domingo, 3 de fevereiro de 2013

Remédio Amargo



Em 1957 o Dr. Andrew Jordan não vê melhoras em uma paciente e joga toda a sua frustação em uma jovem representante farmacêutica. Ao contrário de se intimidar, Celia de Grey vai me busca de um remédio que o auxilie. O que resultou em um verdadeiro milagre e em um casamento.

Celia de Grey é uma mulher inteligente e ambiciosa, e através da sua personagem o autor Arthur Hailey passa por diversos cargos e situações da indústria farmacêutica no período de 1957 a 1985, ao mesmo tempo em que mostra a luta da mulher para assumir cargos antes considerados masculinos.

De representante até presidente, Celia irá se deparar com remédios milagrosos, liberações questionáveis, processos, efeitos colaterais, lucro e sucesso. Todos itens comuns nos bastidores de uma das áreas que lidam com a vida e a morte, a tranquilidade e a dor.

Seu marido mostra um pouco do relacionamento dos médicos com essas drogas de fácil acesso, onde não raro um doutor acaba se tornando viciado em algum tipo de droga, visto que as mesmas são distribuídas de forma indiscriminada. É dele também o lado sensível de apoiar uma mulher que está em constante busca pelo crescimento profissional e quando chega ao posto máximo enfrenta diversas dificuldades.

Para os que criam novas fórmulas, o grande inimigo é a AAA, responsável pela aprovação dos medicamentos que vão para o mercado. Odiada pelos pesquisadores dos laboratórios, os diálogos com os seus representantes são frios e diretos. Assim como a busca de burlar ou forçar o sistema.

Um dos dramas da história é o medicamento Montayne, um medicamento francês cujo presidente do laboratório de Celia adquire os direitos. Seu uso é destinado a combater o enjoo de gestantes, sendo uma promessa de muito lucro. Quando o medicamento é aprovado na França, Celia não se sente confortável, lembrando-se do medicamento da chamada geração talidomida, que gerou nas décadas de 50 e 60 milhares de bebês com defeitos congênitos. Mas ela cede ao entusiasmo e com a aprovação, mas ao ler notícias ao redor do mundo e tentar alertar, vê o seu aviso recusado, sendo obrigada a ter parte em algo com efeitos devastadores para famílias e para o laboratório que trabalha.

Uma história envolvente, que fica na memória do leitor mesmo depois de fechar a última página. Mesmo sendo muito atual, só é encontrado em sebos, fazendo valer uma pequena pesquisa.

Remédio Amargo (Strong Medicine)
Arthur Hailey
Tradução A.B. Pinheiro Lemos
Editora Record
1984 – 486 páginas

Nenhum comentário: