domingo, 13 de fevereiro de 2011

Contos de Fantasmas


Daniel Defoe nasceu em Londres em 1660 e até a data de sua morte, em 1731, escreveu muitas publicações. Dentre as mais famosas estão As aventuras de Robinson Crusoé, Venturas e desventuras da famosa Moll Flandres e o jornal The Review, onde publicou as histórias compiladas depois em Contos de Fantasmas (li a edição da L&PM, 2009). Curiosamente, as histórias partiram de relatos e entrevistas. Saber disto faz diferença quando se lê contos como A aparição da senhora Veal, O eclesiástico e o testamento perdido ou qualquer das outras cinco histórias que compõe a primeira parte do livro. Todas cheias de mistérios e aparições de espíritos, narradas de forma quase jornalística, com descrição minuciosa dos fatos e com detalhes da conduta das fontes, que serve para enfatizar a veracidade dos relatos. 

Além destes, mais cinco contos sob o título de Fantasmas falsos e aventuras divertidas, se encarregam de fazer o balanço entre o que não se consegue justificar e o que se sabe ter sido uma armação. Narram de forma dinâmica e divertida, histórias envolvendo falsas aparições. O que não falta é gente impressionada e temente ao diabo. Dentre estes, destaca-se o último conto: O adivinho na feira de Bristol, que conta a história de um charlatão que amedronta um rapaz para que este se convença de que deve se casar com a mocinha que engravidou.

Sozinho, apenas com a luz de uma pequena luminária e a mercê dos estalos de madeira comuns na madrugada, Contos de Fantasmas assusta. Para os impressionados, uma leitura rica em detalhes e muito condizente com as narrativas que se escuta sobre assombrações. Para os descrentes, uma excelente forma de analisar o comportamento humano frente ao desconhecido, especialmente nos contos falsos, onde vemos pessoas se deixarem enganar vítimas do medo.

2 comentários:

Andrea disse...

Adoro este tipo de livro, me lembrei de um que li a uns dois anos atrás (influência do Altair) que era de contos fantásticos, e vários eram de arrepiar.

Karen Drago disse...

Saudade do Altair... ele nos deixava com VONTADE de ler contos! =)