Diz que temos a hora
certa para cada livro. Acho que não estou na minha hora para ler “A arte da
guerra”. Talvez nunca esteja. Explico: A obra inteligente e atual, apesar de
ter sido escrito por Sun Tzu em IV a.C., é pura e exaustivamente sobre
estratégias de guerra. E tenho uma dificuldade muito grande em ler sobre a arte
de algo que incita a violência.
Claro, a obra pode
ser lida como forma de aprendizado as situações da vida no geral, e está aí um
de seus encantos. Das páginas que li (sim, não li a obra toda), grifei
passagens que me fizeram pensar: “Sobressai-se em resolver as dificuldades quem
as resolve antes que apareçam.” (p.36*). “No comando do exército há sete males
cruciais: (...) III- Misturar regras próprias à ordem civil e a ordem militar.
(p.41).” É impossível não associar estas passagens a vida cotidiana.
Os capítulos discorrem
em títulos como estes: “Da arte de vencer sem desembainhar a espada”, “Do
confronto direto e indireto”, “Da arte das mudanças”, “Da arte de semear a
discórdia”. Achou interessante? Digo que é certamente. Da inteligência da
estratégia a pouca sutileza dos conselhos, tudo é encantador. Mas ainda assim,
é cansativo ler sobre estratégias e muito revoltante prender a atenção em algo
tão belicoso.
Aguardo meu momento.
Meu tempo para, talvez, poder enriquecer minhas próprias brigas ficcionais, dar
um terreno crível para meus contos.
