quinta-feira, 27 de março de 2014

Sedução Mortal


Kevin e Lucias são jovens, bonitos, ricos e estão entediados. Para quebrar a monotonia resolvem fazer um jogo, onde usando o nome de poetas encantam mulheres em comunidades do mundo virtual.

O objetivo é um encontro face a face, com os rapazes disfarçados usando de drogas ilegais para levarem jovens moças para a cama. Mas logo no primeiro encontro a combinação se mostra mortal, e o que inicialmente gerou pânico acaba sendo uma adrenalina a mais para os dois assassinos com direito a bonificação extra.

No décimo terceiro volume da Série Mortal, Eve Dallas precisa montar rapidamente o quebra-cabeça e encontrar os assassinos antes que mais uma jovem caia na armadilha. Com a ajuda da sua equipe e de Roarke, eles vão derrubando as barreiras para chegarem aos dois meninos mimados, enquanto lembranças do passado voltam a atormentá-la.

Misturando a tensão da caça aos frios assassinos com momentos engraçados, Eve doente acaba dependendo do seu mordomo para ter um pouco mais de energia. Ao mesmo tempo em que acaba possibilitando um romance inesperado para uma de suas fontes.

Sedução Mortal é ágil e tenso. A frieza do personagem Lucias mostra o crescimento da maturidade da escritora Nora Roberts no gênero policial. Suas páginas são devoradas rapidamente e para as suas seguidoras, Roarke continua sendo o grande sonho de consumo do mundo literário.

Série Mortal – Sedução Mortal
Seduction in death
Nora Roberts escrevendo como J.D. Robb
Tradução: Renato Motta
Bertrand Brasil

2001 – 434 páginas

sexta-feira, 7 de março de 2014

Sobre meninos e lobos


Quem nunca se pegou perguntando: E se eu...

No caso de Sean e Jimmy, o que teria acontecido se eles tivessem entrado no carro?

No caso de Dave, se ele não entrasse.

1975... os meninos brigam no meio da rua. Um carro com cheiro de maça para com dois homens. Eles abordam os meninos que se dizendo da polícia e levam Dave com eles.

Dave passa dias desaparecido, mas ele escapa e é recebido com festa. Todos sabem o que aconteceu com ele, mas ele prefere se manter calado. Aguenta as provocações e violências na escola, mas quando adulto consegue formar uma família.

O acontecimento também atinge os outros dois meninos. Sean vira policial e Jimmy criminoso.

25 anos depois. Katie, filha do agora regenerado Jimmy, planeja fugir com o namorado. Antes de se casar, sai com as amigas para uma despedida de solteira. Na volta para casa, encontra a morte.

Este acontecimento irá ligar o caminho dos três novamente. Enquanto Sean tenta descobrir o assassino, Dave vive conflitos internos, e por mais que ele tente se esconder, os lobos continuam a persegui-lo, ameaçando torna-lo um. Jimmy lamenta a morte da filha e acaba revendo novamente os seus conceitos.

Sobre Meninos e Lobos é um livro instigante. A violência, a inveja e o resultado das ações do passado levam o leitor a sentir diversas reações. Assistir tudo sem poder ajudar e apenas esperar as consequências.

A escrita de Dennis Lehane é semelhante a uma montanha russa. Mistura momentos de tensão com a calma absoluta. Se em um momento sofremos com os personagens, em outros vivemos momentos felizes. Os pontos de interrogação vão sendo substituídos pelos de exclamação no decorrer das páginas. O mistério maior não é o crime, mas os três homens que se reencontram por causa dele.

Leitura mais do que recomendada para quem gosta de um bom suspense. E para quem gosta da dobradinha livro e cinema, ele virou filme em 2003 pelas mãos de Clint Eastwood. Eu não assisti a versão cinematográfica, mas o elenco composto por Sean Penn, Kevin bacon e Tim Robbins me despertaram a curiosidade.

Sobre Meninos e Lobos
Mystic River
Dennis Lehane
Tradução: Luciano Vieira Machado
Companhia das Letras

2001 – 338 páginas

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Morrer de prazer





Ruy Castro é um homem de múltiplos talentos, sendo que todos eles envolvem a escrita. Jornalista. Escritor. E um dos melhores biógrafos brasileiros. No decorrer de sua carreira, o escritor ganhou quatro prêmios Jabuti, entre os quais dois de livro do ano. Nada mais justo.

Na obra "Morrer de prazer" há uma seleção de 59 crônicas, todas publicadas anteriormente na Folha de São Paulo, onde Castro é colunista desde 2007. O livro é repleto de crônicas atemporais, histórias que fazem com que o leitor sinta vontade se seguir adiante. E isso ocorre porque Ruy Castro possui um humor ácido, há ironia em sua escrita, o que é raro hoje em dia e, principalmente, o seu texto é limpo e conciso, qualidade essencial no gênero crônica. Destaques para "A década que não existiu", "O ovo na Legalidade" e "Abaixo do Tomate".

Os livros do escritor foram traduzidos para vários países. Entre eles: Inglaterra, Japão, Itália, Estados Unidos, etc. 

Vale a pena investir nas obras de Ruy Castro. Um cronista com voz própria.   






quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O tempo entre costuras



Recebi a indicação deste livro na Livraria Cultura, quando folheava o segundo livro da Trilogia O Século. Conforme a vendedora, um livro que encantava quem gosta de narrativas que misturam fatos reais da nossa história.

E assim, foi com expectativa que iniciei o romance de María Duenas, principalmente por ser comparada a Carlos Ruiz Zafón, um autor que adoro.

O problema é que não simpatizei com Sira Quiroga, a personagem principal e narradora da história. Não torcia por ela, apenas acompanhava as suas aventuras, que nem sempre me pareciam verossímeis. 

A história começa às vésperas da guerra civil espanhola. Sira, então apenas uma simples costureira, vai com o noivo escolher uma máquina de escrever com o objetivo de se prepararem para vagas no governo. Na loja conhece Ramiro e se apaixona, trocando o que seria uma vida certa por uma aventura no Marrocos.

Mas no lugar de uma linda história de amor, acaba grávida, abandonada e endividada. Só que a sua sorte é muito maior do que as suas burrices, e ela encontra amigos que a ajudam montar o seu próprio atelier e conhecer mulheres influentes, entre elas a inglesa Rosalinda Fox, amante do personagem histórico Juan Luis Beigbeder, que convence Sira a se tornar espiã na segunda grande guerra.

De volta à Espanha, com passaporte marroquino, ela se torna a costureira referência da alta sociedade, seus ouvidos captam todas as informações, que são repassadas rapidamente para os ingleses. Entre as regras está ser vista em lugares luxuosos, com os quais ela já sonhara frequentar, e manter distância de antigas amizades.

Entre a vida fictícia de Sira, são relatados momentos importantes na história da Espanha, cuja população vive em grande sofrimento enquanto Franco abria as portas para os alemães. Em uma época que não se sabia quem era amigo e quem era inimigo, a personagem reencontra o amor, mas foge por não ter certeza de quem ele é.

E todo esse conjunto conseguiu tornar, pra mim, apesar da minha antipatia por Sira, a leitura prazerosa. Ao contrário do que poderia acontecer, não era um sofrimento reencontra-la todas as noites, pois o mundo que a cercava apagava o fato de parecer tão insípida para mim.

Por isso recomento sim a leitura de O tempo entre costuras, uma aventura que pode prender vários tipos de leitores.

O tempo entre costuras (El tempo entre costuras)
María Duenas
Tradução: Sandra Martha Dolinsky
Editora Planeta
 2009 – 477 páginas

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal

Aos amigos dos livros e do blog, desejamos um natal encantado como um conto de fadas, feliz como um romance água com açúcar e maravilhoso como um livro bem escrito.

Que Papai Noel permita a continuidade desse compartilhamento de emoções que é escrever as resenhas dos livros que lemos.


Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo para todos vocês

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Dançando sobre cacos de vidro

Ao ver este livro fui atraída pelo título. Achei poético e fui instigada a saber que tipo de dança era retratada. No resumo, somos apresentados ao Mickey, um homem bonito que sofre um grave transtorno bipolar e Lucy, que mantém contato com a Morte desde os cinco anos, primeiro perdeu o seu pai, depois a sua mãe e possui um controle médico rígido por ter enfrentado um câncer.

Lucy conhece Mickey no seu aniversário de 21 anos, ambos se apaixonam e ela assume o risco de casar com ele. Devido aos problemas de ambos, eles criam várias regras, para fazer a vida a dois dar certo. Mas tudo parece sair do controle quando o destino quebra uma delas e Lucy fica grávida.

Entre as dificuldades normais do casamento, com o acréscimo dos momentos de ausência em que Mickey é internado, existe o bonito laço entre Lucy e suas irmãs. Cada uma com suas características, mas o carinho flui entre as páginas, principalmente nos momentos de preocupação.

A autora Ka Hancock escreveu um livro em que o leitor é obrigado a ter como acompanhante uma caixa de lenço. Não, a história não é piegas, é simples e emocionante. Não é um romance cheio de sexo, embora tenha suas idas e vindas. É sobre o amor, amor de filha, irmã, esposa e mãe. No seu estado mais puro e comum, do nosso dia-a-dia, do que abrimos mão e pelo que lutamos.

É o que muitas pessoas não entendem sobre o casamento. A prática dos juramentos que alguns fazem no altar levados ao pé da letra. É sacrificar tudo por um filho, mesmo quando ainda não o vemos. É superar os próprios problemas e aceitar os presentes que nos são reservados.

A vida é feita de cacos de vidro, mas os cortes dependerão da maneira como caminhamos ou dançamos sobre eles.

Dançando sobre cacos de vidro (Dancing on broken glass)
Ka Hancock
Tradução Regina Lyra
Editora Arqueiro

2012 – 329 páginas

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Laranja Mecânica




Alex é um molodoi, que junto com os seus druguis, invade a casa de cidadãos honestos para krastar, ubivatar e vinte-contra-um. Este bratchni, como todo glupi é nadmeni, o que impede qualquer sentimento de pena quando ele se sente spugui.

No livro de Anthony Burgess, eleito um dos cem melhores romances em língua inglesa do século vinte pela Time, a primeira exigência que se faz ao leitor é que ele comece a aprender a linguagem do narrador. Alex, o menino mau da história, fala nadsat, gíria dos jovens violentos que agem sem dó nem piedade em um futuro tão próximo, que muitas vezes parece ser o presente das nossas manchetes de jornal.

Pode-se dizer que o livro é dividido em três partes: Alex violento, Alex presidiário, Alex amadurecendo. Nas ruas, ele adora música clássica e violência. Cheio de si, a pratica sem piedade, apenas pelo prazer. Na cadeia, em troca de uma liberdade mais rápida, ele aceita ser cobaia de um experimento. A descrição do procedimento de cura, para torna-lo um cidadão de bem, me lembrou de um experimento da série Lost, onde um dos personagens ficava amarrado em uma cadeira assistindo um vídeo, como o personagem do livro.  Mas é o encontro com um antigo membro da sua gangue que o faz rever os seus conceitos e chegar ao início de um amadurecimento.

Narrado em primeira pessoa, pelo próprio Alex, Burgess nos torna íntimo, mas não amigos, do seu personagem. É ver a injustiça na visão do criminoso. A dor por quem a causa.

Um livro atemporal, que nos faz prisioneiros na mente de Alex, nos tornando mais uma vítima impotente de sua ultraviolência. Laranja Mecânica é simplesmente horrorshow.

Laranja Mecânica (A clockword orange)
Anthony Burgess
Tradução: Fábio Fernandes
Editora Aleph
1962 – 199 páginas