domingo, 8 de julho de 2012

Pequena Abelha

Na contra-capa é dito o seguinte:

Não queremos lhe contar o que acontece neste livro. É realmente uma história especial, e não queremos estraga-la. Ainda assim, você precisa saber algo para se interessar, por isso vamos dizer apenas o seguinte:

Esta é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fadítico. Então uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa...

Depois de ler este livro, você vai querer comenta-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como esta narrativa se desenrola.”.

Eis o meu primeiro desafio: como fazer a resenha sem quebrar esta promessa silenciosa que Chris Cleave nos pede tão delicadamente? Difícil. Usar os adjetivos que estão distribuídos pela capa também não acrescentaria muito.

Quem sabe poderia dizer que a foto interna com o menino fantasiado de Batman não está ali à toa. Mas logo nas primeiras páginas você irá compreender.

Penso então estar liberada para falar que sua narrativa ocorre em primeira pessoa, alternando as vozes. Que cada página contém uma revelação, como se fosse um paciente que fez uma cirurgia plástica no rosto, e conforme as ataduras lhe são retiradas, consegue-se descobrir o resultado daquilo que nos deixa tão curiosos.

No meu caso, a curiosidade foi substituída por várias emoções, como angústia, comoção, pena, tristeza e impotência. Não sei se poderia estar escrevendo isso sem desobedecer Cleave, mas definitivamente não estamos falando em uma história feliz.

Se eu recomendo a leitura? SIM. O livro é bem escrito, a história é envolvente e sai do lugar comum. É sobre diferenças e igualdades, alegrias e tristezas, perdas e descobertas. É um livro para quem tem tudo e vive reclamando da vida. É um livro para quem não tem nada e não se mexe para melhorar. É um livro para quem luta e para quem não precisa mover um dedo. Para corajosos e covardes. É um livro pra mim, pra você, para todos nós, que podemos fazer alguma diferença.

Pequena Abelha
Chris Cleave
Tradução de Maria Luiza Newlands
Editora Intrínseca
272 páginas

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