quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Inverno do Mundo




O segundo livro da trilogia O Século começa tenso. É 1933, Maud está morando na Alemanha com o marido e os dois filhos, o casal é opositor ao partido nazista, e começa a sofrer com as primeiras provocações quando recebem a visita de Eth e Lloyd. Os britânicos sentem na pele o preconceito que está por se alastrar, todos os diferentes, isto é: judeus, ciganos, negros, homossexuais, são considerados inferiores pelos loucos de uniforme militar. E o pior, a polícia não faz absolutamente nada para conte-los.

Muitos alemães contrários ao Terceiro Reich não quiseram responder com a mesma a violência, mas ao oferecerem a outra face, acabaram amarrados e presos ao regime que fez estourar a segunda guerra mundial.

Ken Follett novamente distribui os pontos de vista. Nós, leitores, estamos nos Estados Unidos, na Espanha, na França, em Londres, na União Soviética, na Alemanha. Todos os pontos de vista, as mudanças de opinião, as lições não aprendidas, agora vividas pelos filhos dos personagens principais de Queda de Gigantes.

Sofri bastante com Maud e Carla, minhas personagens favoritas. Senti pulsar as dúvidas de Volodya, cujo passado ,guardado com tanto segredo pelos seus pais, começa a bater em sua porta na forma de Greg, outro filho ilegítimo de Lev. Lloyd nos mostra as diversas faces da guerra, assim como os bastidores da subida do partido trabalhista entre os ingleses. O troféu futilidade fica com Daisy, a americana com descendência russa, que almejava brilhar nos bailes da alta sociedade, não me convenceu de sua mudança, sendo o personagem que menos cativou. Assim como Erik, que precisa ser comandado, apoiando sistemas que adotam a ditadura, mesmo depois de viver em meio a tanta dor.

Se no primeiro livro havia uma ênfase aos direitos da mulher, no segundo a pauta é o homossexualismo, mostrado em duas situações: na Alemanha nazista, onde isso se torna arma para espancar e matar pessoa, e na marinha americana, onde um superior menospreza seus subordinados.

Na parte política, além do nazismo já conhecidos por todos, estão os métodos desorganizados e violentos do comunismo, o que torna o comportamento de seus soldados na invasão da Alemanha algo vergonhoso e doentio.

Entre os fatos marcantes estão à criação da ONU, o ataque a Pear Harbor (aqui com forte participação dos Dewar), a espionagem, a criação das bombas atômicas (único ponto que fez com que faltasse uma família no Japão) e a divisão da Alemanha.

Com quase novecentas páginas, a mistura de fatos reais com ficção fazem a história voar. Existe a ansiedade de saber o que vai acontecer. Visto que para o autor, o fato de ser um dos personagens chaves não o torna imortal ou com final feliz garantido.

Recomendo os dois primeiros livros para todos os leitores que amam uma ótima narrativa, e principalmente, para os fãs de história, pois a mistura é perfeita. Quanto a mim, aguardo ansiosa pelo terceiro livro, com previsão de lançamento em 2014.

Inverno do Mundo (Winter of the world)
Trilogia O Século
Ken Follett
Tradução: Fernanda Abreu
Editora Arqueiro
2012 – 875 páginas

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Maneira de ser








A cantora Marina Lima é, sem dúvida, uma das compositoras mais importantes da música brasileira. Por ser uma pessoa poética e intensa, suas canções emocionam, tocam lá no fundo. Quem não gosta de ser traduzido?


Marina é uma mulher a frente de seu tempo, tanto que se reinventa como ninguém. Prova disso é seu primeiro livro, Maneira de ser, que já está na segunda edição — Ed. Ilha. A primeira foi publicada pela editora Língua Geral. A organização do livro é da própria Marina e de Marcio Debellian.      

Em Maneira de ser, Marina deixa registrado suas vivências. A autora aborda suas impressões sobre assuntos que a interessam, como moda, música, família, bichos, e flagrantes do dia a dia, como o acontecimento inusitado do Ibirapuera. Há também curiosidades sobre a vida da cantora e compositora.

O leitor é seduzido desde o princípio, há singularidade em sua escrita. É como se nada estivesse ali por acaso. Seus textos são simples e harmônicos, elementos essenciais que encantam qualquer leitor. Articulada, Marina não apenas conduz, mas dialoga com os leitores, fazendo com que eles se sintam mais próximos da artista — o que torna a leitura ainda mais agradável. Assim, nos damos conta que os assuntos abordados, por Marina Lima, também nos interessam.         

Maneira de ser não é uma biografia. Tampouco tem propósito literário. A escritora denominou a obra como um "diário de afetos". Eis outro ponto positivo do livro: a criatividade artística. Além disso, há todo um cuidado estético. A diagramação da obra é simples, porém sofisticada. Maneira de ser não é apenas mais um livro a ser adquirido. Após a leitura do livro em questão, caro leitor, você irá constatar que ele não merece ir para a estante, mas para a cabeceira.

Marina não somente compartilha, mas acrescenta. Intensa e verdadeira, assim como sua obra, e sua maneira de ser.