domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Outro Lado de Mim

Sidney Sheldon é um dos autores mais traduzidos no mundo. Conhecido por títulos como “A ira dos anjos” e “Se houver amanhã”, teve como última publicação um livro de memórias com o sugestivo nome de O Outro Lado de Mim, uma clara referência ao seu primeiro romance de sucesso “O outro lado da meia-noite”.

O outro lado de mim começa com um Sidney de dezessete anos planejando o seu suicídio. Diagnosticado como portador da psicose maníaco-depressivo, passou a vida inteira oscilando entre euforia e tristeza. Somado aos sucessos e desastres de seus textos, o próprio autor comparou sua vida a um elevador.

Infelizmente, para por ai. Seu livro de memórias é superficial ao relatar os seus sentimentos, parecendo mais um resumo do dia-a-dia dos estúdios de Hollywood e das peças da Broadway, apimentados com comentários sobre a vida pessoal de alguns famosos (como Marilyn Monroe e Frank Sinatra).

Sheldon compara suas duas carreiras, afirmando que um romancista é mais valorizado que um roteirista. Pois todos sabem os atores de um filme/seriado/novela, mas dificilmente lembrarão de quem o escreveu. Ler O outro lado de mim é ler as críticas recebidas por cada roteiro escrito por Sheldon, saber qual ator participou, quem estava começando, quem já era uma estrela, quem comandava o mundo do cinema, como se comportavam. Enfim, parte da memória do próprio cinema americano.

Com base nisso, pode-se dizer que o livro de Sheldon nada mais é, que um tributo aos roteiristas, que esperam o telefone tocar, ganham dinheiro quando um roteiro faz sucesso e a carta de demissão quando a crítica é negativa. Mostrar quem nunca é visto por alguém que ainda será lembrado por muito tempo.

No que se refere à literatura, ficam as últimas páginas e o prazer que ela lhe proporcionou. Como o próprio Sidney Sheldon definiu “O romancista é o elenco, o produtor e o diretor. O romancista é livre para criar mundos inteiros, para voltar no tempo, para dar a seus personagens exércitos, criados, mansões. O único limite é a imaginação”.


2 comentários:

Kelli Pedroso disse...

O único livro que li dele foi A Ira dos Anjos - gostei bastante, acabei aos prantos! Até quero ler outras obras de Sidney Sheldon, mas depois que li tua resenha, vou deixar esta de fora. Valeu pela dica, Andrea.

Teresa Azambuya disse...

Eu sempre parto do princípio que nunca podemos criticar aquilo que não conhecemos. Não posso dizer que Paulo Coelho é ruim se nunca li nada dele. Bom, esse é um princípio que tenho.

Em relação a Sindney Sheldon, sempre tive um pé atrás, ou, no mínimo, não sentia vontade de ler. Mas essa é uma percepção sem fundamento, porque, afinal, nunca li nada dele.

Então, antes de dizer qualquer coisa, é bom arranjar um tempo pra ler e criticar. Já que este livro autobiográfico talvez não seja o mais indicado, então vou procurar algum outro.

Valeu a dica.