segunda-feira, 23 de julho de 2012

A cura de Schopenhauer


Irvin D. Yalom é um psiquiatra que já escreveu vários livros sobre psicoterapia, como o clássico Teoria e Prática da Psicoterapia em Grupo, e que se arriscou a escrever best-sellers cujo assunto é: psiquiatria. Atingiu grande sucesso com Quando Nietzsche chorou e, na mesma linha, publicou Mentiras no Divã e A cura de Schopenhauer.

A cura de Schopenhauer, de 2005, é uma história sobre morte, vida, terapia em grupo e, obviamente, Schopenhauer. Mas o ponto de partida é a descoberta de um psiquiatra sobre o seu prazo de validade: a descoberta de um melanoma e do seu tempo de vida provoca inicialmente ações na sua vida privada, e, mais tarde, isso vai invocar novas reações no seu grupo de terapia.

Ao descrever as sessões de um grupo de terapia, verifica-se que, por mais diversos sejam os motivos que levam as pessoas até a ele: problemas no casamento, com os homens, baixa estima, todos giram em torno de uma questão: relacionamentos. Paralelo a isso vem uma pequena biografia do filósofo Arthur Schopenhauer, um homem que pregou solidão e sofrimento em seus livros, buscava fama embora a negasse, e ironicamente só atingiu o sucesso ao escrever Parerga e Paralipomena, obra em que o autor, conforme Yalom “abrandou o pessimismo, diminuiu as lamentações e deu conselhos sensatos de como viver”.

Irvin. D. Yelom tem o mérito de descrever filosofia e psiquiatria para leigos. É fácil acompanhar a dinâmica da terapia de grupo, principalmente como o psicanalista o coordena, a sua forma de selecionar as questões que irão fazer as pessoas se revelarem ou se inflamarem. Ao mesmo tempo, as frases filosóficas que aparecem na trama entram em um contexto óbvio para o leitor, tendo como âncora um personagem que age como um espelho de Schopenhauer. Quando isso não é possível, um dos personagens se encarrega de explicar o significado.

A questão das frases filosóficas ou até os diálogos da terapia de grupo podem dar ares de auto-ajuda ao livro, como: As grandes dores fazem com que as menores mal sejam sentidos e, na falta das grandes, até o menos desgosto nos atormenta e na frase de Cícero Qualquer um pode ser completamente feliz, se depender apenas de si e tiver em si mesmo tudo o que chamar de seu.

Exceto pelas frases e a biografia de Schopenhauer, os vários problemas relatados pelos personagens e a visão humanizada do psiquiatra (que por ser médico, muitas vezes é visto de outra forma por seus pacientes), dão uma sensação de “dejávu” para quem já leu, por exemplo, Mentiras no Divã, pois os problemas da humanidade parecem não se alterar muito, além da descrição física, situação financeira e local onde moram.

Para os leitores que se interessam por psiquiatria e relacionamentos, as obras do autor são um prato cheio e podem oferecer idéias aos que buscam livros não técnicos da área. Para quem já leu outro tipo do assunto e não tem intenção de continuar a ver mais do mesmo ou está se sentindo incomodado com as reclamações de vizinhos, amigos, colegas ou parentes, a sensação pode ser a mesma citada pelo psiquiatra da A cura de Schopenhauer sobre seus alunos: “Lembrava que, anos antes, quando dava aulas de terapia de grupo, os alunos iniciantes reclamavam do tédio de observar pacientes falando durante noventa minutos nas sessões”. Esse é um risco que o leitor deverá correr, de se sentir emocionado com as histórias do grupo de terapia ou de sentir tédio com os problemas de cada um, já que no mundo real, se confronta com muitos Philips, Pams e Bonnies.

Yalom, Irvin D. – A cura de Schopenhauer – Ediouro – Rio de Janeiro, 2006.

Um comentário:

Sabrina Mendes disse...

Tenho que dizer que o livro é realmente muito interessante, inclusive para pessoas leigas como eu em assunto de psicologia e afins. E esse é um ponto muito genial da obra, atrair diversos públicos, e encantá-los com um assunto que cativa, impulsiona e deixa nossa mente cheia de vontade de saber mais e mais.

Se alguém ficou com curiosidade, http://portugues.free-ebooks.net/ebook/A-cura-de-Schopenhauer