sexta-feira, 6 de março de 2009

Alienante Alienista

Não há quem tenha passado pelo ensino médio ou pré-vestibular sem ao menos ouvir falar da obra O Alienista. Publicada em 1882, conta a história do homem que encerra em um hospício boa parte da população de uma cidade. Seu autor, Machado de Assis, além de ser um dos mais importantes nomes da literatura brasileira, foi um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, romancista, contista, poeta, dramaturgo, cronista e crítico literário. Dentre suas obras mais famosas estão os romances Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba.

Considerada uma novela por alguns e um conto mais longo por outros – possui quase 50 páginas – , O Alienista, cujo personagem justifica seus excessos como um bem para o futuro da ciência, seria uma crítica ao cientificismo do século XIX. Os treze capítulos abordam um a um as peripécias do Dr. Simão Bacamarte ao classificar os habitantes de Itaguaí em sãos e loucos. No decorrer da história, muda consistentemente de critérios para avaliar a condição mental das pessoas, chegando a internar até mesmo sua esposa no hospício conhecido como Casa Verde.

Situações inusitadas surgem para mostrar características psicológicas de personagens condizentes com a realidade de qualquer leitor. A mulher que presta atenção na forma de se vestir das amigas, o senhor que gosta de se expo à janela de sua mansão, os vereadores que decretam que nem um deles poderá ser internado na Casa Verde e até mesmo o estranho personagem do Dr. Bacamarte que mesmo fazendo coisas absurdas e causando uma revolução, ainda tem a estima do povo.

Com um texto envolvente e um tanto cômico, Machado de Assis leva os leitores ao encontro de um estilo culto e acessível. Com esta história tão curiosa e narrada de forma rápida e ao mesmo tempo bem detalhada, não é difícil perceber porque o meio acadêmico dá tanto valor a esta obra.


4 comentários:

Teresa Azambuya disse...

Primeira consideração: acho que "O Alienista" é uma obra perfeita para se trabalhar com os alunos de 2º grau. Os professores de Literatura geralmente insistem em que os alunos conheçam Machado de Assis, o que eu acho certo, mas o fazem pelo caminho errado. Começam solicitando a leitura de "Brás Cubas", "Dom Casmurro", por exemplo. Muito melhor se começassem com essa obra, para habituá-los à leitura de Machado que, convenhamos, exige certo esforço.

Bem, em segundo lugar, o Alienista é o retrato político do Brasil: os jogos políticos, pautados nos interesses, sempre os interesses, estão perfeitamente exemplificados na Câmara de Vereadores de Itaguaí. (e aqui me identifiquei bastante, trabalho numa Câmara de Vereadores e sei bem como são as coisas). Portanto, é uma leitura super atual.

Por fim, devo dizer que MAchado de Assis sempre vale a pena. Não é à toa que é considerado o gênio da Literatura Brasileira.

***

Ah, e teu texto está ótimo, Karen!
Só não ficou claro, no texto, pelo menos para mim, porquê do "alienante" alienista. É em referência à obra ou ao protagonista?

Bjs

Karen Drago disse...

Bem, acho que posso responder que em ambos! Mais alienante, claro, o personagem... que levou toda uma cidade!

Kelli Pedroso disse...

Parabéns pela resenha, Karen! E... Concordo com a Teresa, ou seja, acho que os professores deveriam solicitar as obras mais brandas - digamos assim, de Machado de Assis. Imagino o quanto seja difícil a compreensão de sua obra para os jovens. Até porque a maioria não gosta de ler e são "obrigados" a lerem para passarem no vestibular.

Andrea disse...

Eu amo esse livro. Como fiz técnico, não tinha uma aula de literatura muito séria e um colega me trouxe um exemplar com Helena e O Alienista. Durante o resto do ano, passamos brincando de quem ia ou não para a casa verde.
Tua resenha me trouxe a recordação de velhas risadas.