quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Cidade de Ladrões


Roteirista de heróis mutantes é convidado a escrever um ensaio autobiográfico. Por não achar a própria vida interessante, resolve insistir para que os seus avós lhe descrevam como foi o período em que viveram em Leningrado, em pleno período do cerco da segunda guerra mundial. E o avô, sempre tão quieto, aceita e resolve narrar os acontecimentos que marcaram sua vida naquele período.

Neste momento o leitor irá acompanhar Lev Beniov e todas as suas aventuras após ser pego retirando objetos de um paraquedista alemão. Para salvar sua vida, ele e Kolya, um soldado acusado de ser desertor, precisam encontrar uma dúzia de ovos para o bolo de casamento da filha de um oficial.

Lev, judeu e filho de um escritor assassinado por ser considerado contra o sistema, acaba assistindo todos os horrores da guerra, escapando, junto com Kolya, de canibais e assassinos, encontrando meninas prostituídas, prédios destruídos e muitas vezes a dor da perda.

Mas Lev também encontra a coragem, acompanha guerrilheiros e se depara com o que considera o amor da sua vida.

Cidade de Ladrões conta uma semana da vida de Lev e Kolya, narrado em primeira pessoa por Lev. Dois estranhos que se tornam grandes amigos, e que fazem o leitor sorrir e ficar triste.

Um livro que mistura leveza com cenas pesadas. Uma leitura rápida, que me fez caminhar na neve, sentir vontade de ler O sabujo no pátio e falar poucas e boas para um certo oficial russo.

* Cidade de Ladrões - David Benioff - Tradução: Álvaro Hattnher - Alfaguara - 290 páginas

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

As Muralhas de Jericó


Josué Guimarães transformou em livro as memórias de sua viagem a União Soviética e China nos anos 50, quando junto com um grupo de jornalistas brasileiros, foi convidado a conhecer o que havia atrás da cortina de ferro, em um período onde a divisão capitalismo x socialismo era muito forte, assim como o domínio norte-americano sobre o Brasil.

Rico em detalhes, o livro mostra as diferenças de opinião de uma época, mitos e interesses comerciais se misturam em cada deslocamento. A diferença de tratamento, o jeitinho brasileiro, o frio, a surpresa, a chuva. É impossível não lembrar das aulas de histórias e comparar com outras leituras.

Essa comparação se tornou mais forte no que se refere à China, enquanto Josué Guimarães listava vários itens positivos, minha mente recordava trechos do livro Adeus, China, onde encontrei algumas discrepâncias no que é relatado pela biografia e pelo autor. Neste momento, me passou pela mente se, como convidados, eles não estiveram interagindo dentro de um teatro.

Isso é algo que não tenho como saber, mas posso dizer que para os fãs de história, e para quem gosta de uma narrativa leve, As Muralhas de Jericó é uma ótima pedida.

*As Muralhas de Jericó – Memórias de Viagem: União Soviética e China nos Anos 50 - Josué Guimarães – L&PM – 2001

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Capitães da Areia



Os capitães são crianças quando veem um carrossel ou lembram de suas mães ao receberem o carinho de Dora, uma menina-moça cheia de maturidade e coragem, que é levada junto ao bando empurrada pela morte. Sem-perna é criança quando se depara com uma mãe de coração despedaçado, que o abraça, o veste e o ama como o menino que só ela enxerga. Pedro é criança quando escuta as histórias sobre o seu pai e a sua imaginação voa por não saber exatamente pelo que ele lutava.

Os capitães são adultos quando roubam, estupram e trapaceiam. Quando quase todo o grupo ignora as lágrimas de uma menina. Quando se arriscam para salvar uma imagem de um dos seus orixás. Quando atacam outros grupos. Quando listam suas regras e aplicam os seus castigos. João Grande é adulto quando defende Dora, colocando os seus princípios acima do grupo. Professor é adulto quando a dor de um amor morto o faz partir e usufruir o seu maior dom.

Jorge Amado é mestre ao levar o leitor às ruas da Bahia, vivendo junto aos meninos de rua, tornando-os íntimos, mas nem sempre amigos. Os cheiros, as dores, o ódio estão latentes nas páginas, e por isso é difícil muitas vezes lembrar que os Capitães da Areia são meninos e não homens. A reação de quem ler vai depender da própria experiência de vida. É possível sentir pena, é possível se sentir indiferente, é possível se aborrecer e pensar no por que a polícia não prende (nem na literatura) esses delinquentes.

É possível chorar. Imaginar o medo de quem os vê. Também é possível analisar como uma história de 1937 pode ser tão atual.

Este foi o primeiro livro que li de Jorge Amado, e fiquei positivamente impressionada com a sua escrita, pelo menos com essa história, que é apaixonante e real. Agora entendo a razão de sua fama e por que tantas de suas obras se tornam novelas, séries e filmes, pois ele é rico em detalhes e enlaces. Um autor que nenhum brasileiro pode deixar de ler, mesmo que seja apenas um livro.


*Capitães da Areia - Jorge Amado - Editora Record - 1937 - 231 páginas

** Versões atuais sairam pela Companhia das Letras

domingo, 1 de janeiro de 2012

Marcada








Marcada é o primeiro livro da série House of Night escrito pela autora P.C. Cast e sua filha Kristin Cast. Conta a história de Zoe Redbird, uma adolescente que foi “marcada”, o que significa que após um período em transformação irá virar uma vampira. Ela terá de abandonar sua vida pregressa para habitar a Morada da Noite. Em meio à rotina noturna de sua nova escola/lar, conhece as pessoas que se tornarão seus melhores amigos – Steve Rae, Erin, Shaunee, Damien e Eric, e se vê dotada de poderes que nem imaginava serem possíveis.

Neste mundo de vampiros novatos é que se passa a empolgante e adolescente história de Marcada.  Como introdução à série, certamente deve ser o livro mais fraco. Não cativa instantaneamente por conta da comparação com séries como Crepúsculo (inevitável, apesar de Marcada ser sem dúvida mais voltada ao público adolescente que a série de Meyer). Mas, mostra personalidade  e é um bom começo para uma coleção que tem tudo para entrar no hall de livros “febre do momento”.

Marcada trás Zoe, trás a adolescencia com suas impulsivas decisões e importantes amizades, trás valores, trás sedução – e vampiros não existem sem este quesito, trás o misticismo nos arabescos, nos rituais e, claro, nos poderes concedidos pela deusa da noite. 

Os vampiros são muitos pela literatura a fora mas, o que importa não é o que melhor os retrata ou quem copiou o que de quem. O que importa é as diferenças e igualdades dos mundos descritos, é a criatividade na relação entre o que já existe e o que pode ser inventado sem ser chato. E definitivamente, Marcada não é um livro chato. Tem nele o envolvimento que nos leva a querer ler mais e mais. 


CAST, P.c.; CAST, Kristin. Marcada. São Paulo: Novo Século, 2009. 328 p. (House f Night).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mais um ano se foi...



E vem aí um ano novinho para darmos continuidade a tudo aquilo que nos faz bem.

Ria,
chore,
seja sincero consigo mesmo,
ame aquele alguém especial,
dê atenção aos amigos...
E leia! Leia muito!!!

Um ótimo Natal e um Ano Novo próspero para todos os literamados leitores!





terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Aurora Boreal



A aurora boreal se contorce e gira como um dragão no céu noturno. Estrelas e planetas são obrigados a dar passagem a ela, esse grande milagre de luz trêmula, enquanto percorre tranquilamente seu caminho pela abóbada celeste.”

Na igreja de cristal, situada na gelada Kiruna, uma pequena cidade da Suécia, Viktor, o homem que morreu e voltou, e agora falava em nome de Deus, é mutilado em seu próprio território e tem o seu corpo encontrado pela irmã Sanna, uma mulher bonita e encantadora, mãe de duas meninas, que sob pressão se fecha em um mundo próprio.

Em Estocolmo, Rebecka esconde as lembranças do passado, e vive uma vida solitária, dedicando tudo a sua carreira como advogada tributária. Mas a morte de Viktor lhe puxa de volta para as origens.

Durante sete dias Rebecka irá reviver lembranças e perdas, ao mesmo tempo em que irá se deparar com fraudes que enriqueceram os pastores da Igreja da fonte de Toda a Nossa Força e mistérios que fazem com que todos os envolvidos diretamente com o morto fiquem calados. Entre um bilhete de ameaça e pontos que não formam a imagem da resposta, ela encontra nos policiais Anna-Maria e Sven-Erik o apoio necessário para desvendar o segredo encoberto pela morte de Viktor.

Rápido, cativante, Asa Larsson prende o leitor com o seu Aurora Boreal, deixando na última página um gosto de quero mais. Rebecka, sua personagem principal, cativa sem ter o perfil clássico de heroína, e conforme as páginas vão avançando, dúvidas e certezas se misturam na cabeça do leitor.

Uma curiosidade, assim como Stieg Larsson, a autora nomeia um dos seus personagens com o seu sobrenome.

Aurora Boreal
Asa Larsson
Tradução Francisco José M. Couto e Éric R. R. Heneault
Editora Planeta
2010
302 páginas

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O Desfiladeiro do Medo



Na contracapa, Tarantino desfia uma série de adjetivos para o autor Clive Barker, que neste livro descreve através da propriedade chamada Coldheart Canyon toda a relação dos astros de Hollywood com a fama, com os fãs, com seus empresários, com os diretores dos estúdios e com eles mesmos.

Em um primeiro momento conhecemos Katya Lupi e seu empresário Zeffer, que para agradar a estrela, pelo qual é apaixonado, compra uma série de ladrilhos misteriosos na Romênia, que formam um conjunto de pinturas chamado de a caçada, e a transfere para uma sala especial na mansão da famosa atriz do cinema mudo.

Avançando no tempo, o leitor irá conhecer Todd Pickett, um homem bonito, que causa suspiro em muitas fãs e vê o tempo (e atores mais jovens) como o seu maior inimigo. Ao realizar uma cirurgia plástica que lhe causa mais danos do que benefícios, acaba por se esconder em uma antiga mansão e conhecendo a própria Katya, dona do local, que apesar de centenária permanece jovem, os espíritos que a cercam e a terra do demônio. Na companhia de sua anfitriã, verá antigos astros realizarem orgia e as estranhas criaturas por eles geradas.

A heroína da história é a fã obcecada Tammy, uma mulher infeliz com o casamento e com o próprio corpo, que se ocupa em acompanhar a carreira de Todd, e sai em busca do ator quando este desaparece. Ao mostrar sua coragem e bondade, acaba conquistando amigos improváveis.

O livro possui 700 páginas e poderia ter mantido o título original, Coldheart Canyon, assim como poderia ser reduzido pela metade, tamanho o besteirol escrito. Misturando espíritos, demônios e sexo, tendo muito mais foco para o sexo, o livro não assusta, nem causa arrepios, mesmo nos poucos assassinatos narrados. Muitas vezes fiquei pensando se o escritor havia sido esnobado por muitos astros, ou se é complexo de inferioridade, ou se a escrita é ruim mesmo.

Perdoem-me os que gostaram do livro, mas o achei superficial, bobo e longo demais para o fraco conteúdo apresentado.

O Desfiladeiro do Medo (Coldheart canyon)
Bertrand Brasil
2002
Tradução Ruy Jungmann
700 páginas