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terça-feira, 2 de maio de 2023

Escritores & Amantes



Sinopse: Casey Peabody chega a Massachusetts surpreendida pela morte repentina da mãe e abalada por um caso de amor recente. Sua correspondência consiste em convites de casamento e avisos finais de cobrança. Ex-prodígio do golfe, ela agora serve mesas em um restaurante e aluga um quarto minúsculo e mofado ao lado de uma garagem, onde trabalha no romance que escreve há seis anos. Quando se apaixona por dois homens muito diferentes, seu mundo se parte ainda mais. Escrito com humor, sensibilidade e inteligência, marcas registradas de King, Escritores & Amantes é um romance magnífico que explora o salto assustador e emocionante entre o fim de uma fase da vida e o início de outra.

Como não renovei a minha assinatura da TAG Inéditos, pois sim, como quase todo ser mortal tenho uma pilha de livros para colocar em dia, meu último exemplar recebido foi o de Agosto/2022. A ficção Escritores & Amantes é da escritora norte-americana Lily King e teve como mimo um conjunto de porta copos magnético.

Na cidade de Boston, final da década de 1990, A aspirante a escritora e protagonista da história Casey Peabody parece estar à deriva apenas esperando chegar ao outro lado, ao qual ela não tem a mínima ideia do que seja, desde que tenha uma relação com o livro que ela não só deseja, mas como precisa terminar.

Tem muita coisa em que não posso pensar para conseguir escrever pelas manhãs.


Alugando o depósito de um amigo do irmão, ela vive os seus dias entre procrastinar a escrita do seu livro, cujo início começou a seis anos atrás, seu emprego como garçonete em um restaurante bem movimentado, suas dívidas estudantis e seus casos amorosos. Tudo isso somado a perda recente da mãe.

É quando uma sequência de fatos a faz de aproximar de dois homens muito diferentes em idade e classe social, mas com a mesma paixão pela literatura. Ambos também carregam no olhar perdas de pessoas queridas, mas sua abertura para o novo irá depender da personalidade de cada um e de como Casey precisa de moldar para ficar ao lado deles.


A escrita de Lily King

Utilizando a narrativa em primeira pessoa, a autora Lily King coloca a sua personagem principal Casey Peabody no divã para contar aos leitores o seu cotidiano, os obstáculos que a impedem de progredir na profissão escolhida e nas idas e voltas dos seus casos amorosos. Tudo com detalhes muito fáceis de visualizar cada cena, mas sem ser exagerado a ponto de cansar.

Mas na prática os problemas de Casey e os assuntos abordados na narrativa vão muito mais além, começando pela aceitação a morte da mãe. O impacto do luto recente começa aos poucos, sendo citados entre uma ação e outra, como que para salientar a necessidade de esquecimento temporário que a personagem precisa para seguir em frente. Mas como toda dor, ela é latente e aos poucos vamos descobrindo mais sobre a mulher que foi viajar e não mais voltou.

Era forte, o que quer que houvesse entre nós, denso como ar molhado e o cheiro de todas as coisas verdes prestes a florescer.


Seguindo nos laços familiares, somos surpreendidas pelo pai, um homem que desejava tornar a filha campeã de golfe e agora parece não ter sentimento nenhum por Claire, um relacionamento muito mais marcado pela mágoa do que pelo amor.

A normalidade está com o irmão, que mesmo morando longe consegue ajuda-la, sendo arrumando um aluguel barato no quarto depósito do amigo rico, seja através de conversas.

Na sua vida inteira vai haver homens assim, penso. Parece muito a voz da minha mãe.


E naturalmente toda a dívida estudantil para se formar na área de literatura e agora trabalhar como garçonete. Um lembrete a Claire que a vida adulta começou já faz um tempo, embora muitas vezes ela parece não ter crescido.

Tudo isso tendo como base o amor a escrita, e por isso a autora nos leva para um universo de oficinas, rascunhos de textos, inspirações, organização e claro, toda a busca dentro do caminho editorial para quem deseja publicar um livro.


O que eu achei de Escritores & Amantes

Inicialmente achei o livro chato, com uma vida de desgraça pouca é bobagem, a personagem Claire parecia não ter amadurecido e viver entre o antes e depois dos seus relacionamentos sem futuro.

Mas em determinado momento parece haver uma virada de chave na escrita, e a história passou a ter fluidez para mim, tornando a leitura muito mais envolvente e interessante.

A coisa mais difícil na escrita é imergir todo dia, atravessar a membrana. A segunda coisa mais difícil é emergir.


E foi neste momento que o luto de Casey passou a ser sentido por mim, assim como a sua relação com o manuscrito que precisa ser finalizado, além do nojo ao chef de cozinha que abusa do assédio moral e os dois homens que ela parece orbitar, mas que não fazem o mínimo esforço para participar da sua vida.

Aliás, detestei o viúvo, escritor famoso, pais de dois filhos Oscar, não havia um diálogo sem machismo quando ele está em cena. Já o Silas eu não entendi exatamente para que veio na história.

Naquela semana, vou algumas vezes à biblioteca pública pesquisar sobre Cuba. Toda vez, acabo nas prateleiras de biografias lendo sobre escritores e suas mães mortas.


Motivo pelo qual achei que o título do livro não traduz o seu conteúdo, que está muito mais para as dificuldades de se viver como adulto e assumir todos os seus ônus e bônus, do que para a suavidade que o original propõe. Naturalmente essa é a minha percepção, já que o título junto com a garrafa de vinho me fez pensar em algo mais voltado para uma comédia romântica.

No resumo da ópera eu gostei, e fiquei feliz de não ter abandonado após as cinquenta primeiras páginas, motivo pelo qual recomendo a leitura para quem procura por conflitos familiares, a relação com o luto, os desafios da vida adulta e como sempre, quem simplesmente gosta de ler.


Escritores & Amantes
Writers & Lovers
Lily King
Tradução: Laura Folgueira
TAG - Tordesilhas
2020 - 301 páginas

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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Menino Mamba-Negra



Sinopse: ÁDEN, IÉMEN, 1935. Uma cidade vibrante, viva, cheia de perigos ocultos. E lar de Jama, um garoto de dez anos que se vê sozinho no mundo após a morte inesperada de sua mãe. Para chegar na Somália, terra natal de seus ancestrais nômades, o menino cruza o Mar Vermelho. A guerra está no horizonte e as forças fascistas italianas que controlam parte da África Oriental estão se preparando para a batalha, mas Jama não pode descansar até descobrir se o pai, ausente de sua vida desde que ele era bebê, está vivo em algum lugar. Assim começa uma jornada épica que levará Jama ao norte através de Djibouti, Eritreia e Sudão, países devastados pela guerra, até chegar ao Egito. De lá, a bordo de um navio transportando refugiados judeus recém-libertos dos campos de concentração, o garoto segue através dos mares para a Grã- -Bretanha. Esta história da longa caminhada de um garoto em busca de liberdade também é a história de como a Segunda Guerra Mundial afetou a África e seu povo; uma história sobre sentir-se deslocado e, no fim, encontrar-se novamente.

Em novembro/21 foi o mês temático das caixinhas da TAG, onde os assinantes receberam afronarrativas. Pela minha assinatura da TAG Inéditos eu recebi Menino Mamba-Negra da escritora Nadifa Mohamed - nascida em Hargeisa, Somália - que usou a ficção para contar um pouco das aventuras do próprio pai.

Quando Ambaro estava grávida, aos dezessete anos, ela acabava se separando da caravana devido a sua lentidão. Um dia, cansada demais para seguir caminhando, sentou em uma velha árvore, e enquanto sua respiração normalizava, sentiu algo em suas costas, seguindo em direção ao umbigo. O que parecia ser uma mão se revelou uma mamba enorme, cobra venenosa e muito rápida, que se enrolou em torno da sua barriga. Sem se mexer, Ambaro viu a cobra pousar a cabeça em sua barriga e ouvir a batidas do coração do seu bebê. Depois de um tempo juntos, a cobra simplesmente a deixou, e assim ela passou a chamar o filho de Goode, que significa mamba-negra.


Conto a você esta história para poder transformar o sangue e os ossos de meu pai - e seja qual for a mágica que a mãe dele costurou debaixo de sua pele - em história.


Mas Ambaro e seu Goode - oficialmente conhecido como Jama - tiveram que abandonar a família, indo os dois para um lado e o marido para outro em busca de recursos financeiros para uma vida melhor. Morando de favor na casa de parentes distantes, eles são constantemente constrangidos e destratados.

Por trabalhar doze horas por dia, Jama passa rolando pelas ruas do Áden, sem ir para a escola e brincando com outros meninos. Mas a morte inesperada da sua mãe é o primeiro ato para o seu caminho mudar. Se em um primeiro momento a tia-avó o resgata e o leva de volta para Hargeisa na Somalilândia, mas um novo incidente o faz sair em busca do pai.


Meninos do mercado dos mais diferentes tons, credos e línguas se reuniam na praia para brincar, tomar banho e lutar.


E assim passamos a seguir a vida de Jama de outubro de 1935 até setembro de 1947, em uma jornada por Djibouti, Eritreia, Sudão, Egito e Londres, onde é possível acompanhar a presença de soldados em território africano, os efeitos devastadores da guerra e a reconstrução quando tudo chegou ao fim.


Os Personagens

Jama é o personagem principal da história, mas isso não significa que os outros apenas orbitem ao seu redor, pois apesar de todos os percalços, ele teve vários anjos em sua vida.

Mas é através das suas lembranças que conhecemos o amor de Ambaro e Guure, os pais de Jama, cujos perfis eram muito diferentes dos seus clã, a ponto de Ambaro desafiar a família para se casar com Guure.


Me perdoe, meu bebê serpente, e não viva a vida que eu vivi, você merece coisa melhor.


Já Abdi e Shidani são tio e sobrinho com pouca diferença de idade, crianças que se aventuram nas ruas de Áden com Jama e mais tarde o reencontro em um acampamento militar. Dupla que ganhou o meu coração e o deixou pesado na inútil luta nas montanhas de Eritreia.

Entre os que ajudam, compartilhando um pouco de sua história, estão Jinnow, Idea e Amina, Jibreel e Lorenzo, entre outros, alguns bons, outros que não são exatamente flor que se cheire, mas que de certa forma permitiram a sobrevivência ao longo caminho do menino que vira homem em meio aos obstáculos.


Nenhuma pessoa morre de verdade enquanto há outras que se recordam dela, que têm afeto por ela.


Há também outros personagens de presença marcante que não irei nomear justamente para não estragar a expectativa de leitura, pois mesmo para os mais curiosos é necessário deixar alguns elementos surpresas.

Mas o fato é que ninguém aparece à toa, todos representam um povo, uma determinada situação, um momento da história, enriquecendo ainda mais o relato. Seja por um capítulo ou aparecendo e desaparecendo conforme o vento levava Jama.


A narrativa de Natifa Mohamed

Natifa Mohamed não é somente a escritora, mas também a narradora da história que nos conta, ou como ela diz o griô do seu pai. E com razão, pois a autora a colocou no papel para contar ao mundo as aventuras e desventuras não só do pai-herói, mas também das comunidades que ele percorreu.

Não um herói de espada e capa, ou romântico que arranca suspiro das donzelas. Mas de um menino que sobrevive à miséria, a violência, a humilhação, as perdas afetivas, e mesmo assim segue em busca dos sonhos, do destino dourado prometido e tantas vezes repetido pela sua mãe.


O ar exalava uma corrupção, um aroma misturado de sordidez, suor e fezes de cabra.


E o seu olhar é gentil e poético, as vezes terno em meio a dor. Pois onde a fome e morte se unem o sofrimento pulsa mais forte que as batidas do coração.

Ao mesmo tempo ela nos dá uma visão dos costumes, da existência de hierarquia mesmo entre os mais pobres, a divisão em clãs, as crenças, alguns rituais, as festas e as comidas.


À sua frente, havia as maiores montanhas e colinas que já vira, subindo além das nuvens.


Somado a isso temos uma forte crítica ao colonialismo europeu no continente africano, assim como uma visão forte do comportamento dos vencedores após a guerra com os colonizados e as vítimas do regime nazista.


O que eu achei

Eu gostei muito do livro, me senti viajando junto com Jama pelas estradas, o frio na espinha em cada situação complicada, mesmo sabendo desde o início que ele iria sobreviver, afinal Natifa nos revela logo de início que é o pai quem lhe conta as histórias.

Também achei ele bem escrito, fluído, do tipo que desperta a curiosidade em saber como ele se livrou de determinada enrascada, o que aconteceu após algum incidente, o que Jama havia feito a seguir. 


Queria encostar na barba por fazer do pai, traçar o único rosto que tinha semelhança com o seu.


E talvez por isso a única coisa que me incomodou foi o final, pois como a história termina em 1947 e pelos agradecimentos e local de nascimento da própria autora é possível ver que outras mudanças aconteceram na vida de Goode, o que me deixou com o sentimento de que deveria haver uma continuação.

Fiz uma pesquisa rápida e a princípio não encontrei, mas se alguém souber, por favor, deixe o título nos comentários.


Achava tudo interessante agora, fascismo, comunismo, anarquismo, só conseguia confiar no que era claramente idiota.


E como não poderia deixar de ser, eu naturalmente recomendo a leitura. Com certeza irá agradar quem quer saber mais sobre a África, para quem gosta de uma aventura baseada em histórias reais, para quem fica mais esperançoso ao ler superações, para quem gosta de acompanhar relatos extremamente humanos.

Menino Mamba.Negra
Black Mamba Boy
Nadifa Mohamed
Tradução: Marina Della Valle
TAG - Tordesilhas
2010 - 284 páginas

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Frida Kahlo e as cores da vida

 


Sinopse: México, 1925: Frida quer se tornar médica, mas um terrível acidente põe fim a seu sonho. Anos mais tarde, ela se apaixona pelo grande sedutor e pintor Diego Rivera e ao lado dele mergulha de vez no cobiçado mundo das artes. Sempre assombrada por problemas de saúde e sabendo que sua felicidade poderia ser passageira, Frida se entrega à vida e descobre como trilhar o próprio caminho. Com suas roupas de cores vibrantes e postura transgressora, a artista cria uma aura particular e se torna uma das pintoras mais cultuadas de nossos tempos.

Para iniciar o ano de 2021, o livro escolhido pela TAG Inéditos para o mês de janeiro foi uma ficção baseada na vida da famosa pintora Frida Kahlo. Sob o pseudônimo de Caroline Bernard, a escritora Tania Schlie uniu o que conhecia da história desta mulher forte com o que ela imaginava . O brinde foi um planner, tendo como capa importantes escritoras femininas. 


Juntas, as duas Fridas que ela unia em si conseguiam sobreviver a tudo que viesse pela frente.


Logo de início conhecemos uma Frida menina, extremamente agitada, cheia de energia e com um sorriso no rosto. Nem mesmo a paralisia infantil consegue limitar o seu ímpeto. Logo em seguida vem o acidente, seguido da dor que a acompanharia pelo restante da vida, da decepção pelo jovem amor e do seu encontro com a arte. 

Sua recuperação, que nunca será completa, é extremamente lenta, consumindo a sua paciência e as finanças de sua família. Pintar é o que a distraí, sendo uma forma de expressar como ela se sente . Ao voltar a andar, seu antigo grupo de amigos já possuem uma realidade diferente da sua, e uma manifestação encontrada ao acaso a leva a se filiar no Partido Comunista e aos braços do pintor Diego Rivera.


A vida é bela demais, colorida demais para ser apenas suportada. Quero apreciá-la, quero sentir alegria e amor!


O relacionamento de Frida e Diego lembra uma montanha russa, altos e baixos que ao mesmo tempo beneficiam e prejudicam a arte de Frida. Beneficiam pela força de seus quadros quando ela se sente uma figurante do marido, quando sofre as maiores traições, quando se sente sozinha. Prejudicam quando ela é apenas uma sombra de Diego, seguindo e mantendo todos os seus quadros em casa, sendo apenas a sua esposa e não a grande artística que deve ser reconhecida.

A personagem Frida é uma mulher forte, que se utiliza de cores, falas fortes  e uma presença de espírito para disfarçar os seus complexos. Alguém que tem amor e saudade da sua terra natal quando se afasta, alguém que dá amor com facilidade, e que não cansa de levantar a cada queda.


Estarão unidos no amor e no afeto como o sol e a lua, mas em algum momento o ódio estará presente.


Eu nunca li nenhuma biografia da Frida, e sim, como o livro é uma ficção, desperta a curiosidade em saber mais da artista para descobrir o que levou a escritora a imaginar esta vida para ela, o que está próximo da realidade e o que é uma licença poética.

A narrativa é em terceira pessoa, sendo uma história que ocorre de maneira linear, onde o leitor acompanha da juventude até um ano antes de sua morte. Sim, Frida morreu jovem, aos 47 anos de idade sua sequência de perdas sugou suas forças, e infelizmente durante a sua nova fase, quando deixou de ser a Sra. Rivera para ser Frida Kahlo.


Serei fiel a mim mesma, à minha verdade, pois é melhor saber a verdade, mesmo que doa, do que mentir para si.


O livro pode desagradar um público mais exigente por girar em torno da relação tóxica de Frida e Diego, um amor que exige submissão da parte feminina de uma figura que se caracteriza justamente por ser um símbolo do feminismo. Como toda mulher, ela é complexa, tendo em suas atitudes uma mistura de tradicional e modernidade. 

A verdade é que a personagem Frida é muito humana, como talvez tenha sido a da vida real, e vive o amor com toda a intensidade e sofrimento que ele lhe exige, uma entrega que pode parecer doentia, mas é somente dela. E ao amar como nunca, ela tornou o sentimento sua força e ao mesmo tempo a sua fraqueza.


O que acontecia com mulheres que não tinham marido, dinheiro nem perspectiva de trabalho?


No final, a autora lista as referências biográficas por ela utilizados, além de citar a sua visita a Casa Azul, casa onde Frida nasceu e morreu, e hoje é um museu dedicado a pintora. Lugar que já deixei marcado como visita obrigatória quando tiver a oportunidade de conhecer o México.

Um livro interessante, que traz para quem desconhecia a obra da artista o seu olhar, possibilitando compreender um pouco mais dos sentimentos que pulsão na tela em forma de cor. Frida personagem e Frida real eram as próprias cores.


Frida Kahlo e as cores da vida
Frida Kahlo und die Farben des Lebens
Caroline Bernard
Tradução: Claudia Abeling
TAG Inéditos - Tordesilhas
2019 - 301 páginas

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