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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Modernidade em preto e branco


Sinopse: Geralmente entendido como um movimento de elite, o modernismo brasileiro costuma ser associado a um seleto grupo paulistano. Contudo, desde as primeiras favelas das décadas de 1890 e 1900 até a reinvenção do carnaval nos anos 1930 e 1940, e atravessado pelo boom das novas mídias impressas e da fotografia, o modernismo perpassou diversas classes sociais e áreas geográficas. Neste livro, Rafael Cardoso oferece uma releitura radical do movimento, trazendo à luz elementos absolutamente centrais para seu desenrolar -- e que não se encontram somente em terras paulistas.

Com o objetivo de usar a combinação de imagens e pesquisa para guiar os leitores pela sociedade brasileira dos anos que abrangem o período de 1890 e 1945, Modernidade em perto e branco teve a sua primeira versão publicada em inglês no ano de 2021, sendo reescrito em 2022 para o público brasileiro.

Com um texto crítico a Semana de Arte Moderna de 1922 e sendo contrário a ideia de que São Paulo foi o marco inicial do modernismo no Brasil, o autor questiona a narrativa que comemorou os cem anos do Modernismo resgatando a arte de outros estados.

Nos estudos de literatura brasileira, a noção de pré-modernismo vem sendo desmontada desde o final da década de 1980.


Principalmente do Rio de Janeiro com sua boêmia, revistas e o surgimento do movimento popular que até hoje faz sucesso chamado Carnaval.

Ao buscar a cultura no período de 1890 a 1945, ele também relata as tenções nas relações raciais, a ambiguidade sobre qual seria a identidade do brasileiro.

Mesmo consagrada por estudiosos e preservada por instituições fundadas em sua memória, a importância da Semana reside principalmente em seu status como lenda.


Sendo um livro que questiona não só o modernismo, mas a cultura e os eventos de uma época.


A escrita de Rafael Cardoso

O historiador carioca Rafael Cardoso possui livros de ficção e não ficção publicados, sendo o segundo tipo a maioria.

Sendo Modernidade em preto e branco um deles, com o objetivo de contribuir como se fosse um estudo de caso, o texto possui uma série de referências bibliográficas usadas para embasar o que é apresentado.

A dialética entre regionalismos e nacionalismos é um problema conceitual imenso, muito além do escopo deste livro.


As imagens possuem descrições no texto para situar, principalmente as capas das publicações da época, o contexto do que era desenhado.

Sendo um livro que no geral mistura história, cultura e sociedade durante o período de 1890 e 1945 no Brasil, com alguma pitada do que acontecia fora dele também.


O que eu achei de Modernidade em preto e branco

Eu não consegui finalizar a leitura. Confesso. Eu literaturei o que pude, e acabei abandonando.

Embora eu goste de livros de não ficção, principalmente os que envolvem história, a escrita do Rafael Cardoso infelizmente não me cativou.

Entre 1890 e 1930, o surgimento das favelas nos morros do Rio de Janeiro atiçou discursos que promoviam uma correspondência entre negritude, barbárie e atraso.


Nos primeiros capítulos, apesar do contexto, a forma comparativa de São Paulo e Rio de Janeiro me fez pensar mais na rixa que existe entre os dois estados e qual o peso disso no desmerecimento do grupo que talvez tenha amplificado o termo Modernismo na época.

Eu já tinha conhecimento do elitismo através da leitura do livro da Carolina Casarin - O guarda-roupa modernista -, mas não acho que isso diminua um movimento que inclusive teve os seus cem anos festejados em 2022.

Desde suas origens nas festividades de entrudo, na era colonial, o Carnaval sempre operou como um mecanismo para subverter relações de poder e propriedade.


E embora tenha alguns pontos bem interessantes, a escrita no geral não me cativou. A descrição detalhada das imagens me fizeram recordar muito livros didáticos.

Ele explora bastante também a parte conceitual, o que é ótimo para quem gosta de se aprofundar, mas assumo que acabou me cansando.

Tanto em termos temáticos como formais, o Carnaval propiciou um foco para expressar ideias de modernidade.


Tentei intercalar com livros de ficção, mas acabava divagando durante a leitura. 

E como ninguém merece sofrer, aproveitei que a poucos anos aprendi a abandonar o que não me conquista, e desisti com pouco mais de duzentas páginas lidas e a conclusão que não, não era o momento ou não era pra mim.

A disseminação de revistas ilustradas em escala industrial conta-se entre os indícios mais reveladores da modernização cultural no Brasil do início do século XX.


Mas como cada leitor tem o seu gosto, pode ser que ele te conquiste, caso deseje uma visão diferente da mais divulgada sobre o modernismo.

Além de apresentar aspectos da cultura carioca que também estariam alinhados com o conceito que surgiu na Europa.

Ficando a dica para quem se interessa pelo assunto e deseja ler diferentes aspectos de uma época.


Modernidade em preto e branco
Rafael Cardoso
Companhia das Letras
2022 - 366 páginas

sexta-feira, 8 de março de 2024

O guarda-roupa modernista


Sinopse: Entre 1923 e 1929, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade formaram um par icônico da cultura brasileira. O casal Tarsiwald - apelido cunhado por Mário de Andrade -- se consagrou como um símbolo tanto no campo das artes visuais quanto no da literatura. Em O guarda-roupa modernista, a professora e pesquisadora Carolina Casarin mostra como os dois se apropriaram da moda para deixar a sua marca. Inédita, esta farta pesquisa revela como os ideais modernistas e as contradições do movimento podem ser compreendidos a partir da escolha das roupas de dois notáveis intérpretes do Brasil. 

Em O guarda-roupa modernista: o casal tarsila e oswald e a moda, a escritora alagoana Carolina Casarin compartilha sua pesquisa de doutorado relacionando diferentes registros da época: vestimentas, fotografias, pinturas, obras literárias, correspondências, depoimentos e recibos, para contar não só a história de um casal que marcou época pela sua personalidade, mas do próprio Brasil que começava a conhecer o modernismo.

O primeiro ponto a se observar é que, como já cantava Cazuza: vivemos em um museu de grandes novidades. E assim podemos dizer que o poeta Mário de Andrade foi quem iniciou a moda de shippar um casal com a utilização do Tarsiwald, sem a # por conta da época, obviamente.

Poucas peças do guarda-roupa de Tarsila e Oswald foram preservadas, e nem todas as que sobreviveram estão acessíveis ao publico.


Assim como mostrar uma sociedade intelectual burguesa que bebe muitos vinhos, viaja para a Europa e não dispensa a moda francesa para transmitir a sua mensagem e realizar o seu marketing pessoal através da roupa. 

No caso de Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade as cartas registram as trocas de mensagens entre viagens, além de amenidades, listas de compras e indicações de estilistas, como Poiret, o favorito do casal modernista que curiosamente já havia perdido a popularidade na Europa por não se atualizar nas suas criações.

E, para Oswald, a "passagem" do Império para a República é um deslizamento de poder percebido de forma natural, mais continuação do que ruptura.


O livro aborda principalmente o período entre os anos de 1923 e 1929, tempo de relacionamento do casal título, que terminou justamente no ano da grande recessão, afetando não só os bolsos, mas como as relações sociais e amorosas da elite paulistana. Mas possui também citações de outros anos de ambos ao comentarem suas memórias.

Uma mistura de moda, busca pelo reconhecimento, arte e poesia entre os protagonistas do grande movimento cultural chamado modernismo no início do século XX, ao qual os ecos repercutem até os dias de hoje.


A escrita de Carolina Casarin

Por ser um livro baseado em uma pesquisa e de não-ficção, confesso que a escrita da autora Carolina Casarin me surpreendeu positivamente. Pois existe fluidez nos capítulos, tornando a leitura agradável.

Fazendo um paralelo com um documentário, os capítulos são bem divididos, e os textos conseguem misturar bem a pesquisa sobre as roupas e os fatos que estavam acontecendo tanto com o casal, quanto com os outros integrantes do movimento que originou o Modernismo.

Tarsila soube desfrutar de sua rara condição de autonomia, que lhe garantiu a liberdade de mulher adulta, manteve o desejo de independência e propiciou o contato com as novidades oferecidas pela vida cosmopolita.


A inclusão das fotos permite um entendimento melhor não só do estilo de roupa optado da época, como também observar por uma fresta um pouco da vida e as próprias obras da Tarsila, ao qual confesso ser fã.

Para quem deseja saber mais, ao final do livro estão listadas todas as biografias, notas e origens das informações utilizadas.


O que eu achei de O guarda-roupa modernista

Eu ganhei estes livros em uma ação comemorativa aos 100 anos do Modernismo feito pela editora Companhia das Letras. E devido ao meu tempo livre ter se reduzido nos últimos tempos, acabei postergando a leitura. Mas confesso que foi uma grata surpresa.

Por ser um trabalho de pesquisa dedicado ao detalhamento das roupas, dei uma pulada em algumas partes por ter achado mais maçante, até porque não sou da área nem uma aficionada em moda. Mas para os fashionistas de plantão, fiquei com a impressão que pode ser bem interessante, até pelo fato de a moda ser bastante cíclica.

O movimento modernista brasileiro foi amplo, com várias fases, e englobou literatura, artes plásticas, música e literatura.


O que realmente me atraiu foram os fatos históricos, as relações interpessoais da época, as personalidades que fizeram acontecer o movimento do modernismo, principalmente de Tarsila. 

Achei muito interessante conhecer um pouco mais da artista através das cartas trocadas e de comentários retirados de antigas entrevistas. Assim como o relacionamento do casal com a escritora Pagu, e fiquei imaginando se uma parte de Parque Industrial foi inspirada no que ela viveu junto ao grupo. 

As fotografias de grupo são exemplares para conhecermos os gestos, as poses e as fisionomias apreendidas pelos retratos.


Um livro de não-ficção que conta um pouquinho de uma geração do início do século XX que pode surpreender desavisados como eu e também quem curte saber sobre a influência da moda na nossa própria história.


O guarda-roupa modernista
o casal tarsila e oswald e a moda
Carolina Casarin
Companhia das Letras
2022 - 275 páginas

domingo, 11 de abril de 2010

1808

Para quem quer conhecer mais da história do Brasil, relembrar alguns fatos ou simplesmente gosta do assunto, o livro de Laurentino Gomes narra de forma clara, fácil e às vezes, divertida, sua pesquisa sobre a fuga da família real portuguesa e as transformações sofridas no Brasil com a sua chegada.

1808 não trás grandes novidades (talvez uma explicação sobre a origem), mas estão lá a política corrupta, a compra de títulos e o famoso jeitinho brasileiro. Focado em João VI, o rei é exibido como uma figura simpática, além de feio, medroso e indeciso. Mas o fato de ter burlado Napoleão (apesar de deixar várias riquezas em Portugal) dão um certo mérito ao homem que, sem querer, começou a mudar a cara da colônia e dar ares de país a nossa pátria.

Na orelha do livro é dito que o propósito do livro é resgatar e contar de forma acessível a história da corte portuguesa e tentar devolver aos seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam. O que, na minha humilde opinião, foi alcançado. Desconheço o conteúdo das aulas de História nos dias atuais, mas pra mim, foi como ampliar aquele conhecimento mínimo, dando cara e personalidade a cada um dos envolvidos no período em que tivemos um rei entre nós, além de descobrir curiosidades da época.
Por isso considero 1808 um livro completo, pois da mesma forma que ele é gostoso de ler, nos trás conhecimento, e assim, repensar sobre atitudes que o país repete a muitos anos e a população não se esforça para mudar.