domingo, 23 de dezembro de 2012

E mais um ano passou...


Para os fãs dos livros que acompanham o blog ou eventualmente venha parar por aqui, desejo que Papai Noel lhes traga uma noite tão especial quando aquele livro escolhido para morar no seu coração.
Que ele lhe traga tempo para se dedicarem a novas histórias, e quem sabe, deixar embaixo da árvore mais livros inesquecíveis.

Um Feliz Natal a todos.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Os Crimes do Mosaico

O leitor está em Florença. O ano é 1300. A cidade é comandada por um grupo de priores. Mas quando ocorre um assassinato brutal em uma obra, a guarda principal opta me chamar um deles pelo seu conhecimento: o poeta Dante Alighieri.
A vítima é um mosaicista chamado Ambrogio, conhecido por diversos trabalhos. Morto em seu local de trabalho, com seus próprios materiais, tudo leva a crer que o motivo é o seu trabalho atual, um estranho mosaico inacabado.
Essa é a cena inicial do thriller de Giulio Leoni, que ao transformar Dante em um detetive, leva o leitor pelas ruas de Florença em busca da chave para desvendar esse grande mistério, que envolve um grupo de homens de diferentes áreas dispostos a criarem uma universidade da cidade, uma dançarina que transpira sexualidade e segredo, levando o poeta a esquecer por alguns momentos sua Beatrice, além de grandes debates sobre o mundo e Deus.
Em paralelo, homens do papa Bonifácio chegam a Florença com a intenção de domina-la, fazendo com que Dante precise dividir os seus pensamentos entre a busca pelo assassino e evitar que homens em busca do poder absoluto tomem a sua cidade.
Na história Dante é grosseiro, amargurado e endividado. O seu saber muitas vezes o faz humilhar aqueles que julga ignorante, como o chefe da guarda. Como não conheço o suficiente da história do poeta e político, apenas que ele realmente enfrentou o papa Bonifácio e por isso acabou exilado, morrendo sem nunca mais pisar em sua amada cidade, ficou a dúvida se esse era o perfil real ou apenas uma pitada para tornar o personagem da ficção mais interessante.
Os Crimes do Mosaico é um livro bem escrito, que pode levar o leitor a pensar sobre diversos aspectos e ao mesmo tempo leva-lo a conhecer um pouco da antiga Florença. Mas ao mesmo tempo ele não me prendeu. Gostei da história, mas não fiquei com aquela vontade de ler novamente ou curiosa por outro livro do escritor. Não sei se foi o período escolhido pela leitura, mas o fato é que me despeço da última página sem dor.

Os Crimes do Mosaico
Giulio Leoni
Tradução Gian Bruno Grosso
Editora Planeta
2004 – 379 páginas

domingo, 18 de novembro de 2012

Água para Elefantes


Jacob Jankowski não sabe se tem 90 ou 93 anos. Ele mora em uma casa de repouso para idosos, não gosta da comida e prefere usar o seu andador a cadeira de rodas. A chegada de um circo deixa todos em polvorosa, mas é quando McGuinty, outro idoso, afirma que costumava levar água para os elefantes que ele fica furioso, chamando-o de mentiroso.
 
A soma dos fatos o faz recordar sua juventude, mais precisamente o período em que perdeu os seus pais em um acidente de carro e descobre que eles estavam endividados para pagarem sua faculdade de veterinária. Confuso, ele abandona os exames finais e acaba fugindo em um trem, o trem dos Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra.
 
Sara Grued divide a sua narrativa em duas partes. Se de um lado temos o velho Jacob, saudoso de sua esposa e esquecido pelos filhos, do outro temos um mundo agitado e nem sempre colorido, onde o leitor é apresentado a Marlena, uma jovem bonita que encanta o coração do jovem Jacob, mas é um desejo proibido, por estar casada com August, um homem temperamental, que alterna o seu humor constantemente, sendo sorridente em um momento e violento em outro.
 
Também temos Tio Al, dono do circo, que paga os seus funcionários quando tem vontade, corre o país recolhendo os restos de circos falidos e atira seus empregados do trem em movimento quando quer reduzir custos.
 
Entre os personagens pitorescos temos Camel e Walter, o primeiro responsável por colocar Jacob no circo, o segundo é obrigado a dividir o dormitório com aquele jovem estranho. E claro, Rosie, a grande elefante que só atende ordens em polonês.
 
Romance, drama e comédia se misturam de forma simples e graciosa nesta história bonita e rápida de ler. Existe uma naturalidade nos fatos que nos permite entrar na rotina dos personagens e dividir sentimento com eles.
 
Um livro sobre juventude e velhice, escolhas, amores e amizades. Uma boa pedida para o verão que está chegando.
 
Uma última observação: Não vi o filme, mas mesmo conhecendo os atores, meus personagens são bem diferentes na minha imaginação.

 
Água para Elefantes (Water for Elephants)
Sara Grued
Tradução: Anna Olga de Barros Barreto
Editora Arqueiro
2006 – 272 páginas

domingo, 4 de novembro de 2012

Trilogia Princesa


Ao contrário do que o título possa insinuar os livros de Jean P. Sasson não são uma narrativa sobre contos de fada ou um romance onde o amor é o grande vencedor. Os livros Princesa, As Filhas da Princesa e Princesa Sultana nos contam uma realidade muito distante dos brasileiros: os das mulheres árabes.
Sultana é uma princesa saudita, pertencente à família real da casa de Al Saud, que entregou os seus diários a escritora americana. Seu nome é mantido sob sigilo, pois a revelação da sua identidade a condenariam, assim como a sua família.
Logo na introdução do primeiro livro ela explica a diferença entre filhos e filhas. O fato de um menino ser tratado como Deus, e um homem ter várias esposas até que uma gere o que ele deseja, o medo constante da esposa que deu luz ao primogênito.
Sultana nunca aceitou o seu papel. Desde cedo provocava o irmão, em um mundo onde a mulher não possui o direito de se expressar. Mas também teve sorte, pois sua mãe conseguiu educar suas filhas e mesmo sendo rebelde, seu pai fez um casamento com um homem jovem e que a permitia falar. Ao contrário de sua irmã Sara, que sonhava em estudar arte na Itália e virou a terceira esposa de um homem de 62 anos, tentando o suicídio menos de dois meses após a cerimônia.
Ter que esconder o rosto, não poder estudar, não poder dirigir, violência física e sexual, religião. Jovens mulheres ousadas que abordam bonitos estrangeiros para quebrarem a monotonia e encontram a morte. Compras no exterior e a inveja da liberdade das mulheres estrangeiras. Necessidade de lutar pelo respeito. Depressão. Inutilidade. Uma pequena solução que pode se tornar a grande solução em um mundo de humilhações.

Nos três livros acompanhamos Sultana da infância até a sua maturidade, todas as situações que ela vê. Em muitos momentos é possível sentir o sofrimento. Tristeza. Horror. O desejo que tudo fosse ficção e não uma história real.
Uma trilogia para todos os que prezam a liberdade e o ser humano. Que nos faz ter o desejo de lutar por maior igualdade e não entender como muitos governos podem apoiar esses ditadores, trocando o respeito ao próximo pelo petróleo.
Princesa - A história Real da vida das mulheres árabes por trás de seus negros véus
Tradução Regina Amarante
247 páginas
As Filhas da Princesa - As revelações íntimas de uma mulher saudita sobre sexo, amor, casamento - e o destino de suas belas filhas - por trás dos véus
Tradução Yara A. Moreira
240 páginas
Princesa Sultana - Sua vida, sua luta
Tradução Therezinha Monteiro Deutsch e Sylvio Deutsch
303 páginas
Autora Jean P. Sasson
Editora Best Seller


sábado, 27 de outubro de 2012

Nada Dura Para Sempre


Médicos, mafiosos e advogados se misturam neste romance escrito em 1994 por Sidney Sheldon. A mocinha neste romance é Paige Tayler, uma médica que está sentada em um tribunal sob acusação de ter assassinado um paciente por um milhão de dólares.
 
Ligada a Paige estão suas amigas Kate Hunter e Betty Lou Taft, únicas mulheres em um grande grupo de residentes no ano de 1990 em um hospital de São Francisco. Se as primeiras impressões não são exatamente as mais certas, o laço que irá se formar entre as três é indiscutível.
 
Se Paige cresceu junto à cruz vermelha e abraçou a medicina por amor. Kate precisou muito para superar o preconceito de sua cor e ser aceita em uma universidade. Betty Lou sonhava em ser enfermeira, mas foi obrigada pela família a ser médica, adotando métodos poucos ortodoxos para superar os obstáculos da faculdade e no próprio exercício da profissão.
 
Família, amores, conquistas, apostas, lágrimas, perseguições, morte, ironia e redenção. Como um bom romance de Sheldon, nada disso falta. A história é fácil de ler, mas nem por isso leve, pois as personagens estão longe de serem perfeitas em relação a itens como moral, ética e auto-estima. Mesmo assim, é difícil não sofrer junto com elas.
 
Um livro para ler nas férias e relaxar nas mãos de um dos mestres dos best-sellers.

Nada Dura Para Sempre
Sidney Sheldon
Record
Tradução: Pinheiro de Lemos
366 páginas

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Traição Mortal


Dizem que na guerra e no amor vale tudo. No caso do décimo segundo livro da série mortal, homens que operam com negócios ilegais resolvem optar em contratar um assassino de aluguel conhecido como Sly Yost para eliminar os que atravancam o seu caminho.

Yost possui uma assinatura nas suas mortes: espancamento, estupro e um fio de prata, independente do sexo. Procurado por muitos, inclusive pelo FBI, resolve atacar os funcionários de Roarke, o que faz com que ele caia na mira da tenente Eve Dallas.

Nesta história Eve irá encontrar dois inimigos, o tempo, já que o assassino possui um cronograma curto para suas execuções e a inveja, já que em uma semana ela evolui mais do que os órgãos federais e internacionais, e muitos agentes irão querer levar a glória de capturar um dos homens mais procurados.

Para dar um toque de leveza, os ataques de ciúmes e McNab e Peabody geram situações engraçadas, assim como a terrível esteticista Trina, a única mulher capaz de provocar medo em Eve.

Em cena, um amigo antigo de Roarke, Mick, que irá revelar um pouco das peripécias dos dois em um passado não tão distante.

Amizade e dinheiro estão no centro dessa história sangrenta, onde os detalhes de cada morte podem provocar arrepios até no leitor mais desatento.

Traição Mortal
Nora Roberts
Tradução: Renato Motta
Bertrand Brasil
420 páginas.

sábado, 13 de outubro de 2012

A Batalha do Apocalipse


O fim do mundo começou no sétimo dia. Quando Yahwed foi descansar e deixou os humanos aos cuidados dos seus arcanjos. Mas na história de Eduardo Spohr, não apenas Lúcifer inveja os homens, mas também os seus irmãos, como o príncipe dos Anjos, Miguel.
 
Entre as tentativas de eliminar com a vida na terra, onde é citado o dilúvio – aqui uma obra de Miguel e não do criador-, um pequeno grupo de anjos guerreiros se revoltam contra as ordens, sob o comando do general Ablon. Mas como os arcanjos são poderosos, eles se tornam renegados, expulsos do céu e condenados a viver na terra.
 
No céu, a luta pelo poder faz com que Lúcifer entre em batalha com Miguel, e Gabriel assuma a responsabilidade de proteger Cristo de seus irmãos. Enquanto o diabo é expulso, os renegados são caçados na terra.
 
 
Entre fugas e andanças, Ablon, o general dos renegados, vê seus seguidores morrerem e descobre o amor em uma humana, a feiticeira necromante Shamira, que possui o dom de utilizar a energia dos mortos para permanecer jovem durante vários séculos.
 
 
Mas ao final do sétimo dia é também a hora do apocalipse. E neste momento, Ablon terá que realizar muitas escolhas e descobrir em quem irá ou não confiar. Enquanto os anjos se preparam para a grande guerra dos arcanjos, para saber com quem ficará o poder, Ablon escuta tanto do demônio quanto de Gabriel propostas de aliança. Em paralelo, a terceira guerra mundial explodiu, e Nova York já desapareceu.
 
 
A Batalha do Apocalipse é uma história fantástica bem interessante. Tem a ironia de Deus estar dormindo enquanto a humanidade sofre várias tentativas de aniquilação por parte do seu principal arcanjo. Uma nova visão sobre o surgimento de Cristo, que me lembrou a ousadia de Dan Brown em O Código da Vinci, mas pela diferença de escrita, não gera nenhum protesto entre os mais religiosos. A filosofia sobre o nosso livre arbítrio, como uma lembrança de que muitas vezes colocamos no destino a responsabilidade por algo que foi de nossa própria escolha.

Por outro lado, considero exagero do José Louzeiro, que escreve a sua opinião nas orelhas do livro, comparar a história com o estilo de J.R.R. Tolkien, autor da trilogia Senhor dos Anéis. Pois em alguns momentos, Spohr exagera no inverossímil, podendo deixar o leitor mais exigente um pouco incomodado, atrapalhando assim o ritmo de leitura da história.
 
Enfim, uma história interessante, com mocinhos e bandidos, amores e ciúmes, coragem, fé e redenção. Uma boa leitura para quem gosta de história fantástica, anjos e sangue.

A Batalha do Apocalipse – Da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo
Eduardo Spohr
Editora Versus
586 páginas