domingo, 29 de agosto de 2010

A Criança Roubada

O pequeno Henry Day não imaginava que ao se esconder na floresta seria dominado por hobgoblins e substituído por um changeling.

Enquanto o verdadeiro Henry se torna um hobgoblin chamado Aniday, o changeling tenta se adaptar a vida do menino e administrar os obstáculos de ser humano.

Primeiro romance do americano Keith Donohue, “A Criança Roubada” entrelaça duas narrativas, onde a busca pelo autoconhecimento faz com que os caminhos da vítima e o seu usurpador se cruzem diversas vezes.

Denominado fábula, “A Criança Roubada” nos leva a reavaliar o relacionamento pais-filhos, o amadurecimento e a busca pessoal. Sem lição de moral, o livro tem uma forma emocional que nos torna incapazes de julgar qualquer um dos Henry’s.

Somado a isso estão a escrita clara e as referências literárias e musicais, que tornam sua leitura simplesmente deliciosa.

Em suma, “A Criança Roubada” é um conto de fadas moderno recomendado para todos os jovens e, principalmente, para os adultos.

sábado, 24 de julho de 2010

Cem Anos de Solidão

Atenção. O leitor que se aventurar nas páginas de Cem Anos de Solidão, romance do colombiano Gabriel García Marques, irá precisar de muita atenção.

O motivo se deve ao fato dos Buendía adorarem os nomes Aureliano e José Arcadio, com isso, pipocam vários deles ao longo das páginas, circulando dentro e fora de Macondo. Ao longo da narrativa, nos deparamos com várias gerações dessa família, e por consequência irá se encontrar de tudo: inocência, supertição, ambição, guerra, amor, ódio, paixão, inveja, traição e, naturalmente, solidão.

Cem Anos de Solidão é uma história maluca e engraçada, mas que nada tem de superficial, conseguindo mostrar nas gerações de Aurelianos e Josés Arcadios as diversas faces do ser humano e da sociedade que o cerca, assim como os seus anseios e suas desilusões.

Livro para ser degustado com paciência e uma mente livre de interrupções, para se evitar de confundir o personagem citado no momento, e somente assim poder andar pelas ruas de Macondo como um legítimo estrangeiro.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Saga Crepúsculo




A princípio a proposta soa como um blá, blá, blá juvenil: humana se apaixona por vampiro; e o fanatismo do “Fenômeno Twilight” pode parecer um convite a remar contra a maré, porém, depois de se render a curiosidade de conhecer este mundo onde vampiros não possuem presas e não morrem a luz do sol (eles apenas brilham), é impossível não assumir o gosto pela série.

Os livros são quatro: Crepúsculo (Twilight), Lua Nova (New Moon), Eclipse (Eclipse) e Amanhecer (Breaking Dawn). Renderam até o momento três filmes e com isso muito dinheiro com merchandising, um sucesso arrebatador para seus lindos atores e muita crítica por conta de pessoas que não entendem as verdadeiras motivações das produções que é a de dar vida a aclamada história e não de ser uma superprodução.

Com uma narrativa agradável, a autora Stephenie Meyer faz o leitor se prender a saga desde o início de Crepúsculo.  A carga de amor puro e celibatário, batalha de vampiros e lobisomens que fogem de tudo já falado a respeito, e algumas passagens que oscilam entre manjadas e de narrativa confusa, tornam os livros uma volta à adolescência. Já que é esta a fase onde fantasia e amor se fundem e surgem as confusões e dúvidas tais como as vividas pela protagonista Bella Swan, seu amor, o vampiro Edward e o amigo/affair, o lobo Jacob Black.  Por tudo isto, a história escrita por Meyer acabou sendo sucesso não apenas entre as adolescentes, mas também entre suas mães.
 
A história tem início quando Bella decide dar mais privacidade a mãe e seu novo namorado e troca a ensolarada Phoenix pela chuvosa Forks, Washington. Morando com o pai Charlie, o chefe da polícia local, e freqüentando uma nova escola, ela esbarra com o estranho e reservado Edward Cullen e seus irmãos. A partir daí, espere muitas risadas, lágrimas e expectativas; algumas delas frustradas, como em Amanhecer, onde o leitor mais exigente pode se chatear com muitas resoluções óbvias na história, mas não deixará de desejar o final proposto pela autora (reforçando o envolvimento com a idéia de uma saga voltada ao amor e aos valores que cercam a temática). O livro que é bem maior que os outros três, será dividido em dois filmes nas telas.

Ler sobre amor e vampiros que brilham no sol pode não ser o tema favorito dos homens, mas vale para eles também, se não para conhecer estes fantásticos e diferentes vampiros de um fenômeno que veio para ficar, ao menos para se deixar contagiar por passagens que muito tem a ver com nossos relacionamentos no dia a dia tanto no que se refere ao amor, quanto às amizades e relações familiares. E enganam-se aqueles que acham que a castidade do velho Edward é antiquada. O que é alheio as nossas banalizadas relações, pode ser exatamente uma das razões do sucesso desta história.

sábado, 26 de junho de 2010

O Grande Gatsby

Quando Nick se muda para o leste, tem como vista uma enorme mansão, conhecida por suas festas com vários convidados e penetras. O misterioso dono, Gatsby, é o legítimo conhecido desconhecido por todos.

O livro de F. Scott Fitzgerald é leve e intenso. Na contra-capa, compara-se a história de Jay Gatsby a uma tragédia grega, mas eu discordo. Nick, Gatsby e Daisy são apenas um retrato de uma sociedade que impera até hoje. Superficialidade, dinheiro, poder e máscaras. Estavam nos anos de 1920 e estão em 2010.


O Grande Gatsby é uma história de amor, decepção e a busca de um sonho. É amizade, fidelidade e solidão. E acima de tudo, uma narrativa agradável em qualquer momento do dia.

domingo, 13 de junho de 2010

Resistência

Logo após o término da guerra, Agnes Humbert publicou o seu diário relatando acontecimentos do período de 7 de junho de 1940 a janeiro de 1946. Participante do grupo que escrevia, imprimia e divulgava o jornal Résistance, a autora nos mostra mais uma face da segunda guerra mundial.

Resistência inicia na invasão da bela Paris, passando pelas mudanças no cotidiano, o extermínio de livros, a criação de grupos que passaram a protestar através de jornais ilegais até chegar aos interrogatórios, torturas, fuzilamentos e trabalhos forçados. Mas ao contrário do que se possa imaginar, o livro não é trágico. Sua autora, com inteligência e ironia, consegue narrar os fatos daquela época de forma direta, às vezes debochada, mas sem nunca carregar no sentimentalismo.

Por isso é possível sentir a dor de cada perda, a angústia da saudade e a raiva por tamanha maldade, ao mesmo tempo em que se pode admirar Agnes Humbert por ter enfrentado aquele período de olhos bem abertos e cheios de expectativas.
Outro diferencial do livro é o fato de contar a história de uma não judia, mas de uma prisioneira de guerra que passa por humilhações, assim como suas companheiras de diversas nacionalidades. Seu enfoque em um mundo feminino é quase um tributo ao chamado sexo frágil, que em situações extremas mostra a sua força, sua inteligência e sua capacidade de superação. Tornando Resistência mais do que uma história autobiográfica, mas algo para guardarmos em nossas mentes e corações.


sábado, 29 de maio de 2010

Uma Breve História do Mundo

O título do livro já deixa claro ao leitor o que o professor Geoffrey Blainey pretende com ele: um resumo dos principais fatos da humanidade (desde o início dos tempos), temperado com algumas curiosidades.

Tendo um enfoque maior em acontecimento nos Estados Unidos e Europa, a leitura vale a pena por alguns pequenos detalhes, algumas ironias da vida que farão o leitor rir e crer que o ser humano é incoerente.

O leitor mão deve desanimar se o assunto não for aprofundado, afinal, está lendo Uma Breve História do Mundo, mas deve servir para instigar a novas pesquisas no Google ou leitura de outros livros sobre o assunto.


Mas apesar da escrita ser fácil e pontual, comparando com 1808 (já comentado nesse blog), a leitura de Uma Breve História do Mundo pode se tornar monótona e cansativa. Como se faltasse um toque de leveza para se repassar anos tão pesados.

domingo, 9 de maio de 2010

O Nome da Rosa

Tempos atrás, eu havia tentado ler este livro e não havia passado das páginas iniciais. Acabei abandonando a leitura e rotulando o livro de chato.

Resolvi reiniciar a leitura, já tendo esquecido o filme, e foi com uma enorme satisfação que Adso me encantou e alimentou a minha curiosidade.

O Guilherme da minha imaginação não tem nada de Sean Connery, embora também possua a presença forte e o charme do ator. Mas como o seu pupilo, o leitor pode notar todos os seus aspectos admiráveis e os seus defeitos.

Sem enrolar mais, vou para a história, que faz o leitor voltar ao ano de 1327 e entre um assassinato e outro, irá acompanhar pelo diálogo dos personagens os conflitos que havia entre a igreja católica e os franciscanos (onde a questão riqueza x pobreza me fez lembrar de algumas igrejas visitadas em minhas viagens).

O local dos crimes, uma abadia com uma grande biblioteca, levanta questões como o conhecimento (algo que, se formos sinceros, até hoje é uma fonte inesgotável de segredos) e o riso (sim, a divina arte de rir do outro e de si mesmo).

Para a ficção de estréia de Umberto Eco não existe um resumo adequado, a única coisa que posso dizer aos amantes da literatura, principalmente os fãs de história e de suspense, é que O Nome da Rosa é um livro obrigatório em suas vidas e um provável candidato para a sua lista de favoritos.