Mostrando postagens com marcador Policial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Policial. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Cai o pano



Sinopse: Aceitando o convite de seu velho amigo, Capitão Hasting reencontra Hercule Poirot em Styles, a casa de campo onde os dois resolveram seu primeiro caso. No entanto, não foi apenas o lugar que mudou com os anos. Acometido pela artrite e abatido, Poirot já não é mais o mesmo. Quando o detetive belga anuncia que um dos aparentemente inofensivos convidados de Styles é um assassino, algumas pessoas ficam em dúvida. Será que os instintos dedutivos de Poirot finalmente o abandonaram? Cabe a notre ami descobrir a identidade de um dos seus mais desafiadores inimigos e provar que, embora o tempo tenha alterado as regras do jogo, suas células cinzentas e o coração de ouro de Hasting continuam os mesmos.

A grande dama do romance policial Agatha Christie encerra a carreira do detetive belga Hercule Poirot, um dos seus personagens ícones no livro Cai o Pano, que teve como tradutora a grande escritora brasileira Clarice Lispector.

Na história o Capitão Hasting atende um chamado do seu velho amigo, mas nada o havia preparado para encontrar Poirot em uma cadeira de rodas e extremamente limitado, tendo toda a sua movimentação física dependente de um auxiliar.


Quem nunca sentiu uma súbita pontada ao reviver uma velha experiência ou a sentir uma emoção antiga?


Mas ao contrário do que diz na sinopse da contracapa, a revelação de que há um assassino entre o pequeno grupo de convidados é revelado somente ao Capitão Hasting, que inicialmente dúvida da sanidade mental de Poirot, mas ao ouvir sobre cinco casos que estariam relacionado ao suspeito, ele passa a mudar de ideia.

Só que Poirot não irá lhe revela o nome do suspeito, ao qual chama de X, pois para que Hasting seja seus olhos e ouvidos de forma eficiente e sem correr riscos extremos, não pode revelar no seu rosto tão transparente a desconfiança sobre nenhuma pessoa.


Na minha opinião, nada é tão triste quanto à ruína pacientemente forjada pela idade.


A narrativa de Agatha Christie

Apesar de ser o livro de despedida de Hercule Poirot, toda a narrativa em primeira pessoa é feita pelo capitão Arthur Hasting, que relata os seus diálogos e próprias observações, só havendo a voz de Poirot através de uma carta.

Uma curiosidade que o escritor Raphael Montes relata na apresentação do livro é que a história foi escrita originalmente em 1940 devido ao medo que Agatha Christie sentiu de morrer durante a segunda guerra mundial e consequentemente deixar o seu personagem sem um desfecho, e assim o romance ficou trancado em um cofre até ser publicado em 1975, um ano antes do seu falecimento.


Porque um assassino, meu amigo, é mais vaidoso do que qualquer outra criatura do mundo.


Naturalmente a história foi revisada e atualizada, mas mesmo assim traz um retrato da sociedade da época, principalmente nas opiniões emitidas pelos personagens sobre o comportamento um dos outros.

Fechando assim um ciclo, já que o primeiro livro em que ele aparece é justamente O misterioso caso de Styles, cuja referência ao assassinato é citada diversas vezes no local que agora é um pequeno hotel.


Por que os piores tipos de homem são os que mais agradam e interessam às mulheres mais simpáticas é um problema acima do meu entendimento.


Os personagens

O hotel agora pertence ao casal Luttrell, ele um aposentado do exército que possuía excelente mira e era respeitado por seu batalhão, ela uma mulher de personalidade forte, que não raro lhe chama a atenção na frente dos outros, causando assim um constrangimento no ambiente.

Devido ao tamanho do hotel o grupo que ali se encontra é bem pequeno. Além de Hercule Poirot e Arthur Hasting, estão hospedados no local Judith, a filha independente de Hasting, cujo relacionamento com o pai não é muito afetuoso, e em cada conversa ela parece estar com as pedras na mão para contesta-lo.


O que é o mal? O que é bem? Essas concepções mudam de época em época.


Judith não está ali para fazer companhia ao pai, mas trabalhando como assistente de Franklin, um homem muito dedicado as suas pesquisas e que se sente preso a esposa Barbara, que se diz sempre doente para ser o centro das atenções e conta com o atendimento constante da enfermeira Craven, mas é sumariamente ignorada pelo marido.

Quem atende o seu desejo é o rico vizinho Boyd Carrington, um homem há muitos anos apaixonado por Barbara, cujo arrependimento é não a ter pedido em casamento quando teve chance e agora visita o hotel frequentemente para conversar com os hospedes e fazer companhia a ela.


Seu problema é a sua preguiça mental. Você gosta de jogar e adivinhar. Não gosta de usar a cabeça.


Completando o quadro estão Curtiss, o assistente temporário de Poirot, que liberou George para tratar de assuntos familiares. O admirador de pássaros Stephen Norton que flutua entre comentários inofensivos e sem noção, o mulherengo Allerton e Elisabeth Cole, uma mulher que mudou o seu sobrenome para se afastar da sombra negra que paira sob a sua família.

O que eu achei...

Um livro que combina perfeitamente com o verão que está chegando, e não por oferecer sombra e água fresca, mas por ser leve e instigante. Conforme os capítulos vão passando, eu me pegava junto com o Capitão Hasting tentando adivinhar quem daquelas pessoas poderia ser o suspeito X.

E quando o primeiro assassinato ocorre, e isso não é um spoiler quando estamos falando de um romance policial de Agatha Christie, eu continuava sem ter certeza de nada, pois todos podiam ter um motivo, e assim eu ficava trocando de suspeito página a página.


Um homem que já matou uma vez matará outra e outra e outra e outra.


Eu que não lia nada da autora desde a adolescência, adorei este mimo que veio da renovação da minha assinatura da TAG, pois havia esquecido de como Agatha Christie consegue nos confundir.

E assim deixo a dica dessa leve despedida que te provoca a desvendar e se surpreender com os acontecimentos, na envolvente escrita da rainha dos policiais.


Cai o Pano
Curtain
Agatha Christie
Tradução: Clarice Lispector
TAG - Harper Collins
1975 - 223 páginas

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Em Fogo Lento


Sinopse: Quando um jovem é encontrado brutalmente assassinado em seu barco em Londres, questões são levantadas a respeito de três mulheres que o conheciam. Uma jovem problemática, uma vizinha bisbilhoteira, uma tia enlutada: quando se trata de vingança, até pessoas boas são capazes de cometer atos terríveis. Por quanto tempo os segredos podem queimar em fogo lento até explodir em chamas incontroláveis?

No mês de setembro eu recebi pela minha assinatura da TAG Inéditos o novo livro da autora britânica Paula Hawkins chamado Em Fogo Lento. O mimo foi um chaveiro de madeira em forma de pássaro.

Foi a curiosidade que levou Miriam até o barco de Daniel sob a justificativa que o tempo para ele ficar atracado naquela área já havia expirado. O que ela não contava era que o dono estivesse esfaqueado, o que o leitor não entende é porque além de chamar a polícia ela resolve guardar um dos objetos que estavam na cena do crime.


Ela está em agonia, mas a dor perdeu a importância, eclipsada por outros sofrimentos.


A primeira suspeita é Laura, uma jovem que havia passado a noite com Daniel e já possui ficha na polícia. Quando menina ela era tinha uma inteligência considerada acima da média, mas um acidente muda todo o curso do seu caminho futuro, e hoje ela tem dificuldade para conter suas emoções, podendo agir com violência conforme a forma como é tratada.

Carla é a tia e a última parente que restou de Daniel para ser avisada, após a sua irmã Angela, que era também a mãe de seu sobrinho, ter morrido oito semanas atrás em um acidente doméstico. Seus encontros com o sobrinho eram escondidos do ex-marido e escritor de sucesso Theo, devido a um acontecimento passado que mudou suas vidas.


O que na real, é mentira, porque não aconteceu nada e, de qualquer jeito, foi ele quem começou.


Além delas temos Irene, a vizinha de Angela já idosa, ela conta com o suporte de Laura para compras básicas, e observando tudo de sua casa, ela, assim como o leitor, tenta juntar as peças com base no que vê e nos próprios instintos.

Para os policiais, cujas presenças são bem pontuais, resta descobrir provas que liguem a vítima a suspeita mais óbvia, mas conforme os personagens têm o seu passado desvendado, nada é tão claro como parecia ser.


Já sei o que você vai dizer. Não foi culpa sua. Nunca é culpa sua. Talvez não seja.


Eu já havia lido A Garota no Trem da Paula Hawkins, que também gira em torno de três mulheres, e também trabalha muito mais o psicológico de seus personagens do que o crime em si. Algo facilmente identificado no livro Em Fogo Lento, onde mais do que saber quem matou Daniel, eu queria entender o que havia acontecido com cada um dos envolvidos, que escolhas o haviam levado até aquele momento.

Utilizando a narrativa em terceira pessoa, Paula Hawkins apresenta Em Fogo Lento além da narrativa principal, trechos do livro de Theo, chamado Aquela que escapou, que sim, tem relação com a história e comportamento de alguns dos personagens. A escrita fluída torna a leitura bastante fácil, e conforme os pontos chaves vão surgindo, a vontade de virar mais uma página não me abandonava.


Algumas pessoas olhavam para ela e fingiam que ela não existia, outras olhavam para ela e achavam que podiam pegar o que quisessem, imaginando que ela fosse fraca e que não faria nada a respeito.


Eu gosto bastante da escrita da autora, de como ela faz a vida dos personagens se cruzarem, de usar o psicológico para mostrar que todos tem algo de bom e de ruim, não sendo perfeitos como os próprios leitores.

Neste tipo de leitura normalmente eu faço ainda no início as minhas conexões, aos quais vou confirmando ao longo da história, e modéstia parte, eu fui bem nas minhas deduções Em Fogo Lento. 


Quando foi que eu disse que você podia encostar a mão em mim?


Entre os personagens, confesso que Irene ganhou um carinho especial da minha parte, pois ela lembrou muito uma vizinha minha, a Dona Nésia, que era bem curiosa e estava sempre de olho em tudo, aliás, graças a ela um assaltante foi afugentado do nosso pátio uma vez.

Voltando ao livro, não posso deixar de falar das personagens Laura e Miriam, que pareciam gritar por ajuda, o trauma das duas mulheres são realmente devastadores, e no caso de Laura tem o agravante de ter uma família totalmente afastada, que simplesmente abandonou a jovem, como se as sequelas do acidente a desqualificassem para qualquer afeto. 


Ela sempre reagia exageradamente ao ser esnobada; era assim que ela era, e ter consciência de algo sobre si mesma não impedia que esse algo acontecesse.


Fechando os personagens, o casal Carla e Theo apertaram o coração. Apesar de separados pela pior circunstância da vida, o amor e o carinho que um tem pelo outro é imenso, assim como os segredos que eles escondem um do outro para que não se machuquem mais.

E por se tratar de pessoas com muitas perdas, não raro eu ficava pensando se iria surgir um outro elemento para assumir a culpa, ao mesmo tempo que me recordava que algumas pessoas em situações extremas não aguentam a pressão e acabam utilizando da violência para encerrar os focos de seus tormentos.


Ainda não havia formulado a verdadeira pergunta; não tinha se permitido fazer isso.


Ficando a dica para quem gosta de um bom suspense, se empolga com o psicológico dos personagens, curte montar um quebra-cabeça ou brincar de detetive. O único risco é olhar para o título e ficar com a música fuego lento na cabeça.


Em Fogo Lento
A Slow Fire Burning
Paula Hawkins
Tradução Flavia de Lavor
TAG Inéditos - Record
2021 - 320 páginas

Ficou interessado em assinar a TAG? Indique o meu código de amigo ANDJ8CMF e ganhe 30% de desconto na primeira caixinha e eu o mimo do mês.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A Promessa e A Pane



Sinopse: A promessa, primeiro título deste livro, é uma obra engenhosa, filosófica e paradoxal, que satiriza e reverencia o gênero policial de forma simultânea. Já a novela A pane revela o brilhantismo de Friedrich Dürrenmatt em elaborar debates teóricos ao mesmo tempo que presenteia o leitor com uma história tão cômica quanto original. Em ambas as obras, saltam aos olhos alguns dos temas que tornaram Dürrenmatt um dos maiores escritores suíços do século XX: a justiça, o dever moral, a responsabilidade e a absurda força do acaso.

Na edição de agosto a TAG uniu um romance e um conto do suíço Friedrich Durrenmatt. Em ambos o autor mexe com a imaginação do leitor, fazendo o mesmo idealizar diferentes caminhos para as histórias até ser impactado com o seu final.

No romance A Promessa temos um escritor do gênero policial sem nome que termina a sua palestra para um público não exatamente animado, pois na mesma cidade havia outra com Emil Staiger sobre o Goethe tardio. No hotel ele encontra o doutor H., um ex-comandante de polícia do cantão de Zurique que lhe oferece carona e ele aceita.

O silêncio no hotel era inumano; dormir, nem pensar, pois logo surgia o medo de nunca mais acordar.

No caminho doutor H. indaga a inverosimilhança das histórias policiais, onde tudo é organizado para que o detetive principal encontre a solução nas páginas finais. O que dificultaria a vida real dos policiais, já que as pistas dos crimes nem sempre possuem obviedade.

Para demonstrar como está certo, ele para em um posto de gasolina, onde o homem que está na bomba demonstra sinais de estar fora da realidade. Saindo do local se descobre que ele se chama Matthäi e era um tenente sênior que estava prestes a ir para a Jordânia no auge de sua carreira quando uma ligação mudou a sua vida.

Não tinha um bom pressentimento sobre aquele caso; de alguma forma, tudo tinha dado errado; eu só não sabia como, apenas sentia.

Uma garotinha assassinada, uma promessa feita sem querer aos pais da criança, a certeza de que o acusado não era o culpado o levam a abandonar tudo e partir para uma investigação própria. Descobrir o verdadeiro assassino vira a sua obsessão.

E neste momento o leitor passa páginas e páginas em dúvida sobre o que ocorreu, torcendo e se horrorizando, visto que é sabido o seu estado atual. Em um romance tipicamente policial um final feliz é quase certo para o seu detetive. Mas na obra de Friedrich ficamos na mão de uma suposta realidade.

Pois o que o assassino não ousa fazer com mulheres ele faz com meninas.

Já em A Pane temos o representante comercial Alfredo Traps que se vê com problemas no carro e a previsão de conserto somente para o outro dia. Ele possuí duas opções: pegar um trem e em 30 minutos estar junto à família, ou dormir na pequena cidade.

Ao optar pela segunda opção, Traps se depara com outro problema: todos os hotéis estão ocupados devido a um evento. Sua única solução é pedir abrigo em uma mansão onde vive um juiz aposentado. E neste momento você não sabe mais se está em uma história de comédia, terror ou reflexão da personalidade humana.

Existem, ainda, histórias possíveis, histórias para escritores?

Graças ao juiz e seus amigos aposentados somos apresentados à tertúlia, um tribunal com juiz, promotor, defensor e carrasco, onde o interrogatório é feito com boa comida e muitos vinhos de qualidade e o veredito final só é dado após a sobremesa.

Entre uma taça e outra a inocência irá se perder, e entre risadas e queijos, Traps irá analisar seus atos de outra forma. Deixando ele e o leitor em dúvida sobre o seu papel em várias situações da vida. O engraçado é que justamente por ele ser comumente malandro, o leitor pode ficar preocupado cada vez que ele abre a boca e dá argumentos ao promotor.

Nosso jogo é um tanto singular, talvez. Passamos a noite encenando nossas velhas profissões.

De presente está a primeira parte em A Pane, onde o autor começa questionando se ainda há historias possíveis para escritores, o que ele pode ou não produzir. A quem ele deve atender. Uma reflexão sobre a escrita e sobre a nossa sociedade.

Duas histórias muito bem escritas, que não apenas distraem, mas trazem as mais diversas reflexões.

A Promessa / A Pane
Das Versprechen / Die Panne
Friedrich Durrenmatt
Tradução Petê Rissatti e Marcelo Rondinelli
TAG - Editora Liberdade
1986 - 220 páginas

domingo, 28 de agosto de 2016

Retrato Mortal - Série Mortal


No 16º livro da série Mortal o tema é Maternidade. Desta vez os assassinatos são o plano de fundo para uma noticia surpreendente: Roarke descobre quem era a sua verdadeira mãe, e o irlandês mais charmoso do mundo da literatura fica desnorteado.

Desta vez é Eve que precisa se dividir entre pessoal e profissional. Na rua jovens com carreiras brilhantes pela frente são mortos e fotografados por um psicopata que faz questão de enviar as fotos para Nadine do canal de televisão. Em casa, Eve tem o irritante mordomo com a perna quebrada e Roarke isolado em uma sala.

Nora Roberts (que assina esta série como J.D. RoBB, mas os dois nomes aparecem na capa) a cada novo volume se aprofunda no passado do casal principal. E curiosamente os assassinatos passaram a ter relação também. Uma dica nos últimos lançados, já que nos primeiros volumes era possível identificar o assassino de primeira.

O interessante de Retrato Mortal é que a história ficou a maior parte do tempo meio perdida, morna, como um retrato de Eve sem saber o que fazer para ajudar Roarke. E a teoria de uma câmara fotográfica capturar a alma parece forçada em 2016, imagina em 2059.

Para quem nunca leu nenhum livro da série, um aviso: o maior mistério aqui não são os assassinatos, mas o passado a ser desvendado de Eve e Roarke para eles se livrarem de sombras e dúvidas que estão sempre a perseguir. 

Aos que estão lendo a série, imagino que neste “episódio” deve ter ficado a curiosidade se nos próximos volumes Eve venha a ser a próxima mãe, ou irá se contentar em ser a tia do bebê de Mavis.

Retrato Mortal
Série Mortal
Nora Roberts - J.D. RoBB
Tradução Renato Motta
Bertrand Brasil
2003 – 448 páginas

Estamos no Face compartilhando resenhas, livros com leitura em andamento, promoções e noticias. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Pureza Mortal

Pense agora nas últimas notícias envolvendo a condenação de assassinos, estupradores, pedófilos, aliciadores e traficantes no Brasil. 

Imagine agora que pais, filhos, viúvos, irmãos fossem convidados a formarem um grupo para fazer o papel que deveria ser da justiça.

Existe alguma dúvida sobre o apoio da população?

Pois é esse cenário que a tenente Eve Dallas encontra na NYC de 2059. Tudo começa com um traficante que enlouquece com uma dor de cabeça, mata um dos seus vizinhos e fere um policial. Na tela do seu computador o aviso de que a pureza havia sido completada.

No departamento de eletrônica, ao tentar descobrir o que há na máquina, outro policial passa a ter os mesmos sintomas do traficante, torna-se violento e acaba morrendo na frente dos colegas.

Após resultado da biópsia uma conclusão, um vírus de computador que atinge o usuário. Enquanto caça os culpados, Eve se vê empilhando cadáveres, tentando buscar justiça para quem não merece.

Política, ética e poder se misturam nesta empolgante história, mostrando a evolução dos personagens e da própria escritora. Confesso que quando mais leio mais fã fico da série. E muitas vezes me pego pensando que a HBO poderia transformar a história de Eve Dallas em um seriado.

Pureza Mortal
Purity in Death
Nora Roberts escrevendo como J.D> RoBB
Bertrand Brasil
Tradução Renato Motta
2002 - 432 páginas

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Reencontro Mortal

No décimo quarto livro da série as mulheres estão em foco. Amor, ódio, amizade, rancor, família e vingança se misturam em dois casos que irão mexer com as personagens.

Começando pela tenente Eve Dallas que terá um encontro duplo com o passado através da figura de Julianna Dunne, uma mulher vaidosa e fria, que usou um falso estupro para aliviar a pena por ter assassinado seus maridos, homens velhos e ricos. Solta, ela vai atrás da única mulher pertencente ao grupo que a prendeu.

Para coloca-la novamente atrás das grades, sem dar chance de a justiça falhar novamente, a tenente precisa investigar o passado da assassina, que tem o seu início na cidade de Dallas, local onde Eve foi encontrada ainda criança.

Em Nova York, Peabody junta às peças de um antigo caso, no melhor estilo Cold Case, onde uma mulher apaixonada pelo marido é morta por um amante misterioso, cujo único sinal de vida são as cartas encontradas na gaveta de roupas íntimas da vítima.

Se por um lado este livro retorna para o lugar comum de Roarke ser o foco do antagonista de Eve, por outro momentos reveladores surgem com a viagem de Dallas (possibilitando assim um acerto de contas com a sua origem) e chegada dos pais de Peabody. Tornando o livro mais pesado que os anteriores devido à carga emocional.

Na parte romântica, Eve e Roarke completam o seu primeiro ano de casados sem perder a paixão, com uma Eve mais solta em revelar os seus sentimentos.

Uma curiosidade: a assassina do livro muda diversas vezes de nome, mas sempre mantendo as iniciais do verdadeiro, que nada mais é do que o pseudônimo da autora Nora Roberts para a série.

Reencontro Mortal
Nora Robert – J.D. Robb
Tradução Renato Motta

Editora Bertrand Brasil

quinta-feira, 27 de março de 2014

Sedução Mortal


Kevin e Lucias são jovens, bonitos, ricos e estão entediados. Para quebrar a monotonia resolvem fazer um jogo, onde usando o nome de poetas encantam mulheres em comunidades do mundo virtual.

O objetivo é um encontro face a face, com os rapazes disfarçados usando de drogas ilegais para levarem jovens moças para a cama. Mas logo no primeiro encontro a combinação se mostra mortal, e o que inicialmente gerou pânico acaba sendo uma adrenalina a mais para os dois assassinos com direito a bonificação extra.

No décimo terceiro volume da Série Mortal, Eve Dallas precisa montar rapidamente o quebra-cabeça e encontrar os assassinos antes que mais uma jovem caia na armadilha. Com a ajuda da sua equipe e de Roarke, eles vão derrubando as barreiras para chegarem aos dois meninos mimados, enquanto lembranças do passado voltam a atormentá-la.

Misturando a tensão da caça aos frios assassinos com momentos engraçados, Eve doente acaba dependendo do seu mordomo para ter um pouco mais de energia. Ao mesmo tempo em que acaba possibilitando um romance inesperado para uma de suas fontes.

Sedução Mortal é ágil e tenso. A frieza do personagem Lucias mostra o crescimento da maturidade da escritora Nora Roberts no gênero policial. Suas páginas são devoradas rapidamente e para as suas seguidoras, Roarke continua sendo o grande sonho de consumo do mundo literário.

Série Mortal – Sedução Mortal
Seduction in death
Nora Roberts escrevendo como J.D. Robb
Tradução: Renato Motta
Bertrand Brasil

2001 – 434 páginas

sexta-feira, 7 de março de 2014

Sobre meninos e lobos


Quem nunca se pegou perguntando: E se eu...

No caso de Sean e Jimmy, o que teria acontecido se eles tivessem entrado no carro?

No caso de Dave, se ele não entrasse.

1975... os meninos brigam no meio da rua. Um carro com cheiro de maça para com dois homens. Eles abordam os meninos que se dizendo da polícia e levam Dave com eles.

Dave passa dias desaparecido, mas ele escapa e é recebido com festa. Todos sabem o que aconteceu com ele, mas ele prefere se manter calado. Aguenta as provocações e violências na escola, mas quando adulto consegue formar uma família.

O acontecimento também atinge os outros dois meninos. Sean vira policial e Jimmy criminoso.

25 anos depois. Katie, filha do agora regenerado Jimmy, planeja fugir com o namorado. Antes de se casar, sai com as amigas para uma despedida de solteira. Na volta para casa, encontra a morte.

Este acontecimento irá ligar o caminho dos três novamente. Enquanto Sean tenta descobrir o assassino, Dave vive conflitos internos, e por mais que ele tente se esconder, os lobos continuam a persegui-lo, ameaçando torna-lo um. Jimmy lamenta a morte da filha e acaba revendo novamente os seus conceitos.

Sobre Meninos e Lobos é um livro instigante. A violência, a inveja e o resultado das ações do passado levam o leitor a sentir diversas reações. Assistir tudo sem poder ajudar e apenas esperar as consequências.

A escrita de Dennis Lehane é semelhante a uma montanha russa. Mistura momentos de tensão com a calma absoluta. Se em um momento sofremos com os personagens, em outros vivemos momentos felizes. Os pontos de interrogação vão sendo substituídos pelos de exclamação no decorrer das páginas. O mistério maior não é o crime, mas os três homens que se reencontram por causa dele.

Leitura mais do que recomendada para quem gosta de um bom suspense. E para quem gosta da dobradinha livro e cinema, ele virou filme em 2003 pelas mãos de Clint Eastwood. Eu não assisti a versão cinematográfica, mas o elenco composto por Sean Penn, Kevin bacon e Tim Robbins me despertaram a curiosidade.

Sobre Meninos e Lobos
Mystic River
Dennis Lehane
Tradução: Luciano Vieira Machado
Companhia das Letras

2001 – 338 páginas

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Millennium 3 – A Rainha do Castelo de Ar



Foi com dor no coração que cheguei ao final do terceiro e último volume desta trilogia. O passado de Salander é revelado, demonstrando a quantidade de injustiças sofridas por ela. Para evitar uma nova internação da sua amiga, Mikael Blomkvist dá continuidade a sua investigação, enfrentando um inimigo perigoso, denominado A Seção. Uma equipe secreta até para o serviço de inteligência da Suécia. 

Entre invasão de computadores e casas, roubos e assassinatos, mentiras e acertos de contas, as mais de seiscentas páginas do livro voam. Conforme segredos são revelados, as peças do quebra-cabeça são encaixadas com extrema coerência, levada até o último ponto final. 

Aliás, uma grande perda foi a morte do autor Stieg Larsson, que colocou algumas de suas características no personagem principal Mikael. Sua escrita é formidável, prende o leitor. A cada capítulo você tem necessidade de mais, e quando termina, fica aquela saudade. 

Saudades da Salander, da revista Millennium, de personagens que ousam enxergar além, que não se prendem a discriminação, nem acreditam em cenas montadas, um cenário de ficção que muitas vezes lembra a nossa realidade. 

Não existe um livro melhor que o outro, eles se completam, o que aumenta é a agonia, uma ânsia para saber o depois. A trilogia está completa, é possível ler sem medo, para quem gosta do gênero policial é perfeito. Para quem ama ler imperdível.  

A Rainha do Castelo de Ar 
Millennium 3 Stieg Larsson
Tradução Dorothée de Bruchard 
Companhia das Letras 
2007 - 685 páginas

domingo, 14 de abril de 2013

A Menina que Brincava com Fogo





Primeiro aviso para quem começou a ler essa resenha: se você ainda não embarcou nesta história, leia a resenha do primeiro livro aqui e o próprio antes de ver a opinião do segundo, para não se deparar com spoiler.

A Menina que Brincava com Fogo começa dois anos depois da aventura de Mikael e Lisbeth. Mikael está diante de um novo livro polêmico, escrito pelo jovem Dag Svensson, cuja base é a tese de doutorado da sua namorada Mia. Uma bomba que lista o nome de juízes, policiais, jornalistas e outros criminosos envolvidos com crimes sexuais envolvendo menores que são estupradas e às vezes, assassinadas.

Lisbeth ainda não perdoou o fato de Mikael viver tendo casos com várias mulheres, embora ele nem imagine que ela o veja como algo mais do que um amigo. Apesar de evitar o seu encontro (mas continue a monitorar o seu computador), seu visual, assim como a sua conta bancária, não é mais o mesmo, silicones aparecem no lugar de tatuagens. Uma nova mulher está prestes a começar a aparecer, quando o nome Zala muda tudo.

No segundo volume da trilogia Millenium, Stieg Larsson nos faz passar boa parte do livro procurando por Lisbeth e outra desvendando sua história, quando todo o mal é finalmente revelado aos que estão presos as páginas deste livro. Acusada de triplo homicídio, deixa o leitor com a pulga atrás da orelha enquanto o seu passado passa a ser revirado, deixando-o tão perdido e preocupado quanto o Super-Blomkvist, e cabe a nós decidirmos se estamos ao lado de seus poucos amigos ou se caímos em uma rede de desconfiança.

Colocada na berlinda por desafetos, sua imagem é ainda mais deturpada pela imprensa. Mas o que realmente vai machucar Salander é ver pessoas que ela gosta serem machucadas pelo que julga sua culpa, o que a faz alternar entre caça e caçadora.

Se no primeiro livro Mikael estava na berlinda, agora descobrimos que Lisbeth é muito mais do que uma hacker maluca, e sim um perigo a segurança nacional. Alguém com mãe e irmã. Que desde cedo aprendeu a odiar os homens que não amam as mulheres. Uma mulher baixinha e franzina que sabe se defender como poucos.

Uma história envolvente, ainda melhor do que a primeira, que faz o leitor fechar a última página ansioso pela primeira do próximo volume.

A Menina Que Brincava com Fogo - Millennium 2
Stieg Larsson
Tradução: Dorothée de Bruchard
Companhia das Letras
2006 -607 páginas

domingo, 9 de dezembro de 2012

Os Crimes do Mosaico

O leitor está em Florença. O ano é 1300. A cidade é comandada por um grupo de priores. Mas quando ocorre um assassinato brutal em uma obra, a guarda principal opta me chamar um deles pelo seu conhecimento: o poeta Dante Alighieri.
A vítima é um mosaicista chamado Ambrogio, conhecido por diversos trabalhos. Morto em seu local de trabalho, com seus próprios materiais, tudo leva a crer que o motivo é o seu trabalho atual, um estranho mosaico inacabado.
Essa é a cena inicial do thriller de Giulio Leoni, que ao transformar Dante em um detetive, leva o leitor pelas ruas de Florença em busca da chave para desvendar esse grande mistério, que envolve um grupo de homens de diferentes áreas dispostos a criarem uma universidade da cidade, uma dançarina que transpira sexualidade e segredo, levando o poeta a esquecer por alguns momentos sua Beatrice, além de grandes debates sobre o mundo e Deus.
Em paralelo, homens do papa Bonifácio chegam a Florença com a intenção de domina-la, fazendo com que Dante precise dividir os seus pensamentos entre a busca pelo assassino e evitar que homens em busca do poder absoluto tomem a sua cidade.
Na história Dante é grosseiro, amargurado e endividado. O seu saber muitas vezes o faz humilhar aqueles que julga ignorante, como o chefe da guarda. Como não conheço o suficiente da história do poeta e político, apenas que ele realmente enfrentou o papa Bonifácio e por isso acabou exilado, morrendo sem nunca mais pisar em sua amada cidade, ficou a dúvida se esse era o perfil real ou apenas uma pitada para tornar o personagem da ficção mais interessante.
Os Crimes do Mosaico é um livro bem escrito, que pode levar o leitor a pensar sobre diversos aspectos e ao mesmo tempo leva-lo a conhecer um pouco da antiga Florença. Mas ao mesmo tempo ele não me prendeu. Gostei da história, mas não fiquei com aquela vontade de ler novamente ou curiosa por outro livro do escritor. Não sei se foi o período escolhido pela leitura, mas o fato é que me despeço da última página sem dor.

Os Crimes do Mosaico
Giulio Leoni
Tradução Gian Bruno Grosso
Editora Planeta
2004 – 379 páginas

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Traição Mortal


Dizem que na guerra e no amor vale tudo. No caso do décimo segundo livro da série mortal, homens que operam com negócios ilegais resolvem optar em contratar um assassino de aluguel conhecido como Sly Yost para eliminar os que atravancam o seu caminho.

Yost possui uma assinatura nas suas mortes: espancamento, estupro e um fio de prata, independente do sexo. Procurado por muitos, inclusive pelo FBI, resolve atacar os funcionários de Roarke, o que faz com que ele caia na mira da tenente Eve Dallas.

Nesta história Eve irá encontrar dois inimigos, o tempo, já que o assassino possui um cronograma curto para suas execuções e a inveja, já que em uma semana ela evolui mais do que os órgãos federais e internacionais, e muitos agentes irão querer levar a glória de capturar um dos homens mais procurados.

Para dar um toque de leveza, os ataques de ciúmes e McNab e Peabody geram situações engraçadas, assim como a terrível esteticista Trina, a única mulher capaz de provocar medo em Eve.

Em cena, um amigo antigo de Roarke, Mick, que irá revelar um pouco das peripécias dos dois em um passado não tão distante.

Amizade e dinheiro estão no centro dessa história sangrenta, onde os detalhes de cada morte podem provocar arrepios até no leitor mais desatento.

Traição Mortal
Nora Roberts
Tradução: Renato Motta
Bertrand Brasil
420 páginas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Julgamento Mortal


Um policial disfarçado, uma boate de strip-tease, um distintivo banhado de sangue. Um assassino solitário decidido a fazer justiça, eliminando aqueles que não cumprem o seu papel. E mais uma vez a tenente Eve Dallas se vê entre o pessoal e o profissional.

No décimo primeiro livro da série mortal, Nora Roberts coloca a sua personagem em frente a uma rede de corrupção, onde vários policiais foram comprados por um bandido poderoso, que por coincidência, foi sócio no passado em negócios não muito honestos de Roarke, o marido tudo de bom de Eve.

Este é responsável pelo conflito interno de Dallas, que ao tentar esconder uma informação de Roarke, acaba enfrentando uma briga em casa relacionada à confiança e proteção, e a questão sobre ser válido ou não mentir por amor?

As cenas calientes estão reduzidas, em compensação o contato de Eve com Ricker faz com que mais uma cena do seu passado seja revelada, em um quebra-cabeça que está longe de começar.

Personagens como Mavis e Peabody aparecem menos, e ao contrário do aviso da contracapa, este é um dos poucos livres da série cujo leitor consegue ler independente dos demais, pois é o que menos possui referencia a episódios anteriores.

Leitura obrigatória para os viciados nesta série policial. Para quem ainda não conhece, aconselho começar por Nudez Mortal, livro que nos apresenta ao casal protagonista.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Pousada do Fim do Rio



Não sei por que achei que a história tratava-se de um romance. Então foi com surpresa que me deparei com Olivia, uma menina de quatro anos, que ao entrar na sala de sua casa se depara com a mãe assassinada e o pai com uma tesoura ensanguentada nas mãos.

Para agravar o caso, os pais de Olivia não eram um casal comum de pessoas desconhecidas e sim dois atores famosos de Hollywood, o que gerou uma redoma de vidro sob a menina após o brutal acontecimento.

Passados vinte anos, fama, drogas, inveja e paixão voltam a se misturar quebrando a barreira de proteção da agora mulher Olivia e trazendo a tona antigos medos quando o escritor Noah Brady, filho do policial que atendeu a ocorrência, é chamado pelo pai de Olivia para escrever a sua história as vésperas de sair da prisão. A justificativa: está com uma doença terminal e quer dar a sua versão dos fatos.

Nora Roberts e o seu A Pousada do Fim do Rio (Editora Bertrand Brasil, 532 páginas) me conquistaram logo no início, onde por mais certo e óbvio que as coisas pareçam, um ponto de interrogação é aberto. Seus personagens são envolvidos a cada novo passo junto com o leitor. O monstro que aterroriza Olivia nos sonhos volta a ser real, e o frio na barriga pode ser dividido entre todos.

Só me senti decepcionada com o final, pois todo o cuidado que se teve com todos os detalhes e personagens durante a história se tornam inexistente em um desfecho rápido demais para quem já se sente habitante da pousada.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Os homens que não amavam as mulheres

O primeiro livro da trilogia Millennium aprisiona o leitor em suas páginas, fazendo com que as suas emoções, expectativas e surpresas agucem ainda mais a sua curiosidade.

Misturando corrupção (política e jornalística), sexo, violência contra a mulher e o tratamento do estado para com as pessoas consideradas doentes mentais, o que já tinha tudo para ser um best-seller ganha de bônus uma ótima escrita usada por Stieg Larsson para contar sua história.

Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander são os personagens bases, o primeiro é um jornalista encurralado após ser sentenciado por difamar, na revista ao qual é sócio, um importante financista. Salander é uma jovem controlada pelo estado por ser considerada incapaz de controlar a própria vida, trabalhando numa empresa de investigação, ela é contratada por Henrik Vanger para investigar o jornalista Mikael.

Enquanto Mikael vê sua vida mudar para atender um pedido de Vanger e iniciar uma nova investigação para descobrir quem matou sua sobrinha desaparecida, Lisbeth provoca calafrios no leitor ao ver o tipo de tutor que passa a controlar as finanças da personagem.

Ao mesmo tempo, fica a expectativa de quando e como duas criaturas tão diferentes irão se cruzar. Naturalmente o destino denominado Larsson irá reuni-los e a visão de mundo desses dois nunca mais será a mesma.

Vale observar uma pequena brincadeira feita pelo autor durante a história, deixando sua marca, e o comportamento vaidoso de Lisbeth, ao qual todas leitoras irão entender.

Os homens que não amavam as mulheres é mais do que recomendado, com um enredo que justifica os milhares de exemplares vendidos.

Para quem não leu e ainda está pensando, sugiro uma análise das consequências em se perder uma história surpreendente.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Anjos e Demônios



Robert Langdon, o professor de simbologia de Harvard que decifrou o Código Da Vince, vive sua primeira aventura um ano antes, em Anjos e Demônios (Dan Brown, 2004, Sextante Editora, 464 p.). A trama começa com o roubo de uma tecnologia, a antimatéria, e a morte de um importante cientista de um dos maiores centros de pesquisa científica do mundo, o CERN. Ele é encontrado sem vida e marcado a fogo com um misterioso símbolo que se podia ler corretamente mesmo de cabeça para baixo. O ambigrama passa a ser a única pista que pode levar ao assassino. E isto precisa ser feito rápido, antes que se acabe a bateria que mantém a antimatéria estável, o que provocaria uma explosão sem precedentes. O símbolo leva Langdon até o Vaticano na véspera do conclave que escolherá o novo papa.

Acompanhado da filha do cientista assassinado e responsável pela tecnologia da antimatéria, Vittoria Vetra, o simbologista acaba por ter de desvendar o Caminho da Iluminação. Um antigo caminho que levava até o esconderijo da fraternidade dos Illuminati, um grupo de pessoas que há cerca de 400 anos, defendia a ciência e, em uma época que tudo era explicado pela religião, desejava a destruição da Igreja Católica. Ao longo deste trajeto eles precisam tentar salvar os Preferiti - os quatro Cardeais favoritos a sucessão do Papa.

Assim como em suas outras obras, Dan Brown consegue prender o leitor do início ao fim com uma narrativa cheia de conspirações, informações sobre religião, ciência e história da arte. E apesar de confundir o leitor quanto ao que é verdade e o que é ficção, ele sabe do que está falando. Ao menos ao citar as obras de arte que aparecem aos montes e nunca de forma monótona. Brown estudou História da Arte na Universidade de Sevilha, Espanha. Quanto a famosa briga entre ciência e religião, ele leva para a obra a antimatéria como forma de questionar a existência de um Deus. Para quem não lembra, os experimentos com a antimatéria existem de verdade e tentam recriar, através da colisão de partículas subatômicas a origem do universo (o Big-Bang). Curiosamente, o CERN conseguiu, em novembro passado, capturar pela primeira vez a antimatéria, mesmo que por menos de um segundo. 

Com personagens marcantes e argumentos de sobra sobre religião e ciência, o autor cria uma imparcialidade de opinião que se reflete muito bem no protagonista da narrativa, já que Langdon, apesar de cético, se interessa muito pelos mistérios da religião. Para criar os opostos, Dan Brown deu vida ao camerlengo Ventresca e ao cientista Kohler. Cada um apresenta razões para se crer em algo. Deus ou a ciência? Ou, quem sabe, os dois juntos.

Para quem viu o filme, o livro em muito se difere e não apenas em espaço para desenrolar a narrativa, já que o filme precisa ser mais sucinto. No filme, personagens deixam de existir ou possuem outros nomes. Tudo, claro, mantendo a essência da narrativa e, por vezes, transformando-a em algo mais perto da realidade. Apesar de a história do livro ser muito verossímil, algumas coisas seriam desacreditadas nas telas do cinema. Como certo salto de helicóptero. Leia o livro, veja o filme. Depois, diga se é verdade a afirmativa: embora sendo artes completamente diferentes, o livro te leva a questionamentos, sorrisos e expectativas que nenhum filme (mesmo com o Tom Hanks) pode superar.

domingo, 29 de março de 2009

O Ladrão de Arte


Sinopse: Roma na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma magnífica pintura de Caravaggio desaparece sem deixar pistas. Paris na câmara de segurança do porão da Sociedade Malevitch, a curadora Geneviève Delacloche é surpreendida com o desaparecimento do maior tesouro da instituição: Branco sobre Branco, a famosa obra do russo Kasimir Malevitch. Londres roubada a mais recente aquisição da National Gallery of Modern Art.

Adquiri O ladrão de arte por acaso, peguei na prateleira, li o seu resumo e achei interessante, já que o livro se tratava do roubo de artes escrito por um estudioso da área. 

Muitos anos antes havia lido “Se houver amanhã” de Sidney Sheldon, que possuía uma temática parecida, cuja heroína era uma ladra, tornando impossível não me questionar: como seria essa história nas mãos de um profissional, como Noah Charney? Mas o livro de estreia de Charney é superficial. 

Era quase como se ela estivesse esperando, ali parada, naquela escuridão artificial.

O autor apresenta diversos personagens conforme os roubos vão acontecendo, sem entrar em maiores detalhes. Algumas vezes, eles parecem estar dando aula sobre a história da arte (parte mais interessante na minha humilde opinião) e os porquês da indiferença das pessoas ao ser noticiado o roubo de um quadro ou escultura. 

O preço de venda nada tem a ver com o fato de a obra de arte ser boa ou não. Tem a ver com quanto as pessoas dispõem a pagar por aquilo em determinado momento.

Existe a tentativa de envolver o leitor em uma teia em que roubos tão diferentes parecem estar relacionados, mas em alguns capítulos O ladrão de artes chega ser chato, e mesmo sendo um livro investigativo, não me instigou a virar as páginas furiosamente para saciar qualquer curiosidade. 

Até onde sei, é uma obra anônima, pintada lá por 1920, na Rússia, no estilo suprematista.

Nem me fez ficar pensando na história, após ter finalizado a leitura e ido dormir. A soma de tudo faz o grande final passar desapercebido, pois em nenhum momento se criou intimidade suficiente com a história para separar os que investigam e os suspeitos. É um exemplo de livro policial em que a ideia é muito boa, mas que falta algo para torna-lo mais profundo e instigante.

Isso significa que o quadro pode não ter sido roubado por encomenda, e isso torna meu trabalho bem mais difícil.

Mas para quem curte arte ou viajar por diferentes cidades através da leitura, a história pode despertar o interesse por outro viés, podendo fazer valer a leitura. 

O Ladrão de Arte
The Art Thief
Noah Charney
Tradução: Cláudio Figueiredo
intrínseca
2007 - 314 páginas