domingo, 18 de abril de 2010

O Clube do Filme

Ao abrir o livro, o leitor irá se deparar com uma lista fantástica de filmes, como “O Exorcista”, “Uma linda Mulher”, “O Poderoso Chefão II” e “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”.

Através desses e outros filmes, David Gilmour consegue estabelecer uma relação com o seu filho, ao qual liberou de ir na escola sob a condição de assistir três filmes semanalmente e não utilizar drogas. Após cada filme, os dois discutiam sobre o que foi assistido. Gilmour comentava algumas curiosidades, e com isso abriu mais o diálogo entre pai e filho, tornando-os mais próximos nesse período.

Na opinião dessa humilde leitora, o livro trata da imaturidade do pai e da falta de limites do filho. Confesso que a história não me cativou, talvez por ter uma expectativa maior sobre o que seria abordado em relação aos filmes ou por já estar habituada a ver jovens fazerem o que bem entendem da vida e seus pais não tomarem nenhuma atitude sobre isso.

domingo, 11 de abril de 2010

1808

Para quem quer conhecer mais da história do Brasil, relembrar alguns fatos ou simplesmente gosta do assunto, o livro de Laurentino Gomes narra de forma clara, fácil e às vezes, divertida, sua pesquisa sobre a fuga da família real portuguesa e as transformações sofridas no Brasil com a sua chegada.

1808 não trás grandes novidades (talvez uma explicação sobre a origem), mas estão lá a política corrupta, a compra de títulos e o famoso jeitinho brasileiro. Focado em João VI, o rei é exibido como uma figura simpática, além de feio, medroso e indeciso. Mas o fato de ter burlado Napoleão (apesar de deixar várias riquezas em Portugal) dão um certo mérito ao homem que, sem querer, começou a mudar a cara da colônia e dar ares de país a nossa pátria.

Na orelha do livro é dito que o propósito do livro é resgatar e contar de forma acessível a história da corte portuguesa e tentar devolver aos seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam. O que, na minha humilde opinião, foi alcançado. Desconheço o conteúdo das aulas de História nos dias atuais, mas pra mim, foi como ampliar aquele conhecimento mínimo, dando cara e personalidade a cada um dos envolvidos no período em que tivemos um rei entre nós, além de descobrir curiosidades da época.
Por isso considero 1808 um livro completo, pois da mesma forma que ele é gostoso de ler, nos trás conhecimento, e assim, repensar sobre atitudes que o país repete a muitos anos e a população não se esforça para mudar.


domingo, 28 de março de 2010

Comer, Rezar, Amar

Simplesmente adorei esse livro. Como diz Elle Macpherson na contra capa do livro “Toda mulher deve lê-lo”.

Após enfrentar situações que a levaram ao limite, Elizabeth Gilbert (que se torna Liz para os leitores), embarca em uma jornada de auto-conhecimento na Itália, Índia e Indonésia.

Cada lugar lhe trará lembranças, sentimentos e ações que lhe incomodaram no passado e agora a deprimem. Mas ao encontrar pessoas diferentes e se deparar com outras culturas, Liz aprende e amadurece.

Não é difícil para uma mulher se identificar em algum momento com o que está sendo descrito no livro. Assim como não é impossível gostar mais de uma jornada do que de outra.

Mas existe espaço para os homens também...Comer, rezar, amar dá uma grande pista da complexidade da mente feminina. Que nada mais é do que uma alma faminta por encontrar a si mesma.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A Maravilha no mundo de Alice

 








Alice no País das Maravilhas e Alice no País do Espelho

"Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare". – Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas.


Não existe como visitar o mundo de Alice e não sentir fascínio por ele. Sua fantasia remete aos sonhos, uma volta à infância e a todos os pensamentos fantásticos que nela estão presentes. A maravilhosa experiência da menina Alice foi escrita por Charles Lutwidge Dodson, conhecido por Lewis Carroll. A história foi escrita e dada de presente em 1864 para a menina que serviu de inspiração a ela, Alice Linddell, então com 11 anos de idade. Logo a história foi publicada e a partir daí virou passagem literária e cinematográfica obrigatória para crianças e adultos.
Em 1951 a Disney lançou a animação "Alice no País das Maravilhas" e agora, pela excentricidade de Tim Burton, surge a versão cinematográfica de mesmo nome. Nesse hiato de tempo, dentre os vários livros traduzidos e publicados em todo o mundo, estão as edições da L&PM Alice no País das Maravilhas e Alice no País do Espelho, traduzidas respectivamente por Rosaura Eichenberg e Willian Lagos. Na primeira história, Alice adormece e mergulha na toca do Coelho Branco. De lá, parte para as mais inusitadas situações e conhece loucos personagens. A característica desconexa, típica dos sonhos, é muito marcante e faz o leitor viajar por um mundo muito rico, com poções que fazem aumentar e diminuir de tamanho, chás que não acabam nunca, um jogo de Croqué com uma rainha e seus súditos, todos, cartas de baralho. Sempre junto à visão da tagarela Alice, menina inteligente e teimosa que nos leva a conhecer o Chapeleiro Maluco, o Gato de Cheshire, a Lebre de Março, dentre outras magníficas criaturas.
Em Alice no País do Espelho, após a menina atravessar o espelho de sua casa, se vê participando de uma partida de xadrez. O mundo em que ela se encontra é como um tabuleiro gigante e cada personagem representa uma peça do jogo, incluindo a própria Alice. Personagens como os irmãos Tweedledum e Tweedledee, Humpty Dumpty e a Rainha Branca, interagem com Alice que se vê muito confusa, mas não menos fascinada que o leitor diante de tanta poesia e jogos de palavras. E por falar em palavras, o livro é excelente atrativo da língua por todas as referências que faz a ela: "Quando eu utilizo uma palavra - disse Humpty Dumpty, em um tom de grande sarcasmo -, ela significa exatamente o que quero que signifique, nem mais, nem menos."
Perto das crianças pelo seu mundo mágico e próxima dos adultos pela riqueza que permeia a obra, Alice sempre será um importante elemento universal. Nenhuma outra personagem infantil lida como ela com a realidade fantástica e isso se percebe por suas falas espontâneas e cativantes e por sua relação com as experiências únicas que a cercam. Certamente, Carroll soube contar sua história como ninguém e merece ser lido.

domingo, 14 de março de 2010

Memórias de Minhas Putas Tristes

Um homem de 90 anos se apaixona por uma menina de 14 anos que foi chamada a prostituição para atender a um desejo de aniversário dele: deitar com uma virgem.

O que tinha tudo para ser nojento e asqueroso, torna-se delicado, sensível, irônico (e por quê não) filosófico nesse pequeno (possui apenas 127 páginas) romance de Gabriel García Marques.

A história, gostosa e rápida de ler, nada mais é que o balanço da vida de um homem, que dormiu com muitas mulheres, e no momento que se preparava para encontrar a morte, se apaixona por uma ninfeta, cuja felicidade encontra-se em olha-la dormindo e a infelicidade em um ciúme doentio por alguém mais a toca-la.

E a partir daí, é difícil não se encantar por esse velho jornalista que está mais para um anti-herói do que mocinho de fotonovela.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Eu vivi por um sonho

Foi lendo O mundo de Sofia (livro já comentado nesse blog) que me deparei pela primeira vê com o nome de Olympe De Gouges, a autora da declaração dos direitos da mulher e da cidadã. Meses mais tarde, encontrei Eu vivi por um sonho, livro que narrava os últimos dias dessa francesa e a curiosidade foi imediata.

Maria Rosa Cutrufelli utiliza diversas narradoras (de idades, profissões, status social diferentes) para contar a história de uma mulher que ousou escrever o que pensava no governo de Robespierre e teve como destino à guilhotina.

Só que mais do que a história de De Gouges, o livro narra com força e sensibilidade a eterna luta das mulheres para terem o seu lugar no mundo. Enfrentando a raiva dos homens, a inveja e ignorância das próprias mulheres, De Gouges dá uma bofetada em suas leitoras ao dizer que nunca alcançaremos a igualdade enquanto não aplaudirmos a nós mesmas.

Eu vivi por um sonho é um livro apaixonante, histórico, onde o uso de adjetivos não deve ser poupado. Leitura obrigatória para o público feminino, além da chance de pensarmos se honramos mulheres como Olympe nos dias de hoje.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Memórias de Adriano


Sinopse: Já velho, o imperador Adriano escreve uma longa carta ao jovem Marco Aurélio, na qual recorda sob uma aura de melancolia e profunda perturbação os fatos de sua própria vida pública e privada, questionando-se sobre seu sentido e destino. Dono do mundo, mas consciente da transitoriedade das coisas humanas, Adriano pergunta a si mesmo quais as condições do ser - tão trágico, por não poder evitar a morte e a ruína, quanto extraordinário e proeminente o acaso quis que fosse. Também a paixão e o amor, que ao menos uma vez haviam iluminado sua existência graças ao encontro com o jovem grego Antínoo, transformam-se logo em luto devido ao silencioso suicídio do amado. E a Adriano não resta senão continuar vivendo para cumprir seu altíssimo dever, contemplando com angústia o "rosto disforme" das coisas.

Com o avançar da idade o imperador Adriano decide escrever suas memórias ao jovem Marco Aurélio em uma carta que se divide em seis partes. 

O que inicia com a descrição de uma consulta médica e os exames desagradáveis que se seguiram, logo ganham a companhia de histórias familiares, sua escalada até se tornar imperador, as grandes lutas por território, nomeações de pessoas para ficarem ao seu lado, as grandes paixões e naturalmente as perdas que o imperador viveu.

O olho clínico não via em mim senão um amontoado de humores, tristes amálgama de linfa e sangue;

O destinatário não é uma escolha aleatória, pois ele não irá receber apenas uma carta, todas essas memórias são de certa forma um treinamento teórico para Marco Aurélio, que seria nomeado seu filho, para herdar o seu imperio.

Memórias de Adriano é uma ficção biográfica que mistura fatos históricos, filosofia e amor à arte, publicado em 1951, essa releitura se tornou uma das obras-primas da literatura francesa contemporânea.

Era o homem da tribo, a encarnação de um mundo sagrado e quase terrível, de que encontrei, por vezes, vestígios junto aos necromantes etruscos.

Marguerite Yourcenar, que no período da publicação utilizou o pseudônimo de Marguerite Crayencour, escreve em seu romance os anseios, opiniões e divagações de um homem poderoso, mas já velho, que se prepara para a morte e, após iniciar a procura por um herdeiro, encontra em um jovem, a quem conhece desde menino, um de seus sucessores. 

Por ser uma carta, a narrativa ocorre toda em primeira pessoa, o que torna os momentos humanos de Adriano mais próximos do leitor, como o seu choro por perder uma paixão que só se torna inesquecível porque o rapaz procurou a morte, tornando um relacionamento fadado à acabar em eterno. 

Meu primeiro consulado foi ainda um ano de campanha, uma luta secreta, mas contínua, em favor da paz.

Entre as passagens que trazem a realidade mais forte na sua mistura com a ficção estão os desafios nas obras construídas em Jerusalém e os conflitos (tão antigos) que afetam a região. 

De bônus, a autora conta os eventos e notas que resultaram no livro, assim como a bibliografia utilizada, sendo um complemento para quem deseja se aprofundar na leitura.

Se nada disse ainda sobre beleza tão definitiva, não se deve ver nessa omissão a espécie de reticência do homem irremediavelmente conquistado.

Um livro que pode agradar principalmente os fãs de clássicos e fatos históricos, e podendo fascinar os que ainda não se preocupam com a passagem dos anos, suas limitações e muito menos a morte.

Memórias de Adriano
Memoires d'Hadrien
Marguerite Yourcenar
Tradução: Martha Calderaro
RBS Publicações
1951 - 286 páginas