domingo, 26 de abril de 2009

Renegado


Sinopse: O chefe de polícia Cash Grier leva a sério a sua missão: manter a lei e a ordem nas ruas de Jacobsville, mesmo que para isso tenha de enfrentar políticos influentes e corruptos. Desde cedo, Cash teve de aprender que nada, nem ninguém, deve ser avaliado apenas pela aparência. E quando se trata da encantadora Tippy Moore, o cuidado é redobrado. Apesar da vida glamorosa como modelo e atriz, Tippy tem traumas profundos, além de ser insegura em relação aos homens. Quando Cash começa a acreditar que Tippy pode ser a mulher com quem sempre sonhou, um terrível acontecimento o torna novamente um homem descrente e amargo. Mas ele é desafiado pelo destino para reavaliar seus sentimentos... e salvar o verdadeiro amor de sua vida. Com enredo inteligente, muita ação e personagens inesquecíveis, Diana Palmer hipnotiza os leitores ao contar uma história que captura a essência do romance, por meio de diálogos inteligentes, personagens fascinantes e fortes emoções. 

Esse livro é a história de amor entre o ex-merceário e atual chefe de polícia da cidade de Jacobsville, Cash Grier, e da modelo/atriz Tippy Moore, jovem que foi estuprada pelo padrasto e que pagou cinqüenta mil dólares para ter a guarda do irmão mais novo. 

O ponto inicial é o encontro dos dois na época de natal. Onde Tippy seduz Cash e engravida. Cash retorna ao Texas e Tippy, as filmagens de um filme. Em uma cena, ela cai e perde o filho. Cash só fica sabendo da gravidez pelos tabloides sensacionalistas, e passa a odiar a ex-amante, achando que o abordo foi proposital, já que sua ex-esposa já havia tirado um filho seu. 

Um homem alto, bonitão, fardado como chefe de policia, entrou no saguão no exato momento em que ela chegou á porta.

O padrasto de Tippy sequestra o seu irmão, sem dinheiro, essa pede ajuda a Cash que se nega ouvi-la. Sua única saída para salvar o irmão é trocar de lugar com ele. Solto, o irmão consegue avisar Cash, que salva a mocinha, mas ela está bastante ferida e magoada. 

Achou que estava no fim? Não. O detalhe é que já temos todo esse dramalhão e não estamos nem na metade do livro. Renegado se puxa nas tragédias, mas possui vários fios soltos. Percebe-se que existem histórias anteriores, mas na página dois não são listados livros publicados anteriormente pela escritora, e sim outras obras da editora. 

Não posso passar sem açúcar. Penso que é um dos quatro principais grupos de alimentos, junto com chocolate, sorvete e pizza. 

Aliás, na página dois encontram-se os primeiros problemas de ortografia e descuido com o livro (que pode chegar a custar mais de quarenta reais) onde o romance Volta ao Lar vira Vota ao Lar. Quando aos fios soltos, é necessário investigar os romances de banca, pois Renegado pertence a uma série chamada “Homens do Texas”, publicadas pela própria editora nesse segmento. 

O que ocorreu é que várias leitoras, fãs dos romances de Diana Palmer, enviaram inúmeros pedidos solicitando a história de Cash Grier (que aparecia em diversas histórias da série) e a editora Harlequin Books aproveitou o filão e lançou como best-seller em livrarias, só que esqueceu de colocar um aviso para os outros leitores que não a acompanhavam. 

Não se deixa uma pessoa que está sofrendo, nem se vira as costas para alguém por causa do que ele fez um dia.

Renegado pode ser uma excelente opção para quem curte um dramalhão mexicano e está disposto a procurar os demais livros da série para entender que tipo de paixão Crash teve por outra personagem, ou o que Tippy aprontou na primeira vez que esteve em Jacobsville, caso contrário, a leitura pode não ser tão agradável quanto a sinopse indica.

Renegado
Renegade
Diana Palmer
Tradução: Cristina Vaz de Carvalho
Harlequin Books
2004 - 333 páginas

domingo, 12 de abril de 2009

Breve Romance de Sonho


Sinopse: Ao regressar de uma festa de máscaras, um jovem médico e sua mulher, belos, apaixonados e felizes, começam a contar episódios - não se sabe se realmente ocorridos ou se fruto da fantasia - que até então não haviam confessado um ao outro. Inicia-se assim, para ambos, quase superando a sua vontade ou consciência, uma espiral visionária feita de máscaras extremamente inquietantes, de ambientes misteriosos e secretos, de desejos reprimidos que vêm repentinamente à luz, de tensões eróticas encobertas durante muito tempo: vertigem que atinge seu auge numa noite em que a verdade das suas pulsões já não pode ser dissimulada, e que por isso mudará profundamente a vida do casal.

Deixando um pouco de lado os livros que estão nas vitrines das livrarias, fui buscar no ano de 1926 uma obra de Arthur Schnitzler, que por acaso serviu de inspiração ao diretor Stanley Kubrick para filmar “De Olhos bem Fechados” em 1999 (ao qual confesso, não assisti). 

Tinha sido o seu primeiro baile naquele ano, e, comoo Carnaval já se encerrando, haviam decidido ir.

Em um romance curto, narrado em terceira pessoa, o leitor é convidado a conhecer a história do jovem casal Albertine e Fridolin, que após retornarem de um baile, comentam situações de teor sexual. 

Os relatos de Albertine, somados a um sonho que ela tem um dia depois, irão provocar em Fridolin o desejo de se vingar, fazendo sua mente buscar constantemente uma fórmula para isso, ao mesmo tempo em que a julga e evita o próprio lar. 

E, no entanto, aquele nome soou-lhe como uma censura, ou mesmo como uma velada ameaça.

Mas Schnitzler vai além disso, pois ele consegue em Breve Romance de Sonho descrever o homem na típica situação “se eu fizesse tudo diferente”. O desejo de fugir da rotina, viver um outro personagem em um local onde se é totalmente desconhecido, sem o risco de todos os apontarem ou manchar sua vida de profissional respeitável. 

Fuja antes que seja tarde demais. E a qualquer momento pode vir a ser tarde demais.

Mas o que é um tema comum e recorrente até mesmo na novela da Globo, em Breve Romance de Sonho tem outro significado: o das possibilidades não realizáveis. A separação de fantasia e realidade pelo próprio destino. Ser impedido por uma mão invisível de quebrar as regras. Apesar de aparentemente irracional, não é difícil entender Fridolin, nem de rir ou refletir sobre as palavras de Schnitzler. Pois loucura e razão são separadas por uma linha muito tênue.

Breve Romance de Sonho
Traumnovelle
Arthur Schnitzler
Tradução: Sérgio Tellaroli
1926 - 95 páginas

terça-feira, 7 de abril de 2009

O menino do pijama listrado




O irlandês John Boyne é autor de seis romances. O menino do pijama listrado, venceu dois Irish Book Awards e foi finalista do British Book Award. Os livros de Boyne já foram traduzidos para mais de trinta idiomas. 

O protagonista da obra O menino do pijama listrado chama-se Bruno. O garoto tem 9 anos e desde que deixou Berlim, juntamente com a sua família, e passou a residir num lugar praticamente deserto, tem como passatempo fazer explorações nos arredores de sua nova casa. E é numa dessas explorações que o guri conhece Shmuel. 

Não demora muito para que eles fiquem amigos. Bruno é um menino ingênuo - como a maioria da sua idade. Curioso e cheio de dúvidas, dificilmente ele obtém as verdadeiras respostas. A história se passa na II Guerra Mundial. Talvez por ser um livro direcionado ao público infanto-juvenil, a narrativa é um pouco cansativa, devido a algumas repetições. 

Em 2008, o livro foi transformado em filme pela Miramax. Na obra, Bruno - apesar de ingênuo, não somente contesta como agride seu pai. Já no filme, o menino se mostra obediente, chegando algumas vezes a ser submisso. Nestas adaptações para o cinema, geralmente a obra literária é melhor. Mas há exceções. E esta, é uma delas.

domingo, 29 de março de 2009

O Ladrão de Arte


Sinopse: Roma na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma magnífica pintura de Caravaggio desaparece sem deixar pistas. Paris na câmara de segurança do porão da Sociedade Malevitch, a curadora Geneviève Delacloche é surpreendida com o desaparecimento do maior tesouro da instituição: Branco sobre Branco, a famosa obra do russo Kasimir Malevitch. Londres roubada a mais recente aquisição da National Gallery of Modern Art.

Adquiri O ladrão de arte por acaso, peguei na prateleira, li o seu resumo e achei interessante, já que o livro se tratava do roubo de artes escrito por um estudioso da área. 

Muitos anos antes havia lido “Se houver amanhã” de Sidney Sheldon, que possuía uma temática parecida, cuja heroína era uma ladra, tornando impossível não me questionar: como seria essa história nas mãos de um profissional, como Noah Charney? Mas o livro de estreia de Charney é superficial. 

Era quase como se ela estivesse esperando, ali parada, naquela escuridão artificial.

O autor apresenta diversos personagens conforme os roubos vão acontecendo, sem entrar em maiores detalhes. Algumas vezes, eles parecem estar dando aula sobre a história da arte (parte mais interessante na minha humilde opinião) e os porquês da indiferença das pessoas ao ser noticiado o roubo de um quadro ou escultura. 

O preço de venda nada tem a ver com o fato de a obra de arte ser boa ou não. Tem a ver com quanto as pessoas dispõem a pagar por aquilo em determinado momento.

Existe a tentativa de envolver o leitor em uma teia em que roubos tão diferentes parecem estar relacionados, mas em alguns capítulos O ladrão de artes chega ser chato, e mesmo sendo um livro investigativo, não me instigou a virar as páginas furiosamente para saciar qualquer curiosidade. 

Até onde sei, é uma obra anônima, pintada lá por 1920, na Rússia, no estilo suprematista.

Nem me fez ficar pensando na história, após ter finalizado a leitura e ido dormir. A soma de tudo faz o grande final passar desapercebido, pois em nenhum momento se criou intimidade suficiente com a história para separar os que investigam e os suspeitos. É um exemplo de livro policial em que a ideia é muito boa, mas que falta algo para torna-lo mais profundo e instigante.

Isso significa que o quadro pode não ter sido roubado por encomenda, e isso torna meu trabalho bem mais difícil.

Mas para quem curte arte ou viajar por diferentes cidades através da leitura, a história pode despertar o interesse por outro viés, podendo fazer valer a leitura. 

O Ladrão de Arte
The Art Thief
Noah Charney
Tradução: Cláudio Figueiredo
intrínseca
2007 - 314 páginas

sexta-feira, 6 de março de 2009

Alienante Alienista

Não há quem tenha passado pelo ensino médio ou pré-vestibular sem ao menos ouvir falar da obra O Alienista. Publicada em 1882, conta a história do homem que encerra em um hospício boa parte da população de uma cidade. Seu autor, Machado de Assis, além de ser um dos mais importantes nomes da literatura brasileira, foi um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, romancista, contista, poeta, dramaturgo, cronista e crítico literário. Dentre suas obras mais famosas estão os romances Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba.

Considerada uma novela por alguns e um conto mais longo por outros – possui quase 50 páginas – , O Alienista, cujo personagem justifica seus excessos como um bem para o futuro da ciência, seria uma crítica ao cientificismo do século XIX. Os treze capítulos abordam um a um as peripécias do Dr. Simão Bacamarte ao classificar os habitantes de Itaguaí em sãos e loucos. No decorrer da história, muda consistentemente de critérios para avaliar a condição mental das pessoas, chegando a internar até mesmo sua esposa no hospício conhecido como Casa Verde.

Situações inusitadas surgem para mostrar características psicológicas de personagens condizentes com a realidade de qualquer leitor. A mulher que presta atenção na forma de se vestir das amigas, o senhor que gosta de se expo à janela de sua mansão, os vereadores que decretam que nem um deles poderá ser internado na Casa Verde e até mesmo o estranho personagem do Dr. Bacamarte que mesmo fazendo coisas absurdas e causando uma revolução, ainda tem a estima do povo.

Com um texto envolvente e um tanto cômico, Machado de Assis leva os leitores ao encontro de um estilo culto e acessível. Com esta história tão curiosa e narrada de forma rápida e ao mesmo tempo bem detalhada, não é difícil perceber porque o meio acadêmico dá tanto valor a esta obra.


domingo, 1 de março de 2009

Ensaio Sobre a Cegueira


Sinopse: Um motorista, parado no sinal, subitamente se descobre cego. É o primeiro caso de uma "Treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos vão se descobrir reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti.

Decidi ler Ensaio após assistir sua versão para o cinema. O filme de Fernando Meirelles me fez sair da sala impactada, mas por mais que ele tente ser fiel, não consegue transmitir a confusão de sentimentos que José Saramago me fez sentir meses depois a cada virada de página. 

Nada, é como se estivesse no meio de um nevoeiro, é como se tivesse caído num mar de leite

Narrado em terceira pessoa, os personagens não possuem nome, são identificados por sua profissão ou alguma característica. Em meio a cegueira que se alastra, há uma exceção, a mulher do médico segue enxergando, mas mente sobre isso para acompanhar o marido. E ela verá todos os horrores desencadeados pela situação única, assim como a divisão entre opressores e oprimidos.

Eu poderia dar diversas interpretações, dizendo que o livro é uma provocação sobre o que o homem pode fazer em situações de caos, ou simplesmente, por saber que ninguém está olhando. Afirmar que é um livro crítico ao governo, que se livra dos indesejados em qualquer lugar, sem perceber que o mesmo mal irá lhe afligir cedo ou tarde. Ou que trata sobre a covardia humana, onde a maioria se encolhe ao que fala mais alto. 

A mãe não vinha com ele, não tivera a astúcia da mulher do médico, declarar que estava cegar sem o estar, é uma criatura simples, incapaz de mentir,  mesmo para seu bem. 

Talvez acreditar que se trate do machismo (que exige o sacrifício feminino) e do orgulho que esse possui (onde a mulher do outro pode ir, mas a minha não). Ou resumir em uma loucura total, onde o caos e situações bizarras se misturam. 

Mas não. Ensaio não possui definição e nem um resumo apropriado, pois ele depende inteiramente da visão (ou falta) do leitor. É ele quem precisa mergulhar nessa história fantástica e identificar o que lhe atrai, tirando assim a venda sobre os próprios olhos. 

Passada uma semana, os cegos malvados mandaram recado de que queriam mulheres. 

Pois ao terminar a leitura, essa foi a minha conclusão: Ensaio sobre a cegueira trata unicamente da alma do ser humano, que apesar de enxergar o sinal de trânsito todo dia, permanece tateando na vida, o que me faz definir tudo em uma única frase: Cegos somos, e cegos continuaremos.

E para quem gostar da leitura, fica uma dica preciosa, existe uma continuação, chamada Ensaio sobre a Lucidez, que você simplesmente não pode deixar de ler.

Ensaio sobre a cegueira
José Saramago
Companhia das Letras
1995 - 310 páginas

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O livro do riso e do esquecimento




Fugindo um pouco do procedimento básico destes posts, de ler o livro, contar a síntese e apreciar, eu vou colocar aqui um trecho da obra "O livro do riso e do esquecimento", de Milan Kundera, que acabo de ler (o terceiro dele que já li, todos maravilhosos). 
"Aquele que escreve livros é tudo (um universo único para si mesmo e para todos os outros) ou nada. E porque nunca será dado a ninguém ser tudo, nós todos que escrevemos livros não somos nada. Somos desconhecidos, ciumentos, azedos, e desejamos a morte do outro. Nisso somos todos iguais: Banaka, Bibi, eu e Goethe. A irresistível proliferação da grafomania entre os políticos, os motoristas de táxi, as parturientes, os amantes, os assassinos, os ladrões, as prostitutas, os prefeitos, os médicos e os doentes me demonstra que todo homem sem exceção traz em si sua potencialidade de escritor, de modo que toda a espécie humana poderia com todo direito sair na rua e gritar: Somos todos escritores! Pois cada um de nós sofre com a idéia de desaparecer, sem ser ouvido e notado, num universo indiferente, e por isso quer, enquanto é tempo, transformar a si mesmo em seu próprio universo de palavras. Quando o dia (isso acontecerá logo) todo homem acordar escritor, terá chegado o tempo da surdez e da incompreensão universais." 

Que as palavras de Kundera falem por si, a todos nós. E, se puderem, não deixem de ler o livro.