segunda-feira, 11 de julho de 2011

Diário da Queda

No aniversário de treze anos o menino João, um bolsista não judeu de uma escola israelita, é derrubado no chão por seus colegas.

Um avô não conhecido, sobrevivente de Auschwitz, deixa um caderno cheio de verbetes, sem detalhar sua história, sendo um contraponto a outro familiar que publicou um livro sobre o holocausto.

Tentando ser compreensivo com as atitudes do filho, está um pai que desde cedo luta para manter tudo em ordem e acaba recorrendo a escrita para relembrar as próprias memórias.

No centro disso tudo está o narrador, um garoto fraco, um homem imaturo, que fala em culpa e perdão, busca se libertar das próprias raízes, mas parece estar sempre fugindo de si mesmo.

O autor Michel Laud conta a sua história em Diário da Queda (Companhia das Letras, 151 páginas) através de notas narradas em primeira pessoa. Muitas vezes fazendo o leitor acreditar que o texto é autobiográfico (apesar do aviso de que os personagens e situações são reais apenas na ficção).

Seu personagem sem nome não desperta no leitor sentimentos e pena ou raiva, apesar de alguma das suas ações, mas esse distanciamento também não é absoluto, já que o virar de páginas é o seu crescimento.

Tendo como locais a cidade de Porto Alegre e o litoral gaúcho, Diário da Queda é um livro sobre diferença de gerações, posições sociais, cultura e memória. Ao mesmo tempo em que é a igualdade do avô/pai/filho, das perdas e aventuras da adolescência.

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