domingo, 1 de março de 2009

Ensaio Sobre a Cegueira

Decidi ler Ensaio após assistir sua versão para o cinema. O filme de Fernando Meirelles me fez sair da sala impactada, mas por mais que ele tente ser fiel, não consegue transmitir a confusão de sentimentos que José Saramago me fez sentir meses depois a cada virada de página.

Eu poderia dar diversas interpretações, dizendo que o livro é uma provocação sobre o que o homem pode fazer em situações de caos, ou simplesmente, por saber que ninguém está olhando. Afirmar que é um livro crítico ao governo, que se livra dos indesejados em qualquer lugar, sem perceber que o mesmo mal irá lhe afligir cedo ou tarde. Ou que trata sobre a covardia humana, onde a maioria se encolhe ao que fala mais alto. Talvez acreditar que se trate do machismo (que exige o sacrifício feminino) e do orgulho que esse possui (onde a mulher do outro pode ir, mas a minha não). Ou resumir em uma loucura total, onde o caos e situações bizarras se misturam.

Mas não. Ensaio não possui definição e nem um resumo apropriado, pois ele depende inteiramente da visão (ou falta) do leitor. É ele quem precisa mergulhar nessa história fantástica e identificar o que lhe atrai, tirando assim a venda sobre os próprios olhos.

Pois ao terminar a leitura, essa foi a minha conclusão: Ensaio sobre a cegueira trata unicamente da alma do ser humano, que apesar de enxergar o sinal de trânsito todo dia, permanece tateando na vida, o que me faz definir tudo em uma única frase: Cegos somos, e cegos continuaremos.

3 comentários:

Teresa Azambuya disse...

Já tinha lido o livro há muitos anos, em 2004, o primeiro do Saramago que li.
Fiquei curiosíssima com a versão cinematográfica, que não vi ainda, mas imagino que deva ser ótima.
Acho que a tua última frase definiu perfeitamente o indefinível: cego somos e cegos continuaremos.

Kelli Pedroso disse...

Li o livro e assisti o filme. Geralmente é difícil fazer uma adaptação cinematográfica e, principalmente, ser fiel à obra. Ainda mais quando se trata de complexidades do ser humano.

Marco Caetano disse...

Na verdade li o livro de propósito para ir ver o filme.
O livro achei fantático, dos melhores que já li até hoje. O filme não desiludiu.