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terça-feira, 8 de outubro de 2019

O Epinício de Sangue



Sinopse: O ar medieval de Toledo, antiga capital da Espanha, sempre instigou a imaginação de Triana. Quando uma série de eventos misteriosos e sinistros acontecem, ela sente-se no limite da insanidade, incapaz de diferenciar entre fantasia e realidade. No entanto, seus instintos persistem em alertá-la do perigo e revelam que as ruas sinuosas e estreitas se transformaram no palco de confrontos entre anjos, demônios e decaídos, que acreditam que ela é a peça chave de uma antiga profecia.

Foi comentando um blog de literatura que o meu caminho virtual cruzou com a da autora brasileira Sinéia Rangel, que gentilmente me enviou o seu livro para ler e agora eu divido as minhas impressões nesta resenha.

O cenário de O Epinício de Sangue é a cidade medieval de Toledo, na Espanha, cujas ruas e locais históricos encantam e mexem com a imaginação dos seus visitantes.
Os decaídos, como ficaram conhecidos, perderam seu halo, suas asas e com eles sua imunidade à dor e ao sofrimento.
Na história a cidade é o lar de Triana, uma jovem estudante que está no ano final da escola, possui pais amorosos e uma melhor amiga que adora se apaixonar.

Mas toda a sua rotina muda quando figuras místicas a cercam, e ela descobre toda a verdade sobre as origens da sua família paterna.
Ao contrário da maioria dos adolescentes que conhecia, era a sensação de viver num século passado o que mais gostava.
Por ser um livro indicado ao público jovem com mais de 16 anos, há também romance, e aqui temos Martín, um anjo que se prepara para se tornar arcanjo e nada mais nada menos que filho de Miguel. Sua missão é observar Triana, mas ele acaba se apaixonando pela moça e precisa se decidir em desafiar ou não as regras celestiais.

Ao ler esta fantasia juvenil me vieram na memória cenas da série Supernatural, e de livros como Apocalipse, onde anjos e demônios estão sempre preparados para a guerra, enquanto o equilíbrio dos humanos é ameaçado. 

Mas o grande diferencial, e no qual eu considero um mérito do livro, é trazer uma nova face para Lúcifer, quebrando o que temos em nossa imaginação.  E apresentar para o público jovem figuras como Lilith, a primeira mulher que teria sido criada por Deus.
Lúcifer nunca desejou a destruição dos homens, tampouco queria governar, seu único pecado foi apaixonar-se.
A narrativa é predominantemente em primeira pessoa, sendo narrado a maior parte do tempo por Triana em uma linguagem rápida, onde a ação dos seres místicos divide espaço com questionamentos típicos adolescentes, que vão da personalidade, passando pelo sexo até os relacionamentos.

Cada capítulo usa uma frase, que pode ser de uma música - para quem busca playlist existe uma com o nome do livro no spotify - ou de outros livros, entre eles o clássico de Miguel de Cervantes: Don Quixote, cujo fidalgo possui relação com a cidade de Toledo.
Havia tantas páginas marcadas pelo desgaste, resultante do manuseio frequente, que abria nos meus trechos favoritos sem qualquer esforço.
Eu, como leitora adulta, senti falta de mais detalhes em relação aos anjos, ambiente menos explorado na história, assim como do próprio Miguel, já que Lúcifer e Samael possuem uma participação mais ampla. Ficando a sensação que uma nova história poderia surgir deste meio.

O livro é vendido em formato de e-book, tornando mais fácil seu acesso principalmente pelo público alvo. A mistura de fantasia e romance pode ser uma boa pedida para quem procura uma leitura rápida ou ficou órfã de livros no estilo Saga Crepúsculo, só que agora com um toque brasileiro.

Sinéia Rangel
436 páginas – 2019
Produzido pela escritora, o livro é vendido pela Amazon.com.br

sábado, 13 de outubro de 2012

A Batalha do Apocalipse


O fim do mundo começou no sétimo dia. Quando Yahwed foi descansar e deixou os humanos aos cuidados dos seus arcanjos. Mas na história de Eduardo Spohr, não apenas Lúcifer inveja os homens, mas também os seus irmãos, como o príncipe dos Anjos, Miguel.
 
Entre as tentativas de eliminar com a vida na terra, onde é citado o dilúvio – aqui uma obra de Miguel e não do criador-, um pequeno grupo de anjos guerreiros se revoltam contra as ordens, sob o comando do general Ablon. Mas como os arcanjos são poderosos, eles se tornam renegados, expulsos do céu e condenados a viver na terra.
 
No céu, a luta pelo poder faz com que Lúcifer entre em batalha com Miguel, e Gabriel assuma a responsabilidade de proteger Cristo de seus irmãos. Enquanto o diabo é expulso, os renegados são caçados na terra.
 
 
Entre fugas e andanças, Ablon, o general dos renegados, vê seus seguidores morrerem e descobre o amor em uma humana, a feiticeira necromante Shamira, que possui o dom de utilizar a energia dos mortos para permanecer jovem durante vários séculos.
 
 
Mas ao final do sétimo dia é também a hora do apocalipse. E neste momento, Ablon terá que realizar muitas escolhas e descobrir em quem irá ou não confiar. Enquanto os anjos se preparam para a grande guerra dos arcanjos, para saber com quem ficará o poder, Ablon escuta tanto do demônio quanto de Gabriel propostas de aliança. Em paralelo, a terceira guerra mundial explodiu, e Nova York já desapareceu.
 
 
A Batalha do Apocalipse é uma história fantástica bem interessante. Tem a ironia de Deus estar dormindo enquanto a humanidade sofre várias tentativas de aniquilação por parte do seu principal arcanjo. Uma nova visão sobre o surgimento de Cristo, que me lembrou a ousadia de Dan Brown em O Código da Vinci, mas pela diferença de escrita, não gera nenhum protesto entre os mais religiosos. A filosofia sobre o nosso livre arbítrio, como uma lembrança de que muitas vezes colocamos no destino a responsabilidade por algo que foi de nossa própria escolha.

Por outro lado, considero exagero do José Louzeiro, que escreve a sua opinião nas orelhas do livro, comparar a história com o estilo de J.R.R. Tolkien, autor da trilogia Senhor dos Anéis. Pois em alguns momentos, Spohr exagera no inverossímil, podendo deixar o leitor mais exigente um pouco incomodado, atrapalhando assim o ritmo de leitura da história.
 
Enfim, uma história interessante, com mocinhos e bandidos, amores e ciúmes, coragem, fé e redenção. Uma boa leitura para quem gosta de história fantástica, anjos e sangue.

A Batalha do Apocalipse – Da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo
Eduardo Spohr
Editora Versus
586 páginas

domingo, 1 de janeiro de 2012

Marcada








Marcada é o primeiro livro da série House of Night escrito pela autora P.C. Cast e sua filha Kristin Cast. Conta a história de Zoe Redbird, uma adolescente que foi “marcada”, o que significa que após um período em transformação irá virar uma vampira. Ela terá de abandonar sua vida pregressa para habitar a Morada da Noite. Em meio à rotina noturna de sua nova escola/lar, conhece as pessoas que se tornarão seus melhores amigos – Steve Rae, Erin, Shaunee, Damien e Eric, e se vê dotada de poderes que nem imaginava serem possíveis.

Neste mundo de vampiros novatos é que se passa a empolgante e adolescente história de Marcada.  Como introdução à série, certamente deve ser o livro mais fraco. Não cativa instantaneamente por conta da comparação com séries como Crepúsculo (inevitável, apesar de Marcada ser sem dúvida mais voltada ao público adolescente que a série de Meyer). Mas, mostra personalidade  e é um bom começo para uma coleção que tem tudo para entrar no hall de livros “febre do momento”.

Marcada trás Zoe, trás a adolescencia com suas impulsivas decisões e importantes amizades, trás valores, trás sedução – e vampiros não existem sem este quesito, trás o misticismo nos arabescos, nos rituais e, claro, nos poderes concedidos pela deusa da noite. 

Os vampiros são muitos pela literatura a fora mas, o que importa não é o que melhor os retrata ou quem copiou o que de quem. O que importa é as diferenças e igualdades dos mundos descritos, é a criatividade na relação entre o que já existe e o que pode ser inventado sem ser chato. E definitivamente, Marcada não é um livro chato. Tem nele o envolvimento que nos leva a querer ler mais e mais. 


CAST, P.c.; CAST, Kristin. Marcada. São Paulo: Novo Século, 2009. 328 p. (House f Night).