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domingo, 1 de janeiro de 2012

Marcada








Marcada é o primeiro livro da série House of Night escrito pela autora P.C. Cast e sua filha Kristin Cast. Conta a história de Zoe Redbird, uma adolescente que foi “marcada”, o que significa que após um período em transformação irá virar uma vampira. Ela terá de abandonar sua vida pregressa para habitar a Morada da Noite. Em meio à rotina noturna de sua nova escola/lar, conhece as pessoas que se tornarão seus melhores amigos – Steve Rae, Erin, Shaunee, Damien e Eric, e se vê dotada de poderes que nem imaginava serem possíveis.

Neste mundo de vampiros novatos é que se passa a empolgante e adolescente história de Marcada.  Como introdução à série, certamente deve ser o livro mais fraco. Não cativa instantaneamente por conta da comparação com séries como Crepúsculo (inevitável, apesar de Marcada ser sem dúvida mais voltada ao público adolescente que a série de Meyer). Mas, mostra personalidade  e é um bom começo para uma coleção que tem tudo para entrar no hall de livros “febre do momento”.

Marcada trás Zoe, trás a adolescencia com suas impulsivas decisões e importantes amizades, trás valores, trás sedução – e vampiros não existem sem este quesito, trás o misticismo nos arabescos, nos rituais e, claro, nos poderes concedidos pela deusa da noite. 

Os vampiros são muitos pela literatura a fora mas, o que importa não é o que melhor os retrata ou quem copiou o que de quem. O que importa é as diferenças e igualdades dos mundos descritos, é a criatividade na relação entre o que já existe e o que pode ser inventado sem ser chato. E definitivamente, Marcada não é um livro chato. Tem nele o envolvimento que nos leva a querer ler mais e mais. 


CAST, P.c.; CAST, Kristin. Marcada. São Paulo: Novo Século, 2009. 328 p. (House f Night).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mais um ano se foi...



E vem aí um ano novinho para darmos continuidade a tudo aquilo que nos faz bem.

Ria,
chore,
seja sincero consigo mesmo,
ame aquele alguém especial,
dê atenção aos amigos...
E leia! Leia muito!!!

Um ótimo Natal e um Ano Novo próspero para todos os literamados leitores!





quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Feliz Ano Novo




Meu primeiro contato com Rubem Fonseca se deu através do conto “O Cobrador”. Admirável, diferente de todos os contos que tinha lido até então. Uma nova forma de sentir medo. Um medo social. Mas foi com o conto Feliz Ano Novo que me vi rendida aos escritos do autor. O conto me marcou tanto, a ponto de ser a primeira coisa que me passou pela cabeça após o trauma de estar em uma casa invadida por assaltantes. Sempre que me lembro do conto, lembro deste episódio e vice versa.

Na semana passada o livro Feliz Ano Novo passou pelas minhas mãos na biblioteca em que trabalho. Não passou impune. Devorei cada conto me sentindo meio carioca, muito brasileira. São 15 contos que nos levam até a vida de pessoas que não tem nada ou quase nada a perder. Pobreza, falta de perspectiva, discriminação, abandono... Tudo retratado às vezes com humor, às vezes como simples e dura realidade.

Meus destaques (se não for muita ousadia), ficam com o humor de Corações Solitários, - do repórter que inventa as cartas a serem respondidas em um jornal feminino em que todos os funcionários são homens -, para Passeio Noturno I e II, - onde o bom marido desconta as amarguras em crimes singulares -, e para Intestino Grosso, - em que somos agraciados com a entrevista concedida por um autor tão louco quanto verdadeiro: “Já foi dito que o que importa não é a realidade, é a verdade, e a verdade é aquilo em que se acredita”.

FONSECA, Rubem. Feliz ano novo. 2. ed. São Paulo: Companhia Das Letras, 1989. 174 p.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A arte da guerra




Diz que temos a hora certa para cada livro. Acho que não estou na minha hora para ler “A arte da guerra”. Talvez nunca esteja. Explico: A obra inteligente e atual, apesar de ter sido escrito por Sun Tzu em IV a.C., é pura e exaustivamente sobre estratégias de guerra. E tenho uma dificuldade muito grande em ler sobre a arte de algo que incita a violência.

Claro, a obra pode ser lida como forma de aprendizado as situações da vida no geral, e está aí um de seus encantos. Das páginas que li (sim, não li a obra toda), grifei passagens que me fizeram pensar: “Sobressai-se em resolver as dificuldades quem as resolve antes que apareçam.” (p.36*). “No comando do exército há sete males cruciais: (...) III- Misturar regras próprias à ordem civil e a ordem militar. (p.41).” É impossível não associar estas passagens a vida cotidiana. 

Os capítulos discorrem em títulos como estes: “Da arte de vencer sem desembainhar a espada”, “Do confronto direto e indireto”, “Da arte das mudanças”, “Da arte de semear a discórdia”. Achou interessante? Digo que é certamente. Da inteligência da estratégia a pouca sutileza dos conselhos, tudo é encantador. Mas ainda assim, é cansativo ler sobre estratégias e muito revoltante prender a atenção em algo tão belicoso. 

Aguardo meu momento. Meu tempo para, talvez, poder enriquecer minhas próprias brigas ficcionais, dar um terreno crível para meus contos. 


TZU, Sun. A arte da guerra. Tradução de Sueli Barros Cassal. Porto Alegre: L&PM, 2002. 152 p. (Coleção L&PM Pocket).




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Antes de Nascer o Mundo





Antes de nascer o mundo é um livro sobre um início e um fim. O fim de Silvestre Vitalício, um marido que na busca de adormecer as tristes lembranças pela morte da amada, se isola em uma terra de ninguém com os filhos, o criado e uma jumenta. E o início da vida de Mwanito, o pequeno filho de Silvestre e narrador da história, que se descobre gente em meio à homens, sem conhecer outra vida que não a que lhe foi apresentada em Jesusalém - a terra batizada pelo pai e que seria, ao seu entendimento, o único lugar do mundo que restara.

De forma poética, o autor nos transporta para uma história sobre a vida do menino Mwanito, do irmão Ntunzi, do pai Silvestre Vitalício, do militar e criado Zacaria Kalash, da jumenta Jezibela, única presença feminina entre eles, e do tio Aproximado, o cunhado de Silvestre que apesar de não viver no sítio, tem importância vital na narrativa. É ele que, ironicamente, aproxima a família das peripécias que mudará suas vidas, e leva a realidade ao mundo imaginário em que são reféns. É através de Aproximado, também, que somos apresentados a Marta e Noci, duas personagens ligadas pela perda do mesmo homem.

Mia Couto é um dos maiores autores africanos em língua portuguesa. Sensível como só um poeta pode ser, transborda sentimento e conduz de forma maestral a história. Aborda assuntos pontuais e atuais como o modo que apresenta o negro, em especial as mulheres, com trejeitos bonitos e desejáveis, além da forma como retrata a natureza e a igualdade entre humanos e animais. Enlaça à narrativa, também, um pouco da história pós guerra que afetou a zona rural de Moçambique. Ora mesclando narrativas de dois personagens (Mwanito e Marta), fica evidente sua capacidade de ser cativante e expressivo usando vozes tão opostas. Consegue transbordar sentimentos, impressões, causar reflexões. Prende o leitor em cada página, principalmente por ser uma narrativa extremamente visual, que transporta o leitor como que para dentro de um filme.

Poesia, imagem e a reflexão sobre a solidão. A receita certa de um bom livro. E para aguçar a vontade de ler, cumpre o papel a frase de Mwanito: “A primeira vez que vi uma mulher tinha 11 anos e me surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas.”


*COUTO, Mia. Antes de nascer o mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. 280 p.; 21 cm.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Viagem ao centro da Terra





Teria sido a proximidade de sua casa ao porto durante a infância que fez o francês Julio Verne ser um notável escritor de histórias de viagem? Sendo ou não, o escritor, falecido em 1905, aos 77 anos, soma uma vasta obra e é considerado um dos escritores mais traduzidos de todo o mundo. Suas histórias foram adaptadas em quase 100 filmes e várias séries para tv. Também pudera, sua obra cita tecnologias que nem existiam em sua época, além de mostrar claramente a dedicação e capacidade de aliar, em sua escrita, dom literário e  pesquisa.

Em Viagem ao Centro da Terra, o autor nos leva da Alemanha às entranhas do globo na companhia do professor Lidenbrock, seu sobrinho Axel e do dedicado guia Hans. Depois de descobrir sobre a suposta viagem do cientista Arne Saknussenm ao centro do planeta, o geólogo/mineralogista/cientista/professor Otto Lidenbrock, decide ele mesmo constatar a veracidade das informações. Axel, nosso narrador, acaba embarcando, a contragosto, nesta fantástica e instigante aventura.

São dias de uma viagem que faz o leitor se prender a cada linha, manter-se angustiado com os companheiros que passam por situações muitas vezes beirando a morte e, claro, permitindo-se ponderar as ideias de Julio Verne sobre o centro da Terra. Assuntos sobre as camadas da Terra, períodos arqueológicos e fenômenos físicos fazem o leitor se perder em termos científico, mas ao mesmo tempo se interessar pela nossa história geológica.

Com personagens ricos em humanidade e determinação, é impossível não apreciar esta aventura. Entra, certamente, no hall de livros que devem e precisam ser lidos. Viajar, nem que seja na ficção ao centro da Terra que conhecemos, sempre será uma experiência interessante. 


* VERNE, Julio. Viagem ao centro da terra. Tradução de Renata Cordeiro. Porto Alegre: L&pm, 2002. 270 p.; 17cm. (Coleção L&PM Pocket).

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Contos de Fantasmas


Daniel Defoe nasceu em Londres em 1660 e até a data de sua morte, em 1731, escreveu muitas publicações. Dentre as mais famosas estão As aventuras de Robinson Crusoé, Venturas e desventuras da famosa Moll Flandres e o jornal The Review, onde publicou as histórias compiladas depois em Contos de Fantasmas (li a edição da L&PM, 2009). Curiosamente, as histórias partiram de relatos e entrevistas. Saber disto faz diferença quando se lê contos como A aparição da senhora Veal, O eclesiástico e o testamento perdido ou qualquer das outras cinco histórias que compõe a primeira parte do livro. Todas cheias de mistérios e aparições de espíritos, narradas de forma quase jornalística, com descrição minuciosa dos fatos e com detalhes da conduta das fontes, que serve para enfatizar a veracidade dos relatos. 

Além destes, mais cinco contos sob o título de Fantasmas falsos e aventuras divertidas, se encarregam de fazer o balanço entre o que não se consegue justificar e o que se sabe ter sido uma armação. Narram de forma dinâmica e divertida, histórias envolvendo falsas aparições. O que não falta é gente impressionada e temente ao diabo. Dentre estes, destaca-se o último conto: O adivinho na feira de Bristol, que conta a história de um charlatão que amedronta um rapaz para que este se convença de que deve se casar com a mocinha que engravidou.

Sozinho, apenas com a luz de uma pequena luminária e a mercê dos estalos de madeira comuns na madrugada, Contos de Fantasmas assusta. Para os impressionados, uma leitura rica em detalhes e muito condizente com as narrativas que se escuta sobre assombrações. Para os descrentes, uma excelente forma de analisar o comportamento humano frente ao desconhecido, especialmente nos contos falsos, onde vemos pessoas se deixarem enganar vítimas do medo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Anjos e Demônios



Robert Langdon, o professor de simbologia de Harvard que decifrou o Código Da Vince, vive sua primeira aventura um ano antes, em Anjos e Demônios (Dan Brown, 2004, Sextante Editora, 464 p.). A trama começa com o roubo de uma tecnologia, a antimatéria, e a morte de um importante cientista de um dos maiores centros de pesquisa científica do mundo, o CERN. Ele é encontrado sem vida e marcado a fogo com um misterioso símbolo que se podia ler corretamente mesmo de cabeça para baixo. O ambigrama passa a ser a única pista que pode levar ao assassino. E isto precisa ser feito rápido, antes que se acabe a bateria que mantém a antimatéria estável, o que provocaria uma explosão sem precedentes. O símbolo leva Langdon até o Vaticano na véspera do conclave que escolherá o novo papa.

Acompanhado da filha do cientista assassinado e responsável pela tecnologia da antimatéria, Vittoria Vetra, o simbologista acaba por ter de desvendar o Caminho da Iluminação. Um antigo caminho que levava até o esconderijo da fraternidade dos Illuminati, um grupo de pessoas que há cerca de 400 anos, defendia a ciência e, em uma época que tudo era explicado pela religião, desejava a destruição da Igreja Católica. Ao longo deste trajeto eles precisam tentar salvar os Preferiti - os quatro Cardeais favoritos a sucessão do Papa.

Assim como em suas outras obras, Dan Brown consegue prender o leitor do início ao fim com uma narrativa cheia de conspirações, informações sobre religião, ciência e história da arte. E apesar de confundir o leitor quanto ao que é verdade e o que é ficção, ele sabe do que está falando. Ao menos ao citar as obras de arte que aparecem aos montes e nunca de forma monótona. Brown estudou História da Arte na Universidade de Sevilha, Espanha. Quanto a famosa briga entre ciência e religião, ele leva para a obra a antimatéria como forma de questionar a existência de um Deus. Para quem não lembra, os experimentos com a antimatéria existem de verdade e tentam recriar, através da colisão de partículas subatômicas a origem do universo (o Big-Bang). Curiosamente, o CERN conseguiu, em novembro passado, capturar pela primeira vez a antimatéria, mesmo que por menos de um segundo. 

Com personagens marcantes e argumentos de sobra sobre religião e ciência, o autor cria uma imparcialidade de opinião que se reflete muito bem no protagonista da narrativa, já que Langdon, apesar de cético, se interessa muito pelos mistérios da religião. Para criar os opostos, Dan Brown deu vida ao camerlengo Ventresca e ao cientista Kohler. Cada um apresenta razões para se crer em algo. Deus ou a ciência? Ou, quem sabe, os dois juntos.

Para quem viu o filme, o livro em muito se difere e não apenas em espaço para desenrolar a narrativa, já que o filme precisa ser mais sucinto. No filme, personagens deixam de existir ou possuem outros nomes. Tudo, claro, mantendo a essência da narrativa e, por vezes, transformando-a em algo mais perto da realidade. Apesar de a história do livro ser muito verossímil, algumas coisas seriam desacreditadas nas telas do cinema. Como certo salto de helicóptero. Leia o livro, veja o filme. Depois, diga se é verdade a afirmativa: embora sendo artes completamente diferentes, o livro te leva a questionamentos, sorrisos e expectativas que nenhum filme (mesmo com o Tom Hanks) pode superar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Revolução dos Bichos


Sim, achei que a história fosse pura e simplesmente uma revolução do mundo animal. Uma forma de satisfazer o imaginário daqueles que, assim como eu, pensam que não seria nada mal ver os animais darem o troco e colocarem a opressora raça humana em rédeas curtas.  O que fui saber logo na orelha do livro, é que Revolução dos Bichos, de George Orwell, era muito mais do que uma história sobre animais e como eles funcionariam em comunidade caso tivessem a capacidade de se sobrepor aos homens em termos de civilidade. É, em primeiro lugar, uma ferrenha crítica à tirania política protagonizada na Guerra Fria. Uma forma de questionar o comunismo stalinista com humor satírico e de maneira muito desconfortável para os soviéticos.

O enredo é basicamente este: Os bichos da Granja do Solar se rebelam contra a exploração humana e decidem tomar posse da fazenda. Em pouco tempo, os porcos tomam a liderança do grupo e passam a ter atitudes muito semelhantes à dos humanos que repudiavam. Mostrando todas as faces do poder, os porcos passam a defender seus interesses com assassinatos, distorções da realidade e slogans que visam manter o controle – como o que diz “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”,ou o audacioso “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”.

Na edição de 2007 da Companhia das Letras, a fábula se encerra na página 112, mas segue até a página 147 com o posfácio de Christopher Hitchens e apêndices com os prefácios da edição inglesa de 1945 e ucraniana de 1947.É possível apreciar a obra sem conhecer os fatos históricos que a originaram, mas seria desperdício intelectual ignorar os textos que a seguem. Através desta leitura, é possível mergulhar nas intenções do autor e em suas lutas. Apreciar os detalhes narrados por ele sobre a realidade de sua época, especialmente o que diz respeito à sua obra e a liberdade de imprensa.
   
Pela ousadia, humor e habilidade narrativa do autor, é um livro obrigatório para quem gosta de literatura. E, certamente, é uma porta de entrada para aqueles que querem saber mais sobre os acontecimentos histórico-culturais envolvidos diretamente com a obra. 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os Espiões




“Formei-me em Letras e na bebida busco esquecer”. É com esta frase que Luís Fernando Veríssimo começa Espiões, lançado em 2009 pelo selo Alfaguara da Editora Objetiva. A irreverência, característica forte do autor, já pode ser vista logo na capa: um espião muito mal disfarçado atrás de um poste. Traduz, com efeito, a história de espionagem parodiada e que ao mesmo tempo mostra  a imagem de um espião real, que vive fora dos filmes e dentro de uma história tragicômica no interior do Rio Grande do Sul.

Tudo começa quando o personagem principal, funcionário de uma pequena editora de Porto Alegre, passa a receber os originais de uma misteriosa mulher chamada Ariadne. Como ela promete o suicídio após o término do relato de suas peripécias com o amante, ele sente que deve ajudá-la e ruma à cidadezinha de Frondosa. Completamente envolvido com a mulher que não conhece, o personagem passa a ser o aguardado herói. Em suas peripécias, conta com o auxílio de figuras como o colega de serviço Dubin e o professor Fortuna - que nem sequer é professor.

Muito focado na narrativa, Veríssimo se confunde com o personagem sem nome. Impossível não pensar no autor quando nos deparamos com as falas cômicas e irônicas de nosso espião. Característico do autor- cronista, o livro é de escrita direta e simples, mas nem por isso menos envolvente, e genial. É sempre revelador ler sobre as peripécias saídas da cabeça de um escritor que sabe reunir, como ninguém, humor e inteligência.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Saga Crepúsculo




A princípio a proposta soa como um blá, blá, blá juvenil: humana se apaixona por vampiro; e o fanatismo do “Fenômeno Twilight” pode parecer um convite a remar contra a maré, porém, depois de se render a curiosidade de conhecer este mundo onde vampiros não possuem presas e não morrem a luz do sol (eles apenas brilham), é impossível não assumir o gosto pela série.

Os livros são quatro: Crepúsculo (Twilight), Lua Nova (New Moon), Eclipse (Eclipse) e Amanhecer (Breaking Dawn). Renderam até o momento três filmes e com isso muito dinheiro com merchandising, um sucesso arrebatador para seus lindos atores e muita crítica por conta de pessoas que não entendem as verdadeiras motivações das produções que é a de dar vida a aclamada história e não de ser uma superprodução.

Com uma narrativa agradável, a autora Stephenie Meyer faz o leitor se prender a saga desde o início de Crepúsculo.  A carga de amor puro e celibatário, batalha de vampiros e lobisomens que fogem de tudo já falado a respeito, e algumas passagens que oscilam entre manjadas e de narrativa confusa, tornam os livros uma volta à adolescência. Já que é esta a fase onde fantasia e amor se fundem e surgem as confusões e dúvidas tais como as vividas pela protagonista Bella Swan, seu amor, o vampiro Edward e o amigo/affair, o lobo Jacob Black.  Por tudo isto, a história escrita por Meyer acabou sendo sucesso não apenas entre as adolescentes, mas também entre suas mães.
 
A história tem início quando Bella decide dar mais privacidade a mãe e seu novo namorado e troca a ensolarada Phoenix pela chuvosa Forks, Washington. Morando com o pai Charlie, o chefe da polícia local, e freqüentando uma nova escola, ela esbarra com o estranho e reservado Edward Cullen e seus irmãos. A partir daí, espere muitas risadas, lágrimas e expectativas; algumas delas frustradas, como em Amanhecer, onde o leitor mais exigente pode se chatear com muitas resoluções óbvias na história, mas não deixará de desejar o final proposto pela autora (reforçando o envolvimento com a idéia de uma saga voltada ao amor e aos valores que cercam a temática). O livro que é bem maior que os outros três, será dividido em dois filmes nas telas.

Ler sobre amor e vampiros que brilham no sol pode não ser o tema favorito dos homens, mas vale para eles também, se não para conhecer estes fantásticos e diferentes vampiros de um fenômeno que veio para ficar, ao menos para se deixar contagiar por passagens que muito tem a ver com nossos relacionamentos no dia a dia tanto no que se refere ao amor, quanto às amizades e relações familiares. E enganam-se aqueles que acham que a castidade do velho Edward é antiquada. O que é alheio as nossas banalizadas relações, pode ser exatamente uma das razões do sucesso desta história.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

23 de abril - Dia Mundial do Livro

Imagem: http://tertuliabibliofila.blogspot.com


Um idoso prestes a se aposentar ou um rapaz moderno que viverá tranquilo junto à criançada?
Cedo para responder a esta questão. Enquanto isso, comemoramos hoje, dia 23 de abril, uma das poucas fontes de imortalidade conhecidas. Com direito a Dia Mundial, o livro desperta alegrias, tristeza, paixões, repúdio e ódio.

E para comemorar o seu dia, o Literatura Amores e Horrores se utiliza de uma frase de Miguel Cervantes, homenageando assim a todos que se envolvem nesse universo único "Aquele que lê muito e anda muito, vê muito e sabe muito".



segunda-feira, 15 de março de 2010

A Maravilha no mundo de Alice

 








Alice no País das Maravilhas e Alice no País do Espelho

"Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare". – Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas.


Não existe como visitar o mundo de Alice e não sentir fascínio por ele. Sua fantasia remete aos sonhos, uma volta à infância e a todos os pensamentos fantásticos que nela estão presentes. A maravilhosa experiência da menina Alice foi escrita por Charles Lutwidge Dodson, conhecido por Lewis Carroll. A história foi escrita e dada de presente em 1864 para a menina que serviu de inspiração a ela, Alice Linddell, então com 11 anos de idade. Logo a história foi publicada e a partir daí virou passagem literária e cinematográfica obrigatória para crianças e adultos.
Em 1951 a Disney lançou a animação "Alice no País das Maravilhas" e agora, pela excentricidade de Tim Burton, surge a versão cinematográfica de mesmo nome. Nesse hiato de tempo, dentre os vários livros traduzidos e publicados em todo o mundo, estão as edições da L&PM Alice no País das Maravilhas e Alice no País do Espelho, traduzidas respectivamente por Rosaura Eichenberg e Willian Lagos. Na primeira história, Alice adormece e mergulha na toca do Coelho Branco. De lá, parte para as mais inusitadas situações e conhece loucos personagens. A característica desconexa, típica dos sonhos, é muito marcante e faz o leitor viajar por um mundo muito rico, com poções que fazem aumentar e diminuir de tamanho, chás que não acabam nunca, um jogo de Croqué com uma rainha e seus súditos, todos, cartas de baralho. Sempre junto à visão da tagarela Alice, menina inteligente e teimosa que nos leva a conhecer o Chapeleiro Maluco, o Gato de Cheshire, a Lebre de Março, dentre outras magníficas criaturas.
Em Alice no País do Espelho, após a menina atravessar o espelho de sua casa, se vê participando de uma partida de xadrez. O mundo em que ela se encontra é como um tabuleiro gigante e cada personagem representa uma peça do jogo, incluindo a própria Alice. Personagens como os irmãos Tweedledum e Tweedledee, Humpty Dumpty e a Rainha Branca, interagem com Alice que se vê muito confusa, mas não menos fascinada que o leitor diante de tanta poesia e jogos de palavras. E por falar em palavras, o livro é excelente atrativo da língua por todas as referências que faz a ela: "Quando eu utilizo uma palavra - disse Humpty Dumpty, em um tom de grande sarcasmo -, ela significa exatamente o que quero que signifique, nem mais, nem menos."
Perto das crianças pelo seu mundo mágico e próxima dos adultos pela riqueza que permeia a obra, Alice sempre será um importante elemento universal. Nenhuma outra personagem infantil lida como ela com a realidade fantástica e isso se percebe por suas falas espontâneas e cativantes e por sua relação com as experiências únicas que a cercam. Certamente, Carroll soube contar sua história como ninguém e merece ser lido.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Alienante Alienista

Não há quem tenha passado pelo ensino médio ou pré-vestibular sem ao menos ouvir falar da obra O Alienista. Publicada em 1882, conta a história do homem que encerra em um hospício boa parte da população de uma cidade. Seu autor, Machado de Assis, além de ser um dos mais importantes nomes da literatura brasileira, foi um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, romancista, contista, poeta, dramaturgo, cronista e crítico literário. Dentre suas obras mais famosas estão os romances Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba.

Considerada uma novela por alguns e um conto mais longo por outros – possui quase 50 páginas – , O Alienista, cujo personagem justifica seus excessos como um bem para o futuro da ciência, seria uma crítica ao cientificismo do século XIX. Os treze capítulos abordam um a um as peripécias do Dr. Simão Bacamarte ao classificar os habitantes de Itaguaí em sãos e loucos. No decorrer da história, muda consistentemente de critérios para avaliar a condição mental das pessoas, chegando a internar até mesmo sua esposa no hospício conhecido como Casa Verde.

Situações inusitadas surgem para mostrar características psicológicas de personagens condizentes com a realidade de qualquer leitor. A mulher que presta atenção na forma de se vestir das amigas, o senhor que gosta de se expo à janela de sua mansão, os vereadores que decretam que nem um deles poderá ser internado na Casa Verde e até mesmo o estranho personagem do Dr. Bacamarte que mesmo fazendo coisas absurdas e causando uma revolução, ainda tem a estima do povo.

Com um texto envolvente e um tanto cômico, Machado de Assis leva os leitores ao encontro de um estilo culto e acessível. Com esta história tão curiosa e narrada de forma rápida e ao mesmo tempo bem detalhada, não é difícil perceber porque o meio acadêmico dá tanto valor a esta obra.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Dez (quase) amores

Amei! E foi amor completo. Com direito a idealização, vivência e desconstrução do mito. O livro de estréia de Cláudia Tajes, “Dez (quase) amores”, trás em suas pouco mais de 100 páginas muito humor e irreverência. Narrando as aventuras – e desventuras – amorosas de Maria Ana, a autora consegue a simpatia dos leitores tanto pelas engraçadíssimas situações em que a personagem se encontra, como também pelo fato de estes enredos remeterem a pelo menos um capítulo da vida amorosa de qualquer mulher.


Os amores se passam em capítulos, um a um. Começa no namoradinho de infância e vai até o hilário mágico eslavo, que tem pouco de mágico e menos ainda de eslavo. Desfazendo todas as teorias que levariam qualquer mulher a crer que a protagonista de uma história de amor acabaria nos braços de um Don Juan, Tajes faz de Maria Ana uma mulher muito real. Tão real, que é impossível não ler o livro sem pensar que a autora está escrevendo algum tipo de biografia.


Página por página, é fácil ver as mulheres de carne, osso e cérebro se identificarem com o pavor de ter aparecido na televisão em seu pior ângulo, de encontrar aquele paquera no dia em que o cabelo não toma jeito, ou ainda, a frustração de não cumprir o juramento de nunca tomar para homem de sua vida alguém chamado Dejair.


Os processos? A primeira vista a identificação com o tema toma proporções de idolatria. Depois, a leitura leve pode deixar o leitor mais desconfiado com a impressão de que o livro é um pouco absurdo demais. Mas, como todo amor que se preze, ao final se percebe que a obra foi feita para se gostar assim mesmo, como a uma amiga: com simplicidade, sintonia, muita criatividade e um tremendo de um bom-humor.