segunda-feira, 15 de julho de 2013

Coleção Itaú de Livros Infantis


A Fundação Itaú Social tem um projeto muito legal para os pais que querem estimular a leitura em seus filhos, todos os anos eles enviam, para quem se cadastra no site, 3 livros para os pequenos de até 5 anos.

Descobri isso no ano passado e achei a ideia maravilhosa. Apesar de não ser cliente do banco, o mesmo subiu vários pontos comigo por essa iniciativa. Abaixo uma breve análise dos títulos.

Lino de André Neves conta a história de um brinquedo em uma loja que é separado de sua melhor amiga. Com belas ilustrações, é uma história muito bonitinha, ouso dizer poética, sobre amizade e como recordar quem está longe.

O Ratinho, O Morango Vermelho Maduro e o Grande Urso Esfomeado de Don e Audrey Wood. Um alerta aos leitores, você termina o livro com vontade de comer um morango bem suculento. Com belas ilustrações, o narrador brinca com o ratinho e com as crianças, enquanto o personagem se vira para conseguir ficar com o morango sem ser atacado pelo urso do título.

Poesia na Varanda de Sonia Junqueira com ilustração de Flávio Vargas. Iniciando com uma frase de Guimarães Rosa, o tema das poesias é... a própria poesia. De formas simples e delicada, conquista facilmente pequenos e grandes leitores.

Em 2013 ficarei novamente de olho. Fica a dica para quem também busca novas histórias para os seus filhos. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

As Meninas



Brasil. São Paulo. Em pleno regime militar, o leitor irá acompanhar a história de três jovens universitárias em um breve período de tempo. Todas vivem em um pensionado de freiras, cujas aulas se encontram suspensas, e permitem que assim, as meninas enveredem por outros caminhos.

Lorena é a amiga rica. Fornece desde cremes, maquiagens, perfumes até dinheiro e o carro da própria mãe para fins não muito próprios para a época. Vive esperando a ligação de um homem pelo qual se diz apaixonada. Um homem casado e que não teria coragem de tirar sua virgindade. Em suas conversas, lembra-se da morte acidental de um irmão. Uma personagem que deixa o leitor em dúvida sobre o que é verdade, superficialidade ou ilusão.

Lia está se preparando para ir embora. Aguarda a liberação do namorado da prisão. Militante de um grupo de esquerda, ao mesmo tempo em que critica, busca o apoio de Lorena. Tem por hábito usar o carro da mãe da amiga para atender ações do seu grupo.

Ana Clara é a bela das três. Beleza desperdiçada com drogas e álcool. Tem um amante que compartilha de suas viagens. E espera que o seu mundo mude se casando com um noivo rico. Para recuperar a virgindade muito perdida, recorre ao dinheiro de Lorena para realizar uma cirurgia.

Ao mesmo tempo em que narra um momento político, situando o leitor sobre a realidade da década de 70, de outro as preocupações que atingem as meninas do título parecem fúteis e atuais. Nem mesmo Lia, a politizada das três, me pareceu fugir disso em seus medos e sonhos. Mostrando que independente da época ou situação, a cabeça das adolescentes continua com as mesmas preocupações típicas.

Ao contrário de Ciranda de Pedra, este livro não me envolveu tanto. A história é muito boa, mas não consegui criar uma empatia por nenhuma das três, e em alguns momentos elas me despertavam o desejo de sacudi-las. Algumas vezes pensei em parar a leitura, mas afirmo desde agora que vale e muito ir ao final, que me tocou e surpreendeu.

As Meninas
Lygia Fagundes Telles
Companhia das Letras
1973 – 301 páginas

sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Retrato de Dorian Gray





Imagine se uma pintura sua começasse a envelhecer no seu lugar. Que assumisse as suas falhas. Recebesse a marca dos seus pecados. E seu rosto continuasse puro e jovem pela eternidade.

É brincando com os conceitos de juventude eterna e caráter que Oscar Wilde transforma a história de Dorian Gray charmosa e assustadora aos olhos dos seus leitores. Publicado em 1890, o livro está longe de ser datado, muito pelo contrário, é uma fotografia do mundo atual, onde o culto ao corpo tem imperado.

Basil Hallward encontrava-se apaixonado pelo seu modelo atual, um jovem bonito, de uma pureza que o tocava. Por essa razão, seus sentidos não queriam que seu amigo Henry Wotton, de moral e ética duvidáveis, conhecesse Dorian Gray. Mas o destino foi implacável, e na primeira conversa, Henry já inseriu várias ideias narcisistas no rapaz. A ponto de, no momento em que a sua pintura ficou pronta, ele sente inveja da própria imagem e deseja em voz alta que o retrato mude e ele fique sempre igual a sua imagem atual.

Seu desejo é atendido, e com isso, Dorian se vê obrigado a esconder o seu retrato, para que ninguém mais desconfie. Ao mesmo tempo vive dividido entre a autoconfiança de fazer o que quiser e não ser acusado por isso e o medo de que alguém descubra o seu segredo. Sua pureza acaba logo no início da história, quando leva uma moça que dizia amar ao suicídio, inicialmente sente culpa, mas com o tempo ele começa a ver beleza na forma da morte da jovem.

Naturalmente a juventude eterna causa estranheza aos que o conhecem mais tempo, assim como sua fama de não ser boa companhia começa a se alastrar, mas muitos não resistem ao seu rosto inocente, mesmo com as fofocas sussurradas.

Dorian e Henry não possuem uma boa opinião das mulheres. Seus comentários não são nada generosos.  A diferença é que Henry é irônico, e Dorian leva tudo a sério. Mas elas são figuras decorativas no livro, com exceção de Sybil - que morre por não perceber que seu príncipe encantado na verdade é um sapo- , não chegam a exercer nem um papel secundário na história.

Um livro sobre mentiras, vaidades e inveja. Onde a juventude eterna é apenas uma forma de poder, e Dorian apenas uma pequena demonstração do que isso pode fazer quando cai em mãos despreparadas e perturbadas. Uma história fascinante sobre o julgamento que fazemos de nós mesmos e dos outros.

O Retrato de Dorian Gray (The Picture Of Dorian Gray)
Oscar Wilde
Tradução: Lígia Junqueira
BestBolso
1890 - 239 páginas

domingo, 14 de abril de 2013

A Menina que Brincava com Fogo





Primeiro aviso para quem começou a ler essa resenha: se você ainda não embarcou nesta história, leia a resenha do primeiro livro aqui e o próprio antes de ver a opinião do segundo, para não se deparar com spoiler.

A Menina que Brincava com Fogo começa dois anos depois da aventura de Mikael e Lisbeth. Mikael está diante de um novo livro polêmico, escrito pelo jovem Dag Svensson, cuja base é a tese de doutorado da sua namorada Mia. Uma bomba que lista o nome de juízes, policiais, jornalistas e outros criminosos envolvidos com crimes sexuais envolvendo menores que são estupradas e às vezes, assassinadas.

Lisbeth ainda não perdoou o fato de Mikael viver tendo casos com várias mulheres, embora ele nem imagine que ela o veja como algo mais do que um amigo. Apesar de evitar o seu encontro (mas continue a monitorar o seu computador), seu visual, assim como a sua conta bancária, não é mais o mesmo, silicones aparecem no lugar de tatuagens. Uma nova mulher está prestes a começar a aparecer, quando o nome Zala muda tudo.

No segundo volume da trilogia Millenium, Stieg Larsson nos faz passar boa parte do livro procurando por Lisbeth e outra desvendando sua história, quando todo o mal é finalmente revelado aos que estão presos as páginas deste livro. Acusada de triplo homicídio, deixa o leitor com a pulga atrás da orelha enquanto o seu passado passa a ser revirado, deixando-o tão perdido e preocupado quanto o Super-Blomkvist, e cabe a nós decidirmos se estamos ao lado de seus poucos amigos ou se caímos em uma rede de desconfiança.

Colocada na berlinda por desafetos, sua imagem é ainda mais deturpada pela imprensa. Mas o que realmente vai machucar Salander é ver pessoas que ela gosta serem machucadas pelo que julga sua culpa, o que a faz alternar entre caça e caçadora.

Se no primeiro livro Mikael estava na berlinda, agora descobrimos que Lisbeth é muito mais do que uma hacker maluca, e sim um perigo a segurança nacional. Alguém com mãe e irmã. Que desde cedo aprendeu a odiar os homens que não amam as mulheres. Uma mulher baixinha e franzina que sabe se defender como poucos.

Uma história envolvente, ainda melhor do que a primeira, que faz o leitor fechar a última página ansioso pela primeira do próximo volume.

A Menina Que Brincava com Fogo - Millennium 2
Stieg Larsson
Tradução: Dorothée de Bruchard
Companhia das Letras
2006 -607 páginas

terça-feira, 26 de março de 2013

A Guerra dos Tronos – As Crônicas de Gelo e Fogo



Mapas e árvores genealógicas. Em um primeiro momento, o primeiro volume da saga escrita por George R.R. Martin me fez pensar no Senhor dos Anéis. Embora a guerra também seja por poder (no lugar de um anel, temos um trono forjado de espadas), a história de Martin é direcionada aos adultos e com muitas vozes femininas, lembrando aquela frase de que por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher. 

O começo da leitura pode causar estranhamento, pois ele vai apresentando um por um dos personagens em uma narrativa em terceira pessoa (em sua maioria, membros da família Stark), e aos poucos passado e o presente vão se revelando. Alguns capítulos são mais chatos, outros te prendem. Da metade em diante a história passa a ser surpreendente, desde que você não tenha olhado a série de TV ou feito pesquisas na internet.

A história tem como início o convite do rei Robert Baratheon ao lorde Eddard Stark para assumir o cargo de mão do rei, o conselheiro mais importante. Eddard é um homem cheio de princípios, mas que também possui os seus pecados. O rei, que já foi uma figura altiva, hoje é gordo e beberrão, casado com uma rainha ambiciosa, que sente saudades do tempo de guerra e não presta atenção ao que acontece a sua volta.

Se de um lado Catelyn, esposa de Eddard, incentiva o marido a aceitar o cargo para descobrir quem assassinou o seu cunhado (a mão anterior do rei, casado com a irmã de Catelyn), de outro, a rainha Cersei planeja transferir o mais rápido possível o poder para o seu primogênito. Ambas são fortes e possuem papéis chaves na trama.

Em outro ponto da história temos Viserys Targaryen, herdeiro do trono tomado por Robert, que negocia sua irmã com o líder dos guerreiros nômades em busca de um exército para recuperar o poder. Daenerys é a grande revelação da história, pois apesar de ser uma criança no princípio, e não se passarem anos a fio na história, ela se transforma rapidamente em mulher, descobrindo o amor e se livrando das amarras do irmão.

O sobrenatural é vivido por Jon Snow, o filho bastardo de Eddard, que apesar de viver bem com os meios irmãos, sente na pele o desprezo da esposa do seu pai, o que o faz ir para a muralha, lugar misterioso que recruta criminosos para garantirem a segurança contra antigas lentas.

Em uma história onde crianças se tornam guerreiros e rainhas, ética, sangue, sexo, poder e preconceito se misturam, tornando os retalhos dessa história em uma concha interligada. Ética e corrupção andam lado a lado, e o preço por subjugar o inimigo pode ser alto. É quase impossível não sentir curiosidade em ler o segundo volume, que já foi colocado na minha lista de compras futuras.

A Guerra dos Tronos - As Crônicas de Gelo e Fogo
George R.R. Martin
Traadução: Jorge Candeias
Editora Leya
2010 - 592 páginas

segunda-feira, 11 de março de 2013

Fortaleza Digital




O primeiro livro de Dan Brown explora o mundo da criptografia através da invasão de um poderoso computador por um ex-funcionário da NSA. Misturando computação, espionagem e diversos países, uma das diferenças em relação aos demais livros do autor está no herói, que no caso de Fortaleza Digital é uma heroína, a matemática Susan Fletcher.

Logo no início, o leitor irá se deparar com duas situações contrastantes, de um lado, o invasor Ensei Tankado está morrendo em Sevilha, de outro, Susan sonha que está sendo pedida em casamento em Smoky Mountains.

Mas no lugar de um pedido romântico ela é separada do noivo e chamada para atender uma emergência, o supercomputador TRANSLTR estava a mais de quinze horas tentando decifrar um código, algo que nunca havia ocorrido.

Enquanto Susan corre para descobrir o misterioso código, a história de Tankado é contada, incluindo o fato de ele ser uma vítima da radiação da bomba atômica jogada em Hiroshima. Mas sua deformidade não afetava a sua inteligência, possibilitando a chance do rapaz trabalhar no país que jurara odiar.

Tentativas de assassinato, pessoas não confiáveis, correria, família, tudo o que conquistou o leitor em O Código Da Vinci já estava presente nesta ficção no mundo nerd. Como todos os livros de Brown, a leitura é rápida e cativante, ideal para relaxar e brincar de investigar.

Fortaleza Digital (Digital Fortress)
Dan Brown
Tradução: Carlos Irineu da Costa
Editora Sextante
1998 – 331 páginas

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Nosso Muro de Berlim



Tino, Henrique e Luisinho resolvem fazer uma aposta na hora do recreio: quem consegue ficar mais tempo plantando bananeira. Os colegas fazem uma roda para ver, e na vez de Tino, ele identifica um estranho par de pernas femininas.

As pernas pertenciam a Elisa, uma aluna do mesmo colégio, mas que fica do outro lado da jabuticabeira. Ela havia ultrapassado os limites durante uma brincadeira de esconder. Ao revelar o novo mundo aos colegas de classe, todos resolveram experimentar, mas a turma que de Tino não aceitou muito bem e uma guerra estava formada, colocando em risco a existência das árvores no colégio.

Neste livro infanto-juvenil, Lino de Albergaria fala sobre as diferenças e o novo para os pequenos. Mostrando, em uma história rápida e bonitinha, que desde cedo precisamos estar abertos a conhecer novas pessoas e limites. Onde o convívio entre diferentes turmas é possível, basta não se bitolar no próprio mundinho.

Um livro bacana para as crianças lerem e os pais compartilharem.

Nosso Muro de Berlim
Lino de Albergaria
Desenhos: Paulo Bernardo
Editora FTD
Coleção Terceiras Histórias
1989 - 39 páginas