segunda-feira, 11 de março de 2013

Fortaleza Digital




O primeiro livro de Dan Brown explora o mundo da criptografia através da invasão de um poderoso computador por um ex-funcionário da NSA. Misturando computação, espionagem e diversos países, uma das diferenças em relação aos demais livros do autor está no herói, que no caso de Fortaleza Digital é uma heroína, a matemática Susan Fletcher.

Logo no início, o leitor irá se deparar com duas situações contrastantes, de um lado, o invasor Ensei Tankado está morrendo em Sevilha, de outro, Susan sonha que está sendo pedida em casamento em Smoky Mountains.

Mas no lugar de um pedido romântico ela é separada do noivo e chamada para atender uma emergência, o supercomputador TRANSLTR estava a mais de quinze horas tentando decifrar um código, algo que nunca havia ocorrido.

Enquanto Susan corre para descobrir o misterioso código, a história de Tankado é contada, incluindo o fato de ele ser uma vítima da radiação da bomba atômica jogada em Hiroshima. Mas sua deformidade não afetava a sua inteligência, possibilitando a chance do rapaz trabalhar no país que jurara odiar.

Tentativas de assassinato, pessoas não confiáveis, correria, família, tudo o que conquistou o leitor em O Código Da Vinci já estava presente nesta ficção no mundo nerd. Como todos os livros de Brown, a leitura é rápida e cativante, ideal para relaxar e brincar de investigar.

Fortaleza Digital (Digital Fortress)
Dan Brown
Tradução: Carlos Irineu da Costa
Editora Sextante
1998 – 331 páginas

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Nosso Muro de Berlim



Tino, Henrique e Luisinho resolvem fazer uma aposta na hora do recreio: quem consegue ficar mais tempo plantando bananeira. Os colegas fazem uma roda para ver, e na vez de Tino, ele identifica um estranho par de pernas femininas.

As pernas pertenciam a Elisa, uma aluna do mesmo colégio, mas que fica do outro lado da jabuticabeira. Ela havia ultrapassado os limites durante uma brincadeira de esconder. Ao revelar o novo mundo aos colegas de classe, todos resolveram experimentar, mas a turma que de Tino não aceitou muito bem e uma guerra estava formada, colocando em risco a existência das árvores no colégio.

Neste livro infanto-juvenil, Lino de Albergaria fala sobre as diferenças e o novo para os pequenos. Mostrando, em uma história rápida e bonitinha, que desde cedo precisamos estar abertos a conhecer novas pessoas e limites. Onde o convívio entre diferentes turmas é possível, basta não se bitolar no próprio mundinho.

Um livro bacana para as crianças lerem e os pais compartilharem.

Nosso Muro de Berlim
Lino de Albergaria
Desenhos: Paulo Bernardo
Editora FTD
Coleção Terceiras Histórias
1989 - 39 páginas

domingo, 10 de fevereiro de 2013

79 Park Avenue



Antes de iniciar a leitura, já é possível saber que Maryann Flood comanda uma rede de prostituição e por isso é ré de um caso onde o promotor é Mike Keys, um homem com quem já manteve um relacionamento amoroso.

Mas só ao folhear as páginas iremos nos deparar com os jovens Marja e Mike. Ela, desde nova é sedutora, mesmo na adolescência, é impossível aos homens de todas as idades não a olharem e pensarem logo em sexo. E Marja sabe usar isso, de maneira vulgar e barata. Só que esse conjunto cobra um preço alto da personagem que é estuprada pelo padrasto e acaba indo para o reformatório ao se vingar.

Já Mike é um rapaz esforçado, que trabalha desde jovem, mas comete o erro de se apaixonar por Marja. Algo que só irá lhe trazer sofrimento e encrenca conforme suas vidas vão se cruzando, não permitindo que ele esqueça o amor pela bela loira, e os poucos momentos que compartilham, servem para marca-lo como uma tatuagem.

Enquanto Marja utiliza o seu corpo para a prostituição e mais tarde para se tornar chefe de uma das redes de negócios dos gangsters de Nova York, Mike envereda para a justiça, buscando o seu lugar na promotoria.

Ao misturar violência, sexo e amor, Harold Robbins cria uma história fascinante do submundo da prostituição. Utilizando duas narrativas, primeira pessoa para Mike e terceira para Marja, consegue passar ao leitor o aspecto encantador de Mike e a aparência fria de Marja, dando aproximação e distanciamento conforme os personagens, cuja caminhada sempre busca valores opostos e a única coisa em comum é o amor que sentem um pelo outro.

Uma história envolvente e rápida de ler. Com algumas cenas mais fortes, não é um livro para se torcer por um final feliz, e sim para acompanhar, como ocorre na vida real, a mudança de rumo a cada ação ou escolha dos personagens envolvidos.

79 Park Avenue
Harold Robbins
Tradução: Nelson Rodrigues
Editora Record
1983 – 307 páginas

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Remédio Amargo



Em 1957 o Dr. Andrew Jordan não vê melhoras em uma paciente e joga toda a sua frustação em uma jovem representante farmacêutica. Ao contrário de se intimidar, Celia de Grey vai me busca de um remédio que o auxilie. O que resultou em um verdadeiro milagre e em um casamento.

Celia de Grey é uma mulher inteligente e ambiciosa, e através da sua personagem o autor Arthur Hailey passa por diversos cargos e situações da indústria farmacêutica no período de 1957 a 1985, ao mesmo tempo em que mostra a luta da mulher para assumir cargos antes considerados masculinos.

De representante até presidente, Celia irá se deparar com remédios milagrosos, liberações questionáveis, processos, efeitos colaterais, lucro e sucesso. Todos itens comuns nos bastidores de uma das áreas que lidam com a vida e a morte, a tranquilidade e a dor.

Seu marido mostra um pouco do relacionamento dos médicos com essas drogas de fácil acesso, onde não raro um doutor acaba se tornando viciado em algum tipo de droga, visto que as mesmas são distribuídas de forma indiscriminada. É dele também o lado sensível de apoiar uma mulher que está em constante busca pelo crescimento profissional e quando chega ao posto máximo enfrenta diversas dificuldades.

Para os que criam novas fórmulas, o grande inimigo é a AAA, responsável pela aprovação dos medicamentos que vão para o mercado. Odiada pelos pesquisadores dos laboratórios, os diálogos com os seus representantes são frios e diretos. Assim como a busca de burlar ou forçar o sistema.

Um dos dramas da história é o medicamento Montayne, um medicamento francês cujo presidente do laboratório de Celia adquire os direitos. Seu uso é destinado a combater o enjoo de gestantes, sendo uma promessa de muito lucro. Quando o medicamento é aprovado na França, Celia não se sente confortável, lembrando-se do medicamento da chamada geração talidomida, que gerou nas décadas de 50 e 60 milhares de bebês com defeitos congênitos. Mas ela cede ao entusiasmo e com a aprovação, mas ao ler notícias ao redor do mundo e tentar alertar, vê o seu aviso recusado, sendo obrigada a ter parte em algo com efeitos devastadores para famílias e para o laboratório que trabalha.

Uma história envolvente, que fica na memória do leitor mesmo depois de fechar a última página. Mesmo sendo muito atual, só é encontrado em sebos, fazendo valer uma pequena pesquisa.

Remédio Amargo (Strong Medicine)
Arthur Hailey
Tradução A.B. Pinheiro Lemos
Editora Record
1984 – 486 páginas

sábado, 26 de janeiro de 2013

O Mestre dos Quebra-cabeças



De forma delicada e envolvente, a autora Betsy Carter usa como base a história de sua própria família para falar aos leitores sobre os imigrantes judeus nos Estados Unidos. Seus personagens bases são o lituano Simon e as irmãs alemãs Grossman no período que vai de 1892 a 1936.

Simon é enviado ainda menino, sozinho, em um navio. Chegando a New York, consegue uma vaga em uma pensão e aprende a se dividir entre o trabalho e estudos. Logo cedo descobre o preconceito e os espertinhos. Com grande talento para desenho e criação, ele se torna um homem de negócios rico e conhecido principalmente por seus quebra-cabeças. Sua paixão é Flora Grossman, sua esposa, que como ele, veio cedo com a irmã Seema para os Estados Unidos e foi acolhida por um casal de tios.

Flora é sonhadora e apaixonada, junto com o marido, permanece seguindo tradições e possui uma postura tradicional de dona de casa, só saindo da casa de seus tios no momento do casamento. Seema é sedutora e já não se apega a suas raízes, permitindo inclusive que um amante altere o seu sobrenome para Glass. Em comum, elas possuem como ponte a antiga pátria, onde estão a mãe, uma irmã e sua sobrinha, o que faz com que o nazismo seja uma preocupação mesmo a distância.

Mas ao contrário do que se possa imaginar, o livro não é sobre a guerra, e sim sobre família, encontros e desencontros, culpa, ambição, descobertas, mágoas e saudade. Com narrativa em terceira pessoa, o livro é bastante leve, a história cativa, e os personagens parecem virar amigos próximos, onde suas escolhas e ações são muito humanas.

Um livro encantador, que mistura ficção e realidade, sendo perfeito para quem busca uma leitura agradável sem ser superficial. E o melhor de tudo, encontrei novinho em folha em um dos balaios de oferta da Feira do Livro de Porto Alegre, sendo um exemplo de como é bom dar uma procurada com carinho em cada banca.

O Mestre dos Quebra-cabeças
Betsy Carter
Tradução: Sonia Pinheiro
Editora Planeta
2009 – 351 páginas

domingo, 20 de janeiro de 2013

Aprendendo a Seduzir


Após a leitura de Procurando Kevin, somado ao fato que o livro seria lido na sua maior parte na praia, o título selecionado foi um romance bem leve, daqueles para se distrair após um dia de muita água e caminhada.

Meg Cabot utiliza o pseudônimo de Patricia Cabot para contar a história de Lady Linford na Inglaterra de 1870. A garota está noiva do Marquês de Winchilsea, um homem bonito e charmoso, responsável por salvar seu irmão, que levou um tiro após uma tentativa de assalto.

O leitor sabe antes de conhecer Caroline que na verdade seu irmão, Thomas, fora vítima de uma tentativa de assassinato, já que ousou em um jogo de cartas, acusar o responsável de trapaceiro. Assim como descobre logo de início, desta vez junto com Caroline, o caso do Marquês com a sedutora Jacquelyn.

O primeiro pensamento de Caroline é terminar o noivado, mas sua mãe a impede, alegando que a culpa é da moça. Com isso, precisa buscar conhecimento para seduzir o futuro marido e demonstrar que pode ser tão desejável quando a sua amante. Para professor, escolhe o noivo da outra, o famoso fabricante de armas Braden Granville, conhecido por ser um dos maiores conquistadores de Londres e por estar atrás do homem que frequenta a cama da sua noiva, pois a única forma de cancelar o casamento sem ter que pagar milhões a traidora é achando o amante.

Entre beijos ardentes, cobrança de dívidas, em paralelo está o preconceito da época sobre quem possuía títulos e os novos ricos. Nobres falidos que se casam com pessoas que julgam inferiores apenas para manter o seu status, esnobando e ironizando seus pares. E mesmo Caroline, por possuir um título recente, é considerada apenas um meio para saciar a falta de dinheiro do Marquês.

Também há uma pincelada da luta pela igualdade feminina, representada pela melhor amiga de Caroline, Emily, que está sempre se envolvendo em protestos e sendo presa por isso.

Uma história para mulheres que gostam de romances leves. Não é um livro para pensar, apenas para relaxar e se deixar levar durante algumas horas, sem pensar em nada mais sério.

Aprendendo a Seduzir
Educating Caroline
Patricia Cabot
Tradução Olga Cafalcchio
Editora Essência – Planeta
1998 – 366 páginas

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Precisamos falar sobre o Kevin


Maravilhada e chocada. Assustada e pensativa. A leitura do best-seller de Lionel Shriver não tem como deixar o leitor passivo. Não assisti ao filme, mas o livro me provocou uma mistura contraditória de sentimentos. Ao mesmo tempo em que ele me causava repulsa, me atraia para saber o que viria nas próximas páginas.
 
Narrado por Eva, através de cartas a seu marido Franklin, a vida dos dois é recontada e junto são repassadas duas versões da maternidade, uma com o seu primogênito Kevin, autor de uma chacina em uma escola americana e da doce Célia.
 
Eva e Kevin se rejeitam desde o início, ele virando a cara para o seio materno, ela não sentindo nenhum vinculo. O bebê chorão afasta todas as babás, obrigando Eva, até então uma empresária acostumada a viajar para inúmeros países, a ficar em casa e criar um filho da qual não sente amor, e sim, medo. Quando engravida novamente, Célia lhe ensina o lado doce de ser mãe, deixando ainda mais claro que a indiferença de seu primogênito não é normal, já que a mesma só foi quebrada uma vez, quando ficou doente e dependente.
 
Entre presente e passado, são listados massacres ocorridos em diversas escolas americanas, assim como críticas ao comportamento da sociedade, violência, anorexia, obesidade, excesso de televisão e a eterna busca de um responsável são alguns dos assuntos abordados durante a desconstrução de Eva. Entre as declarações mútuas de eu te odeio, a história expõe o fato de nem todas as mulheres estarem preparadas para serem mães, ou terem o instinto materno.
 
Não raro o leitor poderá ter vontade de sacudir Franklin, mandar Eva procurar ajuda ou abraçar a pequena Célia. Nesta história, os pais são culpados e vítimas, e como na vida real, talvez eles pudessem ter evitado uma vida sem futuro. Quanto a Kevin, mesmo quando pequeno, já é descrito de forma a não conquistar a simpatia de quem acompanha a história, não despertando pena ou qualquer outro sentimento além do pavor. o que nos faz refletir sobre a frase inicial do livro Éjustamente quando ela menos merece que mais a criança precisa do nosso amor de Erma Bombeck.
 
Um livro para pensarmos sobre a sociedade que vivemos, a maneira como criamos os nossos filhos e muitas vezes nos negamos a enxergar os problemas de quem, por obrigação moral, deveríamos amar. E o pior de tudo, mesmo sendo de 2003, ainda cruelmente atual.

Precisamos falar sobre o Kevin
Lionel Shriver
Tradução Beth Vieira e Vera Ribeiro
Editora Intrínseca
2003 – 463 páginas