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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A arte da guerra




Diz que temos a hora certa para cada livro. Acho que não estou na minha hora para ler “A arte da guerra”. Talvez nunca esteja. Explico: A obra inteligente e atual, apesar de ter sido escrito por Sun Tzu em IV a.C., é pura e exaustivamente sobre estratégias de guerra. E tenho uma dificuldade muito grande em ler sobre a arte de algo que incita a violência.

Claro, a obra pode ser lida como forma de aprendizado as situações da vida no geral, e está aí um de seus encantos. Das páginas que li (sim, não li a obra toda), grifei passagens que me fizeram pensar: “Sobressai-se em resolver as dificuldades quem as resolve antes que apareçam.” (p.36*). “No comando do exército há sete males cruciais: (...) III- Misturar regras próprias à ordem civil e a ordem militar. (p.41).” É impossível não associar estas passagens a vida cotidiana. 

Os capítulos discorrem em títulos como estes: “Da arte de vencer sem desembainhar a espada”, “Do confronto direto e indireto”, “Da arte das mudanças”, “Da arte de semear a discórdia”. Achou interessante? Digo que é certamente. Da inteligência da estratégia a pouca sutileza dos conselhos, tudo é encantador. Mas ainda assim, é cansativo ler sobre estratégias e muito revoltante prender a atenção em algo tão belicoso. 

Aguardo meu momento. Meu tempo para, talvez, poder enriquecer minhas próprias brigas ficcionais, dar um terreno crível para meus contos. 


TZU, Sun. A arte da guerra. Tradução de Sueli Barros Cassal. Porto Alegre: L&PM, 2002. 152 p. (Coleção L&PM Pocket).