sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Cinquenta Tons de Cinza

Ao contrário do que li em alguns lugares, 50 tons só tem em comum com Crepúsculo a narrativa em primeira pessoa da personagem. Se a história de amor entre o vampiro e a humana resgata valores já esquecidos, misturado com lendas urbanas, e releitura dos hábitos de um dos mais charmosos seres das trevas, em 50 tons temos sexo com pincelada de personagens com problemas psicológicos.

Anastácia Steele se acha feia e com opinião, mas sempre cede aos outros, mesmo contra a vontade. Christian Grey é um milionário, que teve a sorte de ser adotado por uma família amorosa e de posses, mas que quase se tornou errante até encontrar quem o dominasse na adolescência e o tornar um obcecado por controle.

Hoje, ele é um dominador, com direito a contrato de o que deverá ser realizado ou não, de obrigações, direitos e deveres. E quando Anastásia vai entrevista-lo, substituindo uma amiga doente, ao ouvi-la dizer ‘sim, senhor’, resolve persegui-la, pois acredita que ela é uma legitima submissa.

É claro que os dois se apaixonam, mas para dar uma quebra entre as cenas eróticas, pequenas discussões precisam surgir, sejam pessoalmente ou via e-mail, para servirem de gancho para os demais livros. De um lado, Anastácia tenta se convencer de que gosta de apanhar e quem sabe em breve estará cantando Hanky Panky, de outro, aos poucos, o passado do milionário bonitão vai se revelando e ele acaba dando mais a ela do que a todas as outras submissas que passaram pelo seu quarto da dor.

Não tenho uma opinião específica sobre o livro, se o início é chato e os diálogos adolescentes (embora os personagens estejam na segunda fase dos vinte), as cenas de sexo são quentes e sensuais, e sim, se o livro faz sucesso, me parece que a razão são elas. Talvez a discussão seja o quanto se cede por amor, ou o que uma baixa auto-estima pode causar, ou talvez seja simplesmente um pornô feminino que atingiu o estrelato.

A verdade é que a leitura pode ser 8, 40 ou 80. Pode-se desistir da leitura. Pode-se ter boas idéias e parar no primeiro livro. Ou quem sabe se envolver nesta pseudo-história de amor e devorar toda a trilogia. Como dizia aquela velha senhora comendo um velho queijo: é uma questão de gosto.

Cinqueta tons de cinza
E L James

Tradução: Adalgisa Campos da Silva

Editora Intrínseca
2012 – 480 páginas

3 comentários:

Ana Kerwald disse...

Eu já estou no 3º e estou adorando!
Bjo
Ana Kerwald
http://nosexportamosparaaustralia.blogspot.com.au

Andrea disse...

Pois é, Ana! Esse é um livro que me dividiu, ainda não sei se vou ler o restante da história, mas como tenho 4 na fila, tenho um tempo para pensar :)

Bjos

Anônimo disse...

Olá, apenas uma correção: não é "alto-estima" e sim "auto-estima". Se quiseres seguir o novo acordo ortográfico ficará "autoestima".

Aline