domingo, 14 de abril de 2013

A Menina que Brincava com Fogo





Primeiro aviso para quem começou a ler essa resenha: se você ainda não embarcou nesta história, leia a resenha do primeiro livro aqui e o próprio antes de ver a opinião do segundo, para não se deparar com spoiler.

A Menina que Brincava com Fogo começa dois anos depois da aventura de Mikael e Lisbeth. Mikael está diante de um novo livro polêmico, escrito pelo jovem Dag Svensson, cuja base é a tese de doutorado da sua namorada Mia. Uma bomba que lista o nome de juízes, policiais, jornalistas e outros criminosos envolvidos com crimes sexuais envolvendo menores que são estupradas e às vezes, assassinadas.

Lisbeth ainda não perdoou o fato de Mikael viver tendo casos com várias mulheres, embora ele nem imagine que ela o veja como algo mais do que um amigo. Apesar de evitar o seu encontro (mas continue a monitorar o seu computador), seu visual, assim como a sua conta bancária, não é mais o mesmo, silicones aparecem no lugar de tatuagens. Uma nova mulher está prestes a começar a aparecer, quando o nome Zala muda tudo.

No segundo volume da trilogia Millenium, Stieg Larsson nos faz passar boa parte do livro procurando por Lisbeth e outra desvendando sua história, quando todo o mal é finalmente revelado aos que estão presos as páginas deste livro. Acusada de triplo homicídio, deixa o leitor com a pulga atrás da orelha enquanto o seu passado passa a ser revirado, deixando-o tão perdido e preocupado quanto o Super-Blomkvist, e cabe a nós decidirmos se estamos ao lado de seus poucos amigos ou se caímos em uma rede de desconfiança.

Colocada na berlinda por desafetos, sua imagem é ainda mais deturpada pela imprensa. Mas o que realmente vai machucar Salander é ver pessoas que ela gosta serem machucadas pelo que julga sua culpa, o que a faz alternar entre caça e caçadora.

Se no primeiro livro Mikael estava na berlinda, agora descobrimos que Lisbeth é muito mais do que uma hacker maluca, e sim um perigo a segurança nacional. Alguém com mãe e irmã. Que desde cedo aprendeu a odiar os homens que não amam as mulheres. Uma mulher baixinha e franzina que sabe se defender como poucos.

Uma história envolvente, ainda melhor do que a primeira, que faz o leitor fechar a última página ansioso pela primeira do próximo volume.

A Menina Que Brincava com Fogo - Millennium 2
Stieg Larsson
Tradução: Dorothée de Bruchard
Companhia das Letras
2006 -607 páginas

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