segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Persuasão


O último romance completo da autora Jane Austen conta a história de Anne Elliot, uma mulher solteira que ainda mantém lembranças de um amor enquanto é frequentemente ignorada em sua casa.

Na juventude, ela foi apaixonada por Frederick Wentworth, um jovem considerado abaixo do seu nível, acabou sendo persuadida pela amiga - e de certa forma substituta de sua mãe – Lady Russell a desmanchar o noivado. O rapaz, jovem oficial da marinha, parte para o mundo e cresce em posição e fortuna, e ela fica acompanhando o esbanjamento do pai sem ser ouvida.

A história começa oito anos depois, quando seu pai, Sir Walter, necessita alugar a grande casa em que vivem para manter o padrão de vida em que ele e a irmã Elizabeth estão habituados. Por ironia do destino, os locatários são justamente parentes do antigo noivo de Anne. Entre o receio do reencontro e a falta de vontade de ir para Bath, cidade escolhida para a nova moradia, Anne vaga entre a casa de Lady Russell e da irmã Mary, onde irá conhecer novas pessoas e possíveis amores.

Mas ao contrário do que se possa imaginar, a parte menos interessante é o reencontro dos dois. O leitor deve abrir os olhos para toda a descrição de uma época, a importância de títulos que sobrepõe ao caráter. Aproximações por interesse. Perfis diversos, que vão da arrogância a hipocondria, da leveza ao amor pelo próximo.

Um livro que caminha em uma linha fina entre o enfadonho e psicológico, dependendo de quem está passando por suas páginas. Persuasão não é apenas uma história de amor, é sobre como as palavras influenciam em ações, decisões e autoestima.  

Persuasão
Persuasion
Jane Austen
Tradução: Fabio Cyrilo
Editora Landmark
1816 – 205 páginas

domingo, 28 de agosto de 2016

Retrato Mortal - Série Mortal


No 16º livro da série Mortal o tema é Maternidade. Desta vez os assassinatos são o plano de fundo para uma noticia surpreendente: Roarke descobre quem era a sua verdadeira mãe, e o irlandês mais charmoso do mundo da literatura fica desnorteado.

Desta vez é Eve que precisa se dividir entre pessoal e profissional. Na rua jovens com carreiras brilhantes pela frente são mortos e fotografados por um psicopata que faz questão de enviar as fotos para Nadine do canal de televisão. Em casa, Eve tem o irritante mordomo com a perna quebrada e Roarke isolado em uma sala.

Nora Roberts (que assina esta série como J.D. RoBB, mas os dois nomes aparecem na capa) a cada novo volume se aprofunda no passado do casal principal. E curiosamente os assassinatos passaram a ter relação também. Uma dica nos últimos lançados, já que nos primeiros volumes era possível identificar o assassino de primeira.

O interessante de Retrato Mortal é que a história ficou a maior parte do tempo meio perdida, morna, como um retrato de Eve sem saber o que fazer para ajudar Roarke. E a teoria de uma câmara fotográfica capturar a alma parece forçada em 2016, imagina em 2059.

Para quem nunca leu nenhum livro da série, um aviso: o maior mistério aqui não são os assassinatos, mas o passado a ser desvendado de Eve e Roarke para eles se livrarem de sombras e dúvidas que estão sempre a perseguir. 

Aos que estão lendo a série, imagino que neste “episódio” deve ter ficado a curiosidade se nos próximos volumes Eve venha a ser a próxima mãe, ou irá se contentar em ser a tia do bebê de Mavis.

Retrato Mortal
Série Mortal
Nora Roberts - J.D. RoBB
Tradução Renato Motta
Bertrand Brasil
2003 – 448 páginas

Estamos no Face compartilhando resenhas, livros com leitura em andamento, promoções e noticias. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A Dança dos Dragões


Atenção Spoiller livro e série

Existem dois Games of Thrones. E isto é um fato.

Não apenas pela série ter ultrapassado os livros (Por favor, Martin! Libera o sexto volume. Seus leitores não são eternos), mas pelo fato de em muitos pontos a história ter mudado em completamente.

Como o autor avisa logo nas primeiras páginas muitos dos eventos ocorrem em paralelo. Com isso muitos dos pontos de interrogação do Festim dos Corvos permanecem. 

O quinto livro parece multiplicar os que vão entrar na grande guerra. Stannis continua vivo e com os irmãos das ilhas de ferro como prisioneiros, Sansa continua com Mindinho, e Ramnsay casou com uma falsa Arya. Um Aeagon já chegou a Westeros e já está tomando o que julga seu. Tyrion agora é um escravo, estando do outro lado da muralha quando Meeren é atacada. E claro, os príncipes de Dorne, que ainda não definiram o seu lado, tornando-se onipresentes em vários pontos, embora nem sempre com decisões sábias como mostra o jovem Quentyn. Falando em Dorne, a princesa Arianne deveria estar na série por suas aventuras e desventuras.

Em comum estão o sumiço de Daenarys, a caminhada de Cersei e a morte de John. Mas até elas possuem um tom diferente e mais intenso, o que as torna impactantes mesmo com o conhecimento prévio dos acontecimentos.

Se na série estamos nos encaminhando para o fim, nos livros não é possível garantir nada, as crianças estão crescendo e lutando, máscaras são reconstruídas e os outros (ou caminhantes brancos) ainda parecem estar longe de ser uma preocupação. Mundos novos são apresentados, assim como milhares de personagens parecem entrar e sair das páginas com facilidade.

A Dança dos Dragões parece ser uma espécie de preparação, como se finalmente todas as peças estivessem no tabuleiro. Algumas ainda perdidas pelo caminho, mas todos devidamente apresentados. Fica dúvida se o sexto será um mar de sangue ou o início de uniões, pois o fato é que existem muitos pretendentes ao trono de ferro.

Pelos livros é difícil ter 100% de certeza de qualquer caminho imaginado. As vezes me pego pensando se a série terá um Happy End, e o livro nos dará uma bofetada, exterminado os Starks de vez. 

O grande mérito de Martin é que mesmo com todos os detalhes e muitas páginas ele captura o leitor, que simplesmente não consegue mais abandona-lo. Não é a toa que existe uma legião de fãs e muitas das frases viraram bordões em redes sociais e brincadeiras entre os admiradores.

Se você caiu aqui por acaso, não resista, se tratando de GOT, série e livros valem muito a pena. 

A Dança dos Dragões - As Crônicas de Gelo e Fogo - Livro 5
A Dance with Dragons 
George R.R. Martin
Tradução Márcia Blasques
Editora Leya
2012 - 864 páginas

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Escuridão Total sem Estrelas


Que Stephen King é um mestre do terror, ninguém discute. Mas este livro com quatro contos tem algo a mais, um reflexo duro da nossa realidade (mesmo quando a história ocorre em 1922), e no meu caso, coincidiu até com uma notícia que eu estava lendo. Sobre o que ele trata? Machismo. Ambição. Vingança. Inveja. Morte. Vida.

No primeiro conto (1922) Arlette quer vender as terras da família e se mudar para a cidade. Seu marido, o agricultor Wilfred não consegue nem pensar nisso, e convence o filho adolescente Hank ficar ao seu lado. Como a esposa, herdeira de grande parte das terras planeja vender as mesmas para uma grande empresa, só há uma solução: matá-la. E não se preocupe isso não é spoiller, está na primeira página do conto.

Quem conta é o próprio Wilfred, que vê o sonho de viver todos os seus dias na fazenda esfarelarem como pão velho após o crime, que seria perfeito se ele não se tornasse seu próprio julgador. 

Uma frase dita pelo xerife da história me marcou bastante: "A Bíblia diz que o homem sempre é a cabeça da mulher, e que a mulher, se precisa aprender alguma coisa, deve aprender em casa, com seu marido.". Pelo número de crimes que ainda ocorrem com mulheres, o pensamento parece ainda existir em muitas cabeças masculinas nos dias de hoje, e no próximo conto.

Gigante do Volante acabou me impactando mais pela coincidência do episódio do estupro coletivo ocorrer enquanto eu o lia. Tess é uma escritora cujas personagens são velhinhas investigadoras. Metódica, até mesmo insegura, traça planos para todas as suas ações, até que um atalho muda a sua vida. Tess é estuprada e abandonada junto a outros corpos femininos para morrer. Quem sai do buraco e trava uma luta para sobreviver é outra mulher.

A nova Tess quer vingança, mas precisa esconder seus hematomas. A velha Tess e suas velhinhas acham melhor chamar a polícia, mas isso não satisfaz a mulher que sobreviveu ao inferno. Enquanto a discussão interna ocorre um plano é criado.

Neste conto, a realidade é expressa pela personagem Betsy e transcrevo para todos pensarem: "Mulheres em todos os cantos do mundo estão sendo estupradas enquanto falamos. Meninas também. Algumas que, sem dúvida, possuem bichinhos de pelúcia preferidos. Algumas são mortas, outras sobrevivem. Das que sobrevivem, quantas você acha que denunciam o que acontece?".

Extensão Justa, o terceiro conto da história, surge para aliviar a tensão das outras histórias, ao mesmo tempo em que nos leva a pensar no que a inveja é capaz de fazer. Streeter é um homem comum, tem família, emprego e câncer. Um dia, ao parar na estrada para vomitar, encontrou George Odabi em uma banca chamada Extensão justa. Havia apenas ele ali, e no momento em que a conversa começou, nenhum outro carro passou. Ele vendia extensões, inclusive de vida. O preço? Não é sua alma, e sim 15% do salário de Streeter e dizer o nome de uma pessoa que odeia. Streeter compra a extensão e acompanha toda a decadência da pessoa que invejava, já que todo o seu mal é passado para ela. 

Conforme a história vai acontecendo, imagino os eleitores se dividindo em dois grupos: os que irão se agoniar e desejar que Streeter reconsidere e os que irão desejar encontrar George Odabi para tornar os próprios desafetos infelizes. Afinal, como diz Odabi "A alma dos humanos se tornou pobre e transparente".

Para finalizar, temos Um Bom Casamento. Darcy é o retrato da esposa americana pintado em muitos filmes da sessão da tarde, um bom casamento, filhos encaminhados, feliz em sua rotina. Mas ela precisou de pilhas, foi até a garagem e tropeçou em uma caixa que nada mais era que a segunda vida do seu marido.

Tentou procurar justificativas, alegar curiosidade masculina, mas algo a fez procurar por mais. E a verdade após vinte anos de casamento era aterrorizante. O que fazer após tantas mentiras? Como resolver sem marcar os próprios filhos? As escolhas e decisões de Darcy não são nada fáceis.

Mas nada fácil também é ler a justificativa de um psicopata "Ficamos procurando as esnobes. Essas são fáceis de reconhecer. Elas usam saias muito curtas e mostram as alças do sutiã de propósito. Elas seduzem os homens." e saber que não é ficção.

Talvez muitos achem essa resenha feminista, e ela é. Simplesmente pelo fato que precisamos parar e reordenar nossos pensamentos, valores, direitos e deveres. Para que se possa ler este livro, sentir medo, raiva e desespero, mas ao fechar a contracapa respirar fundo e saber que o mundo real é diferente. Só assim poderemos pegar firmemente na mão do autor e voltar à luz do sol.

Escuridão Total Sem Estrelas
Full Dark, No Stars
Stephen King
Tradução Viviane Diniz
Suma de Letras
2010 - 390 páginas

sábado, 21 de maio de 2016

Os Pilares da Terra


No século XII a Inglaterra vive um estado de anarquia. Com a morte do Rei Henrique I sem que este deixasse herdeiros diretos, é iniciada uma guerra civil pela disputa do trono. Os mais ambiciosos escolhem os seus lados, esperando em troca terras e cargos. Quem sofre é o povo, com governantes despreparados, aumentando assim a fome e os fora-da-lei.

Ken Follet utiliza os quarenta anos de construção da catedral gótica de Kingsbridge para contar a história dos ambiciosos e dos que lutam para sobreviver, praticamente uma batalha do bem contra o mal em suas quase mil páginas. Ao contrário do que se possa imaginar, esta ficção histórica não cansa, tendo ganchos perfeitos que te fazem ler mais e mais. 

A história tem inicio em 1123, quando um homem é enforcado e uma maldição é lançada sobre três figuras: o cavaleiro, o monge e o jovem sacerdote que acompanham a execução da sentença. Pulamos para 1135 onde conheceremos a família de Tom construtor, que sonha em construir uma catedral, e nos encontros e desencontros com o monge Philip tem uma oportunidade graças ao jovem Jack. Entre os nobres, a bela Aliena nega ficar noiva de lorde Willian, a humilhação abre a porta para que Waleran utilize a família desprezada para alcançar o que a sua ambição deseja dentro da igreja. 

Entre a disputa de Estevão e Matilde pelo trono, até o surgimento de um novo Rei Henrique a história vai até 1174, neste tempo crianças irão crescer e adultos envelhecer, alguns mudando o destino em momentos que tudo parecia terminado, outros simplesmente ficando pelo caminho. Terras alternam com facilidades de mão, pois o que pesa é a participação do homem para ganhar a guerra, mesmo que ele seja um traidor.

O grande segredo da narrativa é que não existe acontecimento em vão nas seis partes da história, tudo é costurado de uma forma que mais tarde se verá as consequências. Como na vida real, injustiças acontecem, e não existe um toque de mágica para resolvê-las. Para tudo existe a mistura de sorte, trabalho e influência política.

Meu personagem favorito é Philip, sua fé e bondade, somadas a sua inteligência, fazem a sua figura cativante, mesmo quando se torna intransigente devido às regras que acredita, é impossível não admirar suas ideias para resolver diferentes tipos de questão. E sua vida não é nada fácil, mas sua persistência o faz sempre seguir adiante, por maior que seja o tombo.

As mulheres da história também fogem do estereótipo da mocinha que fica em casa a espera do príncipe encantado. São fortes, com opinião, lutadoras e influenciadoras. Seja criando um monstro ou correndo atrás do verdadeiro amor.

Por ocorrer em um período de guerra, a violência pulsa em diversos capítulos. Estupros e assassinatos são comuns e não recebem punição, pois todos são aliados de alguém. O que torna os personagens Willian e o arcebispo Walenan dignos de todo nojo e desprezo do leitor.

Pilares da Terra entrou na minha lista de melhores livros, o que tornou essa resenha muito difícil, pois a história encanta o leitor nos detalhes. Então simplesmente digo: não tenha medo do seu tamanho, quando terminar, você irá sentir saudade de alguns personagens.

Os Pilares da Terra
The Pillars of the earth
Ken Follet
Tradução: Paulo Azevedo
Editora Rocco
1989 - 941 páginas

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sábado, 23 de abril de 2016

Diário de uma paixão


Confesso. De início não gostei. A escrita não me cativava, faltava algo. Quase fechei e deixei assim. Mas a paixão pelo filme me fez seguir em frente, e é justamente no que vou chamar "época atual" que a leitura passou a valer a pena.

Se o filme se apega aos primeiros anos do amor de Noah e Allie, o livro já possui um equilíbrio entre as duas fases. O problema (pra mim) é que a primeira fase é muito cheia de clichês, eles são lindos, especiais, existe uma terceira pessoa para disputar o amor, tem uma vilã que os separa, orgasmos múltiplos, enfim, o que se encontra em qualquer romance. E com isso o filme acaba dando de dez a zero.

O livro melhora na etapa que o filme abordou mais superficialmente. No depois. Eles estão velhos, doentes, mas o carinho de Noah por Allison é algo que ultrapassa as páginas. Aqui a narrativa se torna real, tanto ao descrever a visão dos que o cercam quanto da mulher que tanto ama, mas agora não sabe mais o seu nome. Sua esperança está em recontar sua história, para ver se o coração consegue superar a memória que se esvai.

A narrativa em terceira e primeira pessoa vai conforme a visão do triângulo amoroso, ficando mais centralizado no casal principal. É através de Noah que sentimos o peso da saudade e da solidão. Conforme as lembranças preenchem suas noites, o leitor fica sabendo que o feliz para sempre é recheado de momentos simples, conquistas e perdas. 

Sim, Noah é o homem que toda mulher sonhou. Companheiro, atencioso, não só escuta como incentiva a mulher se realizar profissionalmente. Um pai admirado pelos filhos. Um cara simples, honesto, que deixa as lágrimas rolarem e tem um coração gigante. 

Então sim, se você passar a página 50 e ainda se sentir entediado, espere mais um pouco, o livro pode ser uma agradável surpresa.

Diário de uma paixão
The notebook
Nicholas Sparks
Tradução Renato Marques de Oliveira
Novo Conceito
1996 - 235 páginas

sábado, 12 de março de 2016

(Sobre)Viver


Energúmeno, estafermo, desalmada, empecilho, verme. Eram alguns dos nomes carinhosos dados pela avó para a pequena de cinco anos.

Aprende e depressa. Ordenou o raptor.

Pertenço a equipa dos bons. Afirmou o detetive.

Uma luz dentro de um túnel escuro. Era o doutor que lhe ajudou.

Brilhantes, genuínos e verdadeiros. Adjetivos atribuídos para os olhos de quem lhe apresentou o amor.

Filipa Natal narra uma história pesada em dor, força e tristeza com uma leveza que não permite ao leitor cair após cada bofetada, mantendo-lhe em pé junto com a sua personagem principal. O fio condutor é uma mulher, mas alguns dos homens que influenciaram o seu caminho também possuem voz ativa. Livros e músicas são utilizados como referência em várias das situações, tanto que citações abrem e fecham (Sobre)Viver, cujo título dúbio é uma pista para os desavisados de que está não é mais uma história de amor.

(Sobre)Viver é a história da menina maltratada pela avó, que é enganada ao ter um pouco de atenção e paga como preço perder vários anos de sua vida nas mãos de um louco. É também a história de uma mulher traumatizada, mas valente, que descobre a força do amor e todas as alegrias e dores que ele lhe pode trazer.

É a história de várias mulheres em uma. Como avisa a contracapa é sobre recomeçar, por mais difícil que pareça. Morte e vida andam lado-a-lado, e por mais estranho que possa parecer, mesmo em situações extremas existe o poder da escolha: respirar, lutar, abandonar, aprender ou morrer.

Um livro sobre violência e amor, para quem quer pensar e refletir. Talvez você chore quando o coração apertar, ou identifique histórias semelhantes no dia-a-dia, seja na própria casa, nos vizinhos ou páginas de jornal. Quem sabe agradeça a sua sorte ou busque forças para mudar.

A única certeza é que não há como se sentir indiferente na leitura de (Sobre)Viver. E após fechar a última página, ele ainda estará ecoando na sua mente.

(Sobre)Viver
Filipa Natal
Chiado Editora
2014 – 297 páginas