sábado, 12 de agosto de 2017

Retrato de uma Mulher Desconhecida



Na Inglaterra do século XVI somos apresentados a Meg Griggs, uma jovem curiosa e inteligente, filha adotiva do filósofo Thomas More, autor de Utopia que foi canonizado pela Igreja Católica por morrer de forma trágica defendendo a sua fé.

Misturando fatos reais e ficção a autora usa a personagem Meg para mostrar a famosa educação dos filhos de More (que não fazia distinção entre meninos e meninas), a história dos Plantagenetas e dos Tudors, a relação com humanistas como Erasmo de Roterdã e o pintor Hans Holbein (que também faz o papel de narrador em alguns momentos da história).

Vanora Bennett escreve uma história cativante, onde os sentimentos podem ser tão reais quanto aos fatos. Da competição e inveja entre irmãs, ao fato do pai se açoitar para expurgar pecados. De casamentos infelizes a pessoas queimadas na fogueira.

Meg mostra suas qualidades e fraquezas durante todas as páginas do livro, como se fosse um gato ela vai desenrolando um novelo de lã invisível, onde segredos são revelados e sua visão de mundo cada vez mais ampliada, tornando suas escolhas conscientes.

Ela irá caminhar entre católicos fervorosos e pobres que se rendem a palavra de Lutero, este conquista corações ao traduzir a palavra de Deus, tornando-a mais próxima daqueles que desconhecem o latim. Um submundo onde a fome e a tortura andam lado a lado, e questionamentos são realizados a todo o momento.

Outro que passa por esta Europa que começa a se dividir é o pintor alemão Hans Holbein, que em sua estada para retratar a família More se apaixona por Meg e com seu olhar torna o novelo de lã visível. Um dos capítulos mais interessantes é o que descreve o significado dos objetos na obra Os Embaixadores, onde toda a turbulência de um período é descrito, assim como ocorre com o segundo quadro pintado da família More. 

A narrativa em primeira pessoa torna o leitor ainda mais próximo dos personagens. Apesar de saber que a história real possui um final infeliz, a de Vanora termina um pouco antes, o que torna o final com um significado ainda mais grandioso.

Retrato de uma mulher desconhecida
Portrait of an unknown woman
Vanora Bennett
Tradução: Anna Olga de Barros Barreto
Editora Record
2006 – 514 páginas