quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Feliz Ano Novo




Meu primeiro contato com Rubem Fonseca se deu através do conto “O Cobrador”. Admirável, diferente de todos os contos que tinha lido até então. Uma nova forma de sentir medo. Um medo social. Mas foi com o conto Feliz Ano Novo que me vi rendida aos escritos do autor. O conto me marcou tanto, a ponto de ser a primeira coisa que me passou pela cabeça após o trauma de estar em uma casa invadida por assaltantes. Sempre que me lembro do conto, lembro deste episódio e vice versa.

Na semana passada o livro Feliz Ano Novo passou pelas minhas mãos na biblioteca em que trabalho. Não passou impune. Devorei cada conto me sentindo meio carioca, muito brasileira. São 15 contos que nos levam até a vida de pessoas que não tem nada ou quase nada a perder. Pobreza, falta de perspectiva, discriminação, abandono... Tudo retratado às vezes com humor, às vezes como simples e dura realidade.

Meus destaques (se não for muita ousadia), ficam com o humor de Corações Solitários, - do repórter que inventa as cartas a serem respondidas em um jornal feminino em que todos os funcionários são homens -, para Passeio Noturno I e II, - onde o bom marido desconta as amarguras em crimes singulares -, e para Intestino Grosso, - em que somos agraciados com a entrevista concedida por um autor tão louco quanto verdadeiro: “Já foi dito que o que importa não é a realidade, é a verdade, e a verdade é aquilo em que se acredita”.

FONSECA, Rubem. Feliz ano novo. 2. ed. São Paulo: Companhia Das Letras, 1989. 174 p.

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