a peça – é iniciada com uma conversa sobre as núpcias de Teseu, o duque de Atenas, e Hipólita, a rainha das amazonas. Tudo está ocorrendo bem até Egeu e sua filha Hérmia entrarem em cena.

É neste momento que inicia um dialogo onde Teseu cobra da jovem obediência ao seu pai, lhe deixando duas alternativas: ou casa-se com o escolhido Demétrio ou vira freira. Não adianta a jovem dizer que o seu amado Lisandro tem as mesmas qualidades do seu pretendente, pois lhe é exigido que ela assumisse a visão de seu pai.

Mas, então, se amantes fiéis sempre foram traídos, isso é uma lei do destino.

No desespero, ela e Lisandro decidem fugir, iniciando sua fuga por uma floresta. Helena, sua confidente, tentando ganhar o amor de Demétrio lhe conta tudo, e ambos também vão para a floresta. Aqui assistimos Helena ser destratada inúmeras vezes por Demétrio, o que pode agoniar o leitor mais sensível, já que ela permanece seguindo-o mesmo após as humilhações.

O que ninguém sabe é que Oberon e Titânia, rei e rainha das fadas e dos duendes, estão em pé de guerra em plena floresta. E Bute, um duende endiabrado que atende as ordens de Oberon irá fazer a maior confusão em uma quente noite de verão.

Não é você que, às vezes, não deixa a cerveja fermentar, e desorienta os viajantes noturnos e ri de sua desgraça?

 O ritmo de leitura de um Sonho de uma noite de verão irá depender da adaptação à linguagem, que em relação aos dias atuais parece um tanto rebuscada, como no momento em que Egeu se dirige a Teseu dizendo “Cheio de vergonha venho eu, com queixas contra minha prole, minha filha Hérmia.”.

Mas também é uma história divertida, já que Shakespeare exagera na dramaticidade de seus personagens a ponto de se tornarem cômicas, e conforme Bute vai aprontando, mais surreal se torna a noite de cada um dos envolvidos.

O que tu vires quando acordares, toma por teu verdadeiro amor.

A leitura vale a pena por ser um clássico, por ser divertido e por nos fazer exercitar a imaginação. Eu, por exemplo, me imaginei sentada em um teatro aberto, onde parte do cenário era o próprio local.

Sonho de uma noite de verão
A midsummer night’s dream
William Shakespeare 
Tradução: Beatriz Viégas-Faria
TAG - L&PM Pocket
128 páginas

sábado, 29 de dezembro de 2018

Hoje eu venci o câncer



Sinopse: O jornalista, romancista e cronista David Coimbra se dedica aqui a provar que o otimismo e a vontade de viver podem ser uma prescrição eficiente no conjunto de medicamentos com que se enfrenta uma doença grave. Em primeiro lugar, não se deve nunca abdicar do direito de (con)viver com seus afetos e se dedicar aos bons amigos e à família; depois, é valorizar o dia a dia naquilo que ele tem de mais trivial, seja um nascer do sol ao lado do filho ou a singela aquarela de um poente tímido. Você pode estar em Porto Alegre, no Rio de Janeiro, em Dubai ou em Massachusetts, não importa. O essencial é viver o presente da melhor maneira possível, um dia após o outro, comemorando cada vitória.

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos.

Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.

Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Quando começam em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, são denominados carcinomas. Se o ponto de partida são os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem, são chamados sarcomas.

Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes, conhecida como metástase.” Fonte: Inca 

Também conhecida como doença ruim, termo com o qual a própria avó do David chamava, o seu diagnóstico leva qualquer pessoa a nocaute. Durante muitos anos foi sinônimo de sentença de morte. Sua origem pode ser genética, pode ser por hábito, alteração do ambiente, local de trabalho ou apenas uma ironia do destino.

Quando descobri que ia morrer, decidi escrever esse livro.

O escritor e colunista David Coimbra conta a sua história em um livro rápido e envolvente, mas ao contrário do que o título possa induzir, não é sobre morte, mas sobre vida. Para quem o acompanha aqui no Sul do Brasil sabe que ele se mudou para Boston para ser cobaia em um tratamento que o faz vencer a cada dia esta doença tão temida. Mas ao contrário do que se possa imaginar, não é um livro que deixara o leitor depressivo, mas sim, reflexivo.

Originalmente o livro foi iniciado para o filho de David, Bernardo, na época com 5 anos, para que ele tivesse recordações do pai, visto que o câncer do escritor estava em um estágio bastante agressivo. O mesmo foi adaptado conforme os meses se transformaram em anos, e o que lemos é vida, família, amizade e lealdade.

Você não é necessariamente culpado pelas coisas ruins que lhe acontecem, nem necessariamente merecedor das boas.

O livro é uma mistura de várias etapas da sua vida e colunas escritas para o jornal Zero Hora em dias especialmente marcantes para ele. É curioso ver que no mesmo dia em que David descobriu a doença que estava instalada em seu corpo a cerca de 10 anos ele escreveu a espirituosa coluna O que o homem gosta na mulher, em que ele finaliza com frases de belas mulheres, sendo talvez a que mais combine com o autor a da atriz Sharon Stone “O humor é uma forma de ser valente”.

Naturalmente existem momentos tristes, ali está descrito a dor a cada cirurgia, as reações do pequeno Bernardo, o baque de descobrir outro amigo com câncer, lembranças de um pai que o abandonou. Mas tudo equilibrado com a força de uma mãe guerreira, da esposa Marcinha, e dos amigos. E os amigos rendem os capítulos mais divertidos, dando a leveza e a valentia necessária ao se falar de um tabu.

Um dia bem vivido, sem dores físicas importantes, em que você agiu com correção e que termina em paz é um dia plenamente feliz.

Há também a questão da adaptação nos Estados Unidos, que vai da língua aos itens do dia-a-dia, do que parecia breve e se tornou permanente. E como ele correu atrás para participar de um programa de pesquisa, indo de um médico a outro em uma corrida contra o tempo.

E talvez este seja o grande mérito, ao juntar nas mesmas páginas humor, ironia, tristeza, abandono, superação, dor e saudade, a vida realmente pulsa. Não houve conformismo, apenas vontade de viver e ser feliz. 

Atualização 27/05/2022: é com muita tristeza que incluo esta nota na resenha, para dizer que David Coimbra resolveu no dia de hoje contar as suas histórias em outro lugar. Fica a saudade para os seus leitores, que como eu, admiravam a sua inteligência, humor, ironia, força, suas dicas de filmes e séries, sua gentileza ao autografar um livro.

Hoje Eu Venci o Câncer
David Coimbra
L&PM
2018 – 204 páginas